Cultura e Mercado

Criativo como?

O Creative Commons é uma ferramenta sensacional. Os autores e artistas profissionais ganham autonomia e reduzem a burocracia no momento de licenciar suas obras, dosando o quanto estão dispostos a abrir mão dos possíveis ganhos provindos de sua exploração comercial e quanto preferem garantir seus ganhos futuros, de acordo com as possibilidades de circulação e compartilhamento, sobretudo no ambiente cibernético.

Fruto Proibido, de Gomes de Souza

É um facilitador, um atalho entre o autor e a confusa e complexa legislação de propriedade intelectual, que atola e complica a vida de qualquer autor. O CC trabalha com a legislação vigente, que já prevê e dá autonomia ao detentor da obra criativa para definir o percurso de sua obra.

Mas o Creative Commons é muito mais útil ao amador, pois facilita o licenciamento para uso que o autor desejar, de maneira fácil e rápida, permitindo a livre circulação de obras e ajudando a tornar esse autor conhecido e até, quem sabe, se profisisonalizar.

Devo confessar que sem o Creative Commons seria mais difícil e trabalhoso editar este Cultura e Mercado (e tantos outros similares da blogosfera), já que a maioria dos textos e imagens aqui utilizados são generosamente cedidos, a partir dessa licença, para a nossa atividade, que é de utilidade pública e sem fins lucrativos.

Não há nada no CC que eu já não pudesse fazer antes (Cultura e Mercado era e continua sendo copyleft). Os leitores mais antigos do site (antes de 2001, quando ainda chamava-se Canal Pensarte) devem lembrar que publicamos por um bom tempo as deliciosas ilustrações do Gomes de Souza (a de hoje é uma justa homenagem a ele). A diferença é que hoje consigo reconhecer, identificar e me relacionar com inúmeros artistas (amadores e profissionais) com a mesma generosidade do Gomes em redes e sites de trocas de conteúdo, como o Flickr, o mais utilizado por nós atualmente. E o Creative Commons tem relação direta com isso.

A apologia da livre circulação de conhecimento associada ao Creative Commons, no entanto, é algo que preocupa os autores e artistas que conseguem (sobre)viver de sua obra criativa. E com razão. A ideia de que o conhecimento não pertence a ninguém (e por isso não pode ser cobrado) carrega implicitamente uma ideia interessante, mas não necessariamente verdadeira, de que todos somos capazes de criar uma obra de arte. Isso faz do artista um cidadão comum, mas não faz do cidadão comum um artista.

A despeito de todas as maravilhas que o CC pode nos proporcionar num mundo de redes e telas, ainda me preocupa (essa é uma preocupação real e cotidiana pra mim, não só como editor de um site que se coloca no lugar dos artistas, mas também como alguém que vive exclusivamente de produção artístico-intelectual) o futuro dos criadores e das criações na grande geleia geral.

Sem garantias sociais de um ambiente propício à criação, o que está em risco é o futuro, as utopias, os sonhos e projeções por melhores dias. No fundo, o que nos guia e nos define como seres socias e “civilizados”. E o direito autoral ainda é uma dessas garantias. Enquanto não inventarem outra maneira de remunerar o trabalho do artista (eu ainda não consegui pensar em outra), continuo mantendo o pé nesse que é o direito cultural mais antigo, garantia constitucional e parte integrante da Declaração Universal dos Direitos Humanos, fundamental, não somente ao autor, mas à toda sociedade.

Há um outro elemento no contexto do direito autoral que torna a discussão mais sensível, sobretudo aos músicos e compositores. O sistema de arrecadação de direitos capitaneado pelo ECAD é considerado retrógrado e anti-democrático por quase todos (dos que são cobrados aos que deveriam receber os frutos da arrecadação), pois concentra poder e busca punir (frequentemente com abuso) em vez de educar e estimular o consumo cultural.

Ana de Hollanda agiu por impulso, de maneira precipitada, mas não necessariamente agiu errado. A condução do processo de alteração da lei do direito autoral foi dominado por um discurso de confronto com o artista, apontado como usurário. A tese de que o direito autoral contraria o interesse público para favorecer uns poucos privilegiados ganhou corpo nos movimentos sociais, sobretudo os de cultura digital.

O movimento da nova ministra é simbólico. Vamos zerar a conversa e colocar todos os interessados na mesa, sobretudo os autores e artistas que dependem dessa fonte de renda para sobreviver, rechaçados até então do debate. E também a indústria cultural, que é uma legítima interessada na discussão.

A Casa Civil acaba de devolver à Ministra Ana de Hollanda o projeto de lei preparado pela gestão anterior para alterar o direito autoral no Brasil. Fontes do governo relatam que o projeto foi encaminhado ao Palácio do Planalto sem considerar as contribuições da consulta pública, trabalho que ficará a cargo da nova Ministra.

Por aqui, torcemos por um diálogo amplo e democrático. E que as partes envolvidas se manifestem de maneira franca, aberta e generosa, pois a atualização da lei é necessária, sobretudo no campo da convergência digital, coisa que o PL ainda não abarcou com a profundidade necessária.

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Comments ( 59 )

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  1. Carlos Henrique Machado 29 de janeiro de 2011 Reply

    1h15min. Muitos artistas neste momento estão tocando em bares, clubes, boates, restaurantes que varam a madrugada, forró do bate-cocha, seresteiros, enfim, milhões de músicos brasileiros que são de alguma forma profissionais que apenas estão fora da indústria fonográfica. Aí você comete um imperdoável equívoco, sobretudo quando cria uma sentença para um único produto cultural gerado pela profissão de músico, o da gravação de cd. Ora, não é você mesmo que aconselha procurar outro coeficiente para desenvolver outras formas de profissonalismo e, consequentemente outras formas de economia? O que é isso Leonardo? Você está instituindo a monarquia cultural por esse tipo de diletantismo fortificado pela obra gravada? Aliás, essa visão individualista de Ana, sinceramente não tem nenhuma importância como defesa do patrimônio nacional, é uma sucessão de puerilidades. Agora, você querer praticar o que é psicologicamente assimilado pelo medalhonismo?
    O artista só é profissional se suas obras forem editadas e gravaddas? Menos Leonardo! O tamanho do exclusivismo de Ana não te permite ir tão longe. Deixe que ela continue isolada com essa obra esquizofrênica que está inventada agora pelo MinC.

    Ana está se desgastando atoa, não vai salvar o ECAD normatizando essa vergonhosa barreira que ela quer impor. O que ela conseguiu foi somar manifestações de apoio ao fortalecimento de uma vasta troca de conhecimento para o bem do povo brasileiro.

    Não há fantasia que obrigue uma sociedade a se fechar. Estamos vendo agora governos serem derrubados com os vazamentos do Weekleaks, revoluções em paises comandadas por twiter. E Ana quer em nome dos tubarões do ECAD que pasticham toda a cultura a partir do seu comando calar o Brasil?.

    Não dá, Leonardo, mesmo que você carregue as mãos nas redondilhas, o capim da lagoa já cresceu, o estrago político já foi feito. Ana queria exclusividade em ritmo acelerado? Pronto, ela está aí presa em sua ressignificação. Nossa gente está livre possivelmente falando mal dela em alguma dessas redes, gente inclusive que está fora do compasso da política cultural.

    Ana chamou a atenção até de organismos internacionais como bem disse Sergio Amadeu, pelo tamanho do retrocesso dessa inacreditável atitude.
    Mas enfim, o ECAD não protege músico profissional, digo, desses milhares que citei, ele os prejudica e muito para seguir privilegiando e não dando direito a poucos como sugere o seu texto.

    Abração.

  2. Leonardo Brant 29 de janeiro de 2011 Reply

    Carlos, recomendo uma nova leitura do texto. Sua raiva acumulada não permite um distanciamento. Vc atribui a mim ideias que não são minhas. E vem fazendo isso há algum tempo. Você não é obrigado a gostar de mim, mas se quiser contrapor ideias, por favor não desqualifique ou tente intimidar a pessoa com quem deseja dialogar. Isso apenas desestimula o debate…

    É com toda gentileza e admiração a você, que te afirmo que o direito autoral está no centro do mercado cultural. Sem ele não há qualquer possibilidade de remuneração para obras criativas originais. Nem todo artista faz show. Existe o compositor, o autor de livro, o cineasta, o produtor musical, o dramaturgo.

    Não sou a favor da propriedade, nem a intelectual nem a material. As coisas e as ideias não nos pertencem. Mesmo contrariando a minha vã e massacrada ideologia, sou obrigado a expor a situação tal como se apresenta (a mim, é claro, longe de se apresentar como verdade única e impositiva).

    Estou preocupadíssimo com a repercussão disso tudo lá fora, tanto que ainda não fui dormir (4h09). Mas estou mais preocupado com a subsistência de artistas e empreendedores culturais, que podem e devem abrir mão dos direitos patrimoniais de suas obras, desde que tenham outros modelos de negócio à vista.

    E se você tiver, por favor, põe na roda! Abs, LB

  3. Carlos Henrique Machado 29 de janeiro de 2011 Reply

    Leonardo

    Ana, assim que deu a primeira declaração, sacou a sua garrucha de dois canos e, embalada pela arrogância e vaidade, disse que determinaria a nova cadência do debate, ameaçando as reformas do direito autoral e da Lei Roanet. A do direito autoral, ela, num primeiro cenário, disse ter que respeitar acordos internacionais. Depois, recém-empossada, ela veste a farda verde-oliva, quase preta do integralismo de Plínio Salgado e ataca o CC em nome da soberania nacional. Essa patriotada hipócrita embalada pelos interesses do ECAD.

    Você continua com a ideia de que todos que participaram dos debates sobre as reformas foram hipnotizados, insistindo na demonização de Gil e Juca e, trantando todos os que debateram como teleguiados. O ilustre Robson ainda vem que esse papo furado de pessoas que perderam boquinha, no famoso “deixa falar”.

    O grande problema, Leonardo, é que Ana, e agora com o seu aval, por questões de convenção, assume o comportamento de dar destaque a algumas figuras e não à cultura de um país. Mesmo que olhássemos a cultura pelo artista, pelo criador como está sendo colocado aqui de forma miúda, Ana, endossada por você, acaba criando uma jurisprudência para adaptação de um tipo de reforma que sustenta o processo, incorporando automaticamente no feudo, compositores, intérpretes que, direta ou indiretamente, beneficiam-se da indústria, é bom que se diga, dos conglomerados globais, coisa aliás que poucos conhecem tão bem como você que teve a preocupação de editar o livro “Arte sob Pressão” de Joost Smiers que, com profundidade e sem vacilar, expõe a questão da reciprocidade da troca de informação geração após geração como a digna missão de uma cultura. Portanto, Smiers e até você como co-editor, expõem de forma clara que o brilho e o êxito de uma obra carregam a ousadia criatva de uma sociedade em perfeita concordância com as observações feitas por Mário de Andrade que textualmente diz que, “uma obra nacional já foi feita na inconsciência coletiva de um povo e não fruto discricionário de elementos”.

    Essa nova peleja recém instituida pelo discruso de Ana e improvisada aqui por você, cria, com uma sequência de ambiguidades, um fla x flu. Almofadinhas x malandros. Os primeiros, as divindades, que recorrem de forma ingênua a investimentos pessoais para a criação de verdadeiros escapulários, enfrentam os marginais da indústria fonográfica internacional com suas manifestações profanas, executando “roubando” do coitado do compositor que não é intérprete.

    A realidade é bem outra. O ECAD não atende aos artistas, se é que vamos tratar da cultura de um país pela lógica dos artistas criadores, estes que estão nas ruas de diversas formas experimentando novas fórmulas de poesia e som porque são mais livres e, portanto, menos palatáveis ao consumo industrial são verdadeiramente a reencarnação ou a continuação dos antigos negros carregadores de piano. São eles, Leonardo, a grande massa que faz a economia da cultura criar novas formas de mercado.

    Aqui mesmo em Volta Redonda, talvez por ser uma cidade polo da região, com todo o desprestígio que possa vir a ter da indústria fonográfica internacional, ela ostenta a maior loja de instrumentos da América Latina. Parece mentira isso, não! Mas quero enfatizar que, não só o músico de fundo de quintal cria uma valoração mercadológica como está fortemente identificado por nossa tradição. Assim como os milhões e milhões de músicos que são portadores de novas formas, muitas delas inéditas de abrir fronteiras econômicas, seja como consumidores, seja como fomentadores de novas formas de entretenimento e lazer, movimentam a economia do Brasil em torno da cultura de maneira substancialmente mais forte do que o pequeno feudo que acredita irrigar a economia imperativamente.

    Há uma visão precária em tudo isso, Leonardo, é preciso ao invés de olharmos isso de longe, sugiro que olhemos de perto para entender que, sob o ponto de vista ecnômico, a lógica do medalhonismo em termos de bilheteria está ultrapassada. Esses milhões de músicos sem rosto na midia se sustentam com dignidade, eles e suas famílias com criações próprias, mesmo jogados na vala comum pelo ECAD com a sua tabela generalizante na hora de cobrar os estabelecimentos aonde se apresentam, transferindo automaticamente os seus direitos aos privilégios dos maiores captadores que utilizam-se, como todos sabemos, do jabá com féu nas rádios para os que são beneficiados por uma massa extraordinária de arrecadação nas ruas em todo o território nacional.

    Mas volto depois pra falar do absurdo da cobrança do ECAD às pessoas que se manifestam nas ruas em blocos, festas juninas e etc. Portanto, esse arremedo vulgar de Ana de clonar o falso argumento do ECAD de soberania nacional fere a todos nós, sobetudo nós que lutamos com paixão nas ruas para não deixar que o projeto de Serra fosse o vencedor, porque ele era exatamente na teoria o que Ana quer instituir na base do, “eu bato, eu prendo, eu arrebento”.

  4. Robson Santana 29 de janeiro de 2011 Reply

    Sua provocação me fez pensar seriamente sobre o futuro daquele que faz da arte o ganha-pão. O artista autônomo, então, nem se fale.

    O direito autoral é injusto, o ECAD mais ainda, como você bem aponta, Leonardo. É preciso aprimorar o sistema de controle e arrecadação urgentemente. Mas precisamos deixar de nos sabotar, de atentar contra todas as formas de subsistência do artista.

    Não vejo nenhuma gravidade na retirada da logomarca de uma organização multinacional do site do Ministério. Pelo contrário, achei um ato de coragem e bravura, em nome da soberania nacional. E da soberania artística.

    A gritaria faz parte da política. E os que perderam a boquinha vão gritar até encontrar um novo emprego ou um financiamento internacional.

  5. Sergio Evangelista 29 de janeiro de 2011 Reply

    Acho que o governo deveria fazer uma grande campanha popular para a divulgação dessa nova forma de demonstração das intenções do autor em relação ao seu trabalho. Se será um selo ou se será um texto, o importante é que todos saibam pra que serve e como devem agir.

    “O comum que compartilhamos, na realidade, é menos descoberto que produzido.”(HARDT; NEGRI, 2005, 14)

  6. JC Lobo 29 de janeiro de 2011 Reply

    Parabéns pela análise sensata da licença “creative commons”. É ridícula a reação histérica a esse mecanismo de livre adesão do artista. Afinal, é uma licença de adesão voluntária, ninguém está obrigado. E não é a única alternativa. Já existem outras pelo mundo, mas pouco divulgadas por aqui (como a engenhosa “colorjuris” – embora mais complexa que o CC – e a formal “Art libre”, mais próxima das licenças formais).

    Essa reação histérica costuma vir dos porta-vozes do ECAD. A meu ver, por uma razão bem simples: morrem de medo de que se constitua um repertório fora de seu controle, que exista uma concorrência. Eles estão numa situação muito cômoda, um monopólio que não se sujeita a nenhuma fiscalização (coisa que inexiste no mundo democrático).

    Mas é nesse histerismo que o bicho pega. A ministra faz parte dele, ela compartilha da visão tacanha dos dirigentes das associações que controlam o ECAD. E mandou esse recado ao tirar a licença CC da página do MINC da forma que tirou. Ela se apequenou com esse ato.

    Embora a ministra tenha escolhido uma equipe de altíssimo nível, no que diz respeito aos direitos autorais a situação é problemática. As declarações dela, antes mesmo de ser ministra, demonstram que ela é totalmente capturada pelo visão corporativista e canhestra da turma do ECAD. Pelo que circula no twiter, ela inclusive se aconselha com eles, parece que só vai indicar alguém pra tratar desse tema com o aval deles. Por isso não vejo nenhuma chance dessa questão receber um tratamento equilibrado do MINC. Se o governo quiser avançar nessa área, o lugar não será no Ministério da Cultura.

    Agora o ex-ministro Juca garantiu que o projeto que seguiu pra Casa Civil foi muito alterado, que incorporou muitas das críticas apresentadas na consulta pública. Então o MINC tem que tornar isso público já. É o mínimo de satisfação que deve ser dada pra sociedade. Além de ajudar a Ministra a desfazer a má impressão que causou com esse episódio da retirada da licença.

  7. Leonardo Brant 29 de janeiro de 2011 Reply

    Carlos, quero muito debater com mais profundidade o ECAD por aqui. Que tal um texto sobre isso, para variar?

    Tenho duas anotações ao seu comentário: 1) não vejo a Ana negando nem confrontando a cultura digital. Vejo, e tenho falado com gente do alto escalão do MinC (portanto não estou supondo, estou confirmando o que eu ouvi de gente que confio e acredito), uma chamada para conversa. Mas uma chamada sem território ocupado. Vejo lucidez nesse processo, embora tenha considerado infeliz o gesto da ministra, que não a desqualifica, pelo menos por enquanto (o próprio Hermano Vianna admite isso em seu artigo para O Globo, muito bom aliás); 2) eu não estou endossando nada, mas fique à vontade para continuar interpretando mal minhas palavras.

    Abs, L

  8. Maria Alice Gouveia 30 de janeiro de 2011 Reply

    Que é engraçado, é: os tetranetos de Tiradentes recebem pensão do Estado e os netos de Jobim não podem receber dinheiro de seus direitos autorais, porque estarão fortalecendo o ECAD?

    Parece que em nosso país – que reconhece a propriedade privada das terras, dos prédios, das indústrias, das escolas etc, o único direito à propriedade privada que foi abolido é o direito autoral.

    E isso nos leva aonde?

  9. f4bs 30 de janeiro de 2011 Reply

    Oi Leonardo, tudo bem? Você diz neste teu texto que o “Cultura e Mercado era e continua sendo copyleft”. Mas eu não encontrei nenhum link no site que me indicasse isso. Você poderia então, por favor, apontar onde isto estaria implícito ou explícito?

  10. Joao Parahyba 30 de janeiro de 2011 Reply

    Grande Léo. Não costumo abrir a boca todo dia como bem voce sabe rsrsrs ! mas tá de encher o saco
    essa politização céga e partidaria.
    Oa sites de musica e correlatos a cada dia se enche mais de besteirol ,de incautos, e de velhas cantilenas. Até a TimeLife que já foi tarde nos anos 70 é revivida para mostrar como a Ministra é imperialista.
    São noções e jargões mais velhos que matuzalém ! Jesus.

    Eu To com voce. nunca foi tão facil , trocar informações, dividir opiniões graças ao CC .

    Quem esá reclamando, na minha opinião tem um fundo de ranço ou segundas intenções
    pois tanto o CC&COPYLEFT ou wherever ,outro qualquer só atrapalha os grandes caciques de maracutaia do mercado. Acho que a internet abriu o espaço pra todos se comunicarem, e o licenciamento direto do “criador” ou autor. fica mais democratico e isso não vai parar não.
    temos agora o ONE RPM outra pequena empresa americana (ai) que coloca o artista a venda no mercado sem intermediarios, em todas as redes de venda. o custo 10% acabamos assim com intermediarios.

    O Buraco esta na maracutaia de receber os direitos e não no ceder os direitos .

    abraço JP
    Pra deixar bem claro. não sou amigo da rede Globo,dos americanos,dos politicos,e nem de brasileiros corruptos , burros ou malandros. Farinha podre não tem fronteira.

  11. Joao Parahyba 30 de janeiro de 2011 Reply

    desculpe esqueci

    VIVA Gomes de Souza merece uma exposição urgente

  12. Elen Nas 30 de janeiro de 2011 Reply

    Olá.
    Não vejo nenhum perigo ou motivo de preocupação. O direito do autor é inalienável. Quem disse que o simples uso facultativo de uma licença no creative commons significa excluir o direito do autor, ou dizer que a criação artística individual deve pertencer ao livre arbítrio de todos?
    Compartilhar não significa ceder direitos e, mesmo os cedendo de livre e espontânea vontade, isto não anula a autoria!
    O que está em jogo, nem é a sobrevivência do artista, já que existe um estado de coisas excludente que já dificulta isso em muito!
    O Ecad não resolve isso e reclama em direito próprio, não em nome dos artistas! E, este sim, que direito é esse?
    O Ecad não deveria ser obrigatório, pois, se obrigatório é, deveria sim ser estatizado, funcionar melhor e com muita transparência!!
    Caso o contrário, deveria ser uma agência a qual o artista recorre, e deveria ter concorrentes.
    Os lugares sujeitos a cobrança do Ecad deveriam enviar uma lista de tudo que tocam, pois têm lugares que eles recolhem e não têm como controlar isso.
    Se artistas independentes são tocados em pequenos restaurantes e lojas como um som ambiente e o Ecad recolhe, quem paga a eles?
    Gostaria de saber se as mudanças que propuz na lei entraram e de que maneira foram avaliadas.

  13. Carlos Henrique Machado 30 de janeiro de 2011 Reply

    Não, Leonardo, não quero mais discutir ECAD. Não vale a pauta.
    Posso garantir que isso não vai prestar. Com todos os canais da cultura fechados para a sociedade em benefício cada vez maior de corporações, como indica a bússola da timoneira Ana da Holanda. Em algum momento essa panela de pressão vai explodir.

    Esse ajuntamento dos trapiches, dos velhacos em procissão em nome da família com Deus pela liberdade está sendo pessimamente vista pela sociedade. Estou aguardando o naufrágio dos tubarões. Essa cultura de classe misturada com as classes dominantes está dando coceira na sociedade.

    As críticas a Ana de Hollanda alastram-se pela rede. Vamos esperar aonde vai dar essa viagem, espero que não seja prolongada. Quem olha excessivamente para cima, costuma tropeçar. Ana conseguiu um fato inédito, tornou-se rapidamente a ministra das fatalidades com a sua barafunda espetacular.

    O PT já está fazendo uma triagem interna para saber quem é o tenente da fragata que está empunhando a sua bandeira rumo ao naufrágio político. Os twitters do PT estão tilintando com esplêndidas críticas a essa cultura fisico-psíquica dos mil réis da ministra Ana de Hollanda.

    O PT deixa claro que não quer cantar o samba, “não sou quem me navega, quem me navega é o mar”. A conferir.
    Abs.

  14. apenas mais um brasileiro 30 de janeiro de 2011 Reply

    Parabéns, Leonardo!
    tenho acompanhado um pouco essa polêmica e, na minha modesta opinião, o seu texto foi o mais sensato que li, até agora. O Gil colocou. A Ana tirou. Ambos tem ou tinham poder para isso. Ponto. Vamos debater mais o assunto? Ótimo! Tenho visto muita gente apoiando a Ana, fazendo demonstrações completamente contrárias das que li aqui, escritas por gente raivosa que afirma conhecer plenamente o desejo da nação brasileira. É de rir. Como se o povo brasileiro tivesse apenas um único desejo. Isso sim me cheira a militarismo. Vamos ao debate. A Ana foi precipitada, mas agiu dentro do direito. E vamos deixar de ser hipócritas: vivemos num mundo guiado pelo direito de propriedade, sim! Se não, por que não entramos num super-mercado e levamos pra casa o que bem entendermos, sem pagar nada? Ou melhor, o que será que essas pessoas que defendem a abolição do direito de propriedade diriam se eu resolver me aboletar na casa deles, e dormir nas suas camas e sair pra dar uma voltinha com os automóveis deles. Alooouuu, galera! Mesmo os mais pobres tem propriedades: roupas, casa (por menor ou mais precária que seja)… etc. Ou, ao menos, deveriam ter! Tudo o que o MST quer, por exemplo, é distribuir propriedade para os sem propriedade. Aliás, a primeira propriedade que ganhamos, ao nascer, é a do nosso próprio corpo (como disse Locke), seguida imediatamente pela intelectual (acredito eu) e por tudo o que podemos produzir. E todas devem continuar a ser preservadas. Parem com isso de só os artistas tem que liberar o seu! Penso assim. Sei de gente que pensa diferente. Em ambos os lados, a turma é grande. Então, vamos parar de fazer ameaças toscas e paranóicas, porque eu votei, na primeira campanha do Lula, a favor da esperança. E hoje fico morrendo de vergonha dessa gente PT que faz campanha alardeando o caos e o medo. Parabéns, Leonardo. Você não está sozinho. Vamos ao debate. Sem medo e sem hipocrisia. E com educação.
    Abraços.

  15. Bruno Cava 30 de janeiro de 2011 Reply

    Se o problema do artista é renda, 99% não vão a conseguir pela via do direito autoral. Por que não uma bolsa-cultura?

    De qualquer modo, Minc não é ministério da “classe artística”, suposta casta de ouro a verter a cultura a nós, meros receptores. A cultura está no núcleo da cidadania e da política. O parangolé do Gil/Juca foi justamente disseminar a “classe artística” na rede de produtores por todas as regiões e nas margens da “indústria”. Pelo discurso, esse novo ministério pretende reconcentrar a cultura na indústria, onde estariam vinculados os verdadeiros criadores. “Indústria criativa”.

    Como assim *só* tirou o Creative Commons? O CC é peça fundamental de toda a luta do mundo contra a expropriação do copyright. Trata-se de uma violência não só simbólica, mas concreta da ministra contra um movimento global que atravessa fronteiras.

    Wikileaks, CC, wordpress, tudo isso está constituindo um espaço público global. Ir contra por razões de estado é o tipo de nacionalismo que o Departamento de Estado dos EUA e a Microsoft a-do-ram.

    Por que não Tom Zé para MINC? ou então Ivana Bentes? muito mais continuidade do governo Lula, com Gil e Juca, do que essa guinada conservadora da atual ministra.

    Eu pelo menos votei em Dilma pela continuidade do governo anterior.

  16. Tito Gonzales 31 de janeiro de 2011 Reply

    Grande Leonardo, em seu texto você diz “Ana de Hollanda agiu por impulso, de maneira precipitada, mas não necessariamente agiu errado.”

    Eu acho que ela agiu errado justamente por ter sido precipitada e impulsiva, depois você cita “Fontes do governo relatam que o projeto foi encaminhado ao Palácio do Planalto sem considerar as contribuições da consulta pública, trabalho que ficará a cargo da nova Ministra.”

    Ué, não entendi ela vai considerar as opiniões das pessoas simples não “compositoras associadas” ao novo projeto de direito autoral? Mas então porque não o fez ao tirar o CC do site?

    Pegando emprestado a citação do Carlos a atitude “eu bato, eu prendo, eu arrebento” da Ministra pode perfeitamente ser um padrão de gestão mas sinceramente acho que ela não imaginava a repercussão disso tudo, resta saber como serão seus próximos passos.

  17. Leonardo Brant 31 de janeiro de 2011 Reply

    Tito, eu não sou porta-voz nem defensor da Ministra como o Carlos tenta insinuar. Apenas tenho uma interlocução institucional e tento ponderar e analisar a situação. O que eu tentei mostrar no artigo é que a questão do CC é uma e do ECAD outra completamente diferente. Os dois implicam na vida do artista e do público “consumidor” de cultura.

    Com relação ao PL, considero perfeitamente legítimo o diálogo com os maiores afetados com a mudança, pois estão envolvidos com essa questão há milênios e tem um conhecimento mais profundo dos reais problemas do sistema de arrecadação. O processo todo foi contaminado por uma campanha do governo contra o ECAD. Não quero defender o ECAD, acho a reforma necessária e urgente, mas também não concordo com o julgamento sumário (com viés ideológico) a que ele foi exposto.

    Tenho percebido uma responsabilidade maior dos atuais governantes. Uma maturidade de quem deseja sair do lugar de ONG e passar para o lugar de governo. E é exatamente isso que precisamos. Um governo que não abdique da gestão da problemática da cultura. Que faça gestão desses problemas, em vez de promover mobilização pública em torno deles.

    Mas ainda é cedo para dizer se isso será possível, sobretudo tendo em vista a fragilidade do MinC em termos de institucionalidade, orçamento, dívidas, complicações políticas. Enfim, um legado com coisas positivas, mas com muitas complicações que colocam em risco o ministério e seus programas mais interessantes.

    Abs, LB

  18. gil lopes 31 de janeiro de 2011 Reply

    A Ana está correta Criativo Comum é uma bobagem que já tomou demais o nosso tempo, mas tem gente que parece que quer monopolizar o tempo com essa bobagem. E por que? O que ganhamos com isso? O que o Brasil ganhou com isso? Como anda nossa música? Se gravar e editar não fazem um artista profissional, vamos ficar com o que? Com as moedinhas da esquina? Com a idolatria do sofrimento? Francamente…quem circula muito e sem nenhuma concorrência? Qual é a música que está se beneficiando desse atoleiro que estamos? A Madonna morre de rir, as moedinhas dela caem de todo lado. Por aqui? Só a pirataria, a baixação ( ou baixaria) de arquivos grátis. A música circula pelos computadores e entre nós não pinga moedinha.
    A Ana está correta, vamos falar sério. O Ecad está aí há quanto tempo? Ahhh…então vamos acabar com ele, está superado, os conglomerados…uma conversa. A união entre a música brasileira e os conglomerados ( seja lá o que isso for) foi benéfica para a música brasileira. É um conseguimento nacional essa aliança. Sem ela estamos há dez anos paralisados, devemos pensar mais sobre isso. Quem tem medo de conglomerado sendo um gigante? Tem é que se colocar como gigante…ok, vamos pensar um outro meio de fazer riqueza, não vamos seguir o modelo, vamos fazer por exemplo como a China…é isso mesmo? Qual é o modelo? Conversa…criativo comum já chega né gente? Melhorar o ecad isso sim. A Ana está correta, deixa ela trabalhar.

  19. Odilon Sérgio Santos de Jesus 31 de janeiro de 2011 Reply

    Eu realmente fico pensando como é fácil baixar músicas livremente e sem nenhum custo e desfrutar daquela obra sem um pingo de dor na consciência. Por outro lado conheço as dificuldades para tocar qualquer empreendimento cultural por menor que seja. Mesmo com os editais, os custos envolvidos quase sempre superam os ganhos, e acabamos tocando os projetos mais pelo amor a arte do que pela racionalidade. Não podemos negligenciar que este produto que chega tão facilmente às nossas casas enfrentou um processo árduo e difícil para a sua concretização. De algum modo, acho que devemos devolver em termos financeiros o usufruto destas obras, afinal de contas vivemos num país capitalista e essas pessoas sobrevivem do que realizam. Agora, se esta arrecadação de direitos autorais não beneficia o artista, este sim se torna o problema, as soluções para melhorá-lo. Quanto ao compartilhamento das obras na rede, desde que o artista venha a aderir de forma voluntária, não vejo nenhum problema nisso. Cada um deve decidir o modo como quer tornar a sua obra disponível ao público. Esta é a minha opinião.

  20. Carlos Henrique Machado 31 de janeiro de 2011 Reply

    Leonardo

    Você insiste em tirar a legitimidade da participação popular e que as conferências que Lula e a sociedade tanto comemoraram, são plataformas de regulação do governo federal no pensamento coletivo.

    Você tenta empobrecer a qualidade das escolhas da sociedade, propondo uma ideologia democrática aonde a participação popular não serve por acreditar que ela se comporta como manada diante do discurso do mandatário da vez.

    Não é assim não Leonardo, e essa situação que resultou em um confronto entre Ana de Hollanda e a sociedade, com suas declarações e atos, você como autor de um pensamento exclusivo, enxerga essas reações absolutamente perceptíveis por todos, como uma produção de rancores globais de quem vive de ideologias de esquerda. Pior do que isso, Leonardo, você insiste em fragmentar o debate, dissociar elementos indissociáveis.

    Ana constrói uma tríplice lambança quando declara respeitar tratados insternacionais em nome do ECAD, e não é de agora, está no site de Antonio Grassi, repetido por ela em entrevista coletiva, ao mesmo tempo em que realiza uma cassação ao símbolo máximo da democracia cultural do governo Lula, a SID (Secretaria de Identidade e Diversidade) e, para completar, tira o Creative Commons da página do MinC, tudo sem explicar o que há de evolução positiva em tudo isso. Então, ela não só convence um pequeno númerode atores que se beneficiam desse processo, mas também cria a maior zica contemporânea do mundo cultural brasileiro.

    Com eu já disse, algumas manifestações, por questão protocolar liberam textos tentando contemporizar essa fissura, mas deixando claro que querem ver cumpridas as metas estabelecidas pela participação da sociedade com as conferências de cultura, aonde as reformas da Lei do Direito Autoral e da Lei Rouanet foram exaustivamente debatidas.

    Gostaria também de lembrar que a II Conferência Nacional de Cultura teve na abertura os discursos de Lula e Dilma não só prestigiando aquele momento histórico, mas comemorando a participação da sociedade no debate sobre a cultura brasileira.

    Pegar tudo isso e jogar limão conceitual para talhar todo um pensamento construído coletivamente, desculpa Leonardo, mas você está perdendo o seu tempo. Quanto mais esse tipo de defesa de que fomos marionetes nas mãos de Gil, Juca, Lula e Dilma, mais desandam as relações políticas da Ministra Ana de Hollanda não só com a sociedade, mas também com o restante dos ministérios, como deixa claro aqui em entrevista à Carta Maior, o deputado Paulo Teixeira, líder do PT na Câmara Federal. Já disponibilizado tambem como uma corrente no Blog do Luis Nassif.

    sss://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/paulo-teixeira-e-o-creative-commons

    Portanto Leonardo,não adianta tentar construir uma definição de pobreza do pensamento e do voto como você, reiteradas vezes, insiste em fazer.

    Espero que Ana não acredite nisso.

  21. DC 31 de janeiro de 2011 Reply

    Uma casa(a mais concreta das abstrações como disse Rubem Braga) nada mais é do que uma delimitação deliberada do nosso planeta Terra , feita por alguém a quem passamos chamar de proprietário e que nessa area pode construir , vender e alugar de acordo com a sua vontade. Costumamos chamar de crime qualquer tentativa de usar essa “propriedade ” sem autorização prévia do seu proprietário.
    (A não ser que vc leitor não se importe de chegar hoje em sua casa e nela encontrar um monte de pessoas que nunca viu em sua vida , deitadas em seu sofá, atacando a sua geladeira e chutando o seu cachorro, devemos concordar que uso indevido de uma propriedade alheia é crime e ponto final.)

    Uma música(uma das mais abstratas das abstrações) é uma elaboração criativa pessoal que se vale também da delimitação do conhecimento ( como a terra em que pisamos ou toda a música que ouvimos) , feita ex-clu-si-va-men-te por uma pessoa que possui essa aptidão ,o compositor, que passa ser no momento da elaboração, o proprietário desse bem.
    Penso que o compositor deve fazer com a sua composição o que bem pretende. Pode publicar, pode jogar no lixo sem ninguém conhecer, pode editar, pode SIM autorizar a sua utilização sem onus junto ao Ecad (eu já o fiz apenas assinando uma autorização muito simples) ou pode não autorizar .

    Penso que por tras do Creative Commons há muito mais interesses de grandes corporações ligadas a Internet que tem o objetivo de obter conteúdo gratuito e ganhar muito , mais muito dinheiro com isso. Não acho que os compositores devam pagar essa conta.Que tal empresas como Google destinarem uma porcentagem do faturamento para pagarem os fornecedores de conteúdo , dessa forma mantendo a acessibilidade gratuita a cultura sem onus para os criadores da mesma?

  22. gil lopes 31 de janeiro de 2011 Reply

    Boa DC

  23. Carlos Henrique Machado 31 de janeiro de 2011 Reply

    Autor não é um altar exclusivo de quem gravou um CD, DC.
    Essa sua visão é ecadiana!
    o ECAD tem trinta anos, a industria fonografica cem anos, mais a musica e consequentemente os autores são da idade da humanidade.
    Não queira clonar o pensamento do ECAD que massacra a imensa maioria dos autores dos compositores sem rosto na midia, para dar privilégio a meia dúzia de medalhões!

  24. Robson Santana 31 de janeiro de 2011 Reply

    Leonardo, que paciência você tem. O Carlos Henrique não está aqui para colaborar com nada. Ele só quer causar efeito, impor a sua visão retrógrada de mundo e depositar seu ódio recalcado em você, fazendo sempre interpretações erradas e maldosas sobre suas ideias, sempre ponderadas e compromissadas com os agentes do setor.

    E faz isso com todos as pessoas inteligentes que aparecem desavisadas no site. Basta sair um pouco do seu estreito campo dogmático que ele começa a dar porrada. Santa paciência…

    Não que eu concorde com tudo o que você publica, mas o seu compromisso e conhecimento de causa são incontestáveis. O melhor de tudo é que você provoca e faz pensar.

    Carlos Henrique, quer uma sugestão? Abra um blog só seu, um lugar mais adequado para depositar toda essa sua raiva. Xô inveja!

  25. fabricio kc 31 de janeiro de 2011 Reply

    1. MinC não é Ministério dos artistas, mas cim, da CULTURA!(o artsita compõe, junto a ooutros agentes e público em geral, o amplo universo da Cultura).

    2. em recente entrevista polêmica, Francis Ford Coppola disse: “quem disse que a arte custa dinheiro? E, portanto, quem disse que os artistas têm que ganhar dinheiro?” – para o debate, sugiro a leitura sss://www.gizmodo.com.br/conteudo/francis-ford-coppola-talvez-as-pessoas-que-baixem-filmes-estejam-certas/

    4. Não se deve incorrer no erro grave de confundir ‘direito autoral’ com ‘propriedade intelectual’ – o primeiro deve ser discutido, já o segundo traz em si uma ideia perigosa e absurda.

    3. Se uma indústria fala de roubo, pirataria ou propriedade intelectual, defende lucros. Mas quando é um artista quem fala, defende a censura.

    4. a Arte e a Cultuta nunca foram, nem jamais serão, dependentes de um organismo administrativo, como um Ministério. É importante desvincular a função ministerial do “destino” da cultura e da arte.

  26. JC Lobo 31 de janeiro de 2011 Reply

    Realmente Fabrício, essa idéia de criação artística enquanto propriedade é um equívoco sem tamanho. Embora tenha uma origem histórica, lá na revolução francesa, no auge do individualismo burguês, essa concepção foi consolidada desde então pela indústria, para atender aos seus próprios interesses. E os autores entraram nessa, permitiram que a sua criação se tornasse um objeto vendável, ao invés de gerador de um direito patrimonial subjetivo (é disso que se trata).O conceito de propriedade é o que escraviza o autor, não o contrário. De que adianta a posse do objeto, se o único meio de obter ganhos dele é alienando-o a um terceiro de forma que se perde a soberania sobre o próprio objeto? Enfim, esse é um debate longo…
    No mais, Cultura é muito mais que o fazer artístico, e não o contrário. É nessa sutil questão conceitual que o MINC está dando sinais de retrocesso.

  27. Joanne Mota 1 de fevereiro de 2011 Reply

    Prezado Leonardo,

    Chamo-me Joanne Mota e sou jornalista da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB, acompanho as discussões do Cultura e Mercado e elas sempre inspiraram meus textos, sejam eles profissionais, pessoais ou acadêmicos. Neste momento escrevo uma matéria sobre políticas culturais, mas precisamente sobre gestão Gil/Juca e a transição para Ana. Então, gostaria muito que participasse do debate na matéria. Seria possível encaminhar seu e-mail para que eu possa remeter alguns questionamentos? Grata pelo espaço e pelas análises que o Cultura e Mercado sempre nos oferece.

    Aguardo seu retorno,

    Joanne mota

  28. gil lopes 1 de fevereiro de 2011 Reply

    Como que o Carlos Henrique não colabora? Causar efeito é muito coisa, opinar pela sua visão dos acontecimentos é o mínimo que se espera de quem participa de um debate. O melhor de tudo é ter o Carlos Henrique entre nós aqui no Cultura e Mercado, é termos às vezes que engoli-lo. Lula também já foi o sapo barbudo e muita gente quis calá-lo. Essa história de querer calar o outro não dá certo. E quem tem mesmo paciência é o Carlos que gira num mundo diferente do que queria e ainda tem a generosidade de remar contra a corrente. Carlão, vc está de parabéns, e ainda faz um som de responsa…sem o Carlos aqui, francamente…fica menos.

  29. gil lopes 1 de fevereiro de 2011 Reply

    Carlão, não dá pra voltar pra enxada e o arado, o caminho industrial é mais produtivo e distribui riqueza, é mais democrático. Alarga, amplia. Portanto inventar uma visão ecadiana é forçar a barra. Já te disse e está aí, a música brasileira e a indústria fonográfica juntas, venceram. Foi melhor pra música brasileira e foi ótimo para a indústria. Essa parceria deu certo. O mundo sem o Ecad era um horror, vc é novinho não deve saber, mas era um horror, uma vergonha. O Ecad melhorou muito a vida de todo mundo. Mas se precisa auditoria, se tem ladrão, se há incorreções…pois bem, vivemos na democracia, vamos consertar. Acabar com tudo, com Ecad, com Lei Rouanet, torrar tudo…começar tudo de novo de outro jeito, francamente…o país, isso sim, o país quer equilíbrio, não quer fanfarronices e inseguranças, o país esgotou-se de porra louquices e conspirou pela estabilidade…e continua dando sinais disso. Isso sim Carlos. Portanto, é devagar, é devagarinho…é bolinha rente a relva…e a Ana está correta. É bom repetir, a Ana está correta.
    O que massacra o artista nacional não é absolutamente um ecad, mas a falta, a ausência, a carência, a anti política cultural do país expressa por exemplo na letra errada da lei de incentivo que abre espaço para o mesmo incentivo do conteúdo nacional e o conteúdo estrangeiro. Isso sim massacra…mas falar o ecad é mole né? Malhar quando Caetano ou Bethânia tem acesso a isenção a gente gosta né? Malhar quando Chico ganha prêmio a gente faz um auê…a gente somos inútil mesmo.

  30. Z@@ 1 de fevereiro de 2011 Reply

    O Leo está tão apaixonado pela Ministra que a pessoa Leo acaba perdendo o fio da meada e se esquece o que ele já defendeu, que hoje em dia simplesmente não adianta tentar restringir seu produto, ele será copiado-@-disponibilizado de qualquer maneira.

    O retrocesso mesmo é achar que o copyright é útil para alguma coisa, principalmente na internet. Quem lucra com a restriçao jamais é o compositor,o Carlos sabe disso.E o Leo tambem sabe mas parece não querer lembrar.

  31. Leonardo Brant 1 de fevereiro de 2011 Reply

    O importante é retomar a discussão, em vez de torná-la um braço de ferro permeado por ofensas pessoais. Vivemos num mundo de gestão de ideias, conformadas segundos interesses (legítimos ou ilegítimos) de grupos de poder. Fica difícil imaginar que alguém possa pensar livremente, sem se configurar como parte interessada. O pensamento se tornou um veículo de exercício desse poder e os debates se transformaram em máquinas de contrapropaganda.

    Eu tento fugir disso apresentando os vários lados da questão, quase sempre provocando a ira dos incautos. Mas também tenho minhas convicções, que são fruto da minha experiência, visão de mundo, referencial geográfico. Vejo as contribuições como complementos, como forma de dar luz às várias vertentes do pensamento, revelando inclusive os tais grupos de interesse e seus dogmas.

    Imagino, como Joost Smiers, um mundo sem copyright. Mas esse mundo utópico a economia e o mercado precisam ser totalmente ressignificados. E a função política da arte na sociedade também. São muitos os modelos de negócio que incluem processos criativos livres e esses modelos são cada vez mais viáveis.

    Eu vivo dos conteúdos que eu gero. Alguns eu disponibilizo gratuitamente, outros eu preciso cobrar para viver. O detentor do trabalho criativo precisa saber dosar e pensar estrategicamente onde e como inserir suas obras criativas, desenvolvendo novos modelos de negócio para viabilizar seu trabalho, o que está cada vez mais complexo. Isso eu defendo no trabalho de consultoria em desenvolvimento de negócios.

    Mas outros ainda dependem completamente do modelos vigente, e necessitam de sistemas de arrecadação fortalecidos, eficientes, porém democráticos, transparentes, o que é um desafio da nossa sociedade, sobretudo a partir das grandes transformações provocadas pela convergência digital.

    Henry Jenkins já dizia no livro Cultura da Convergência, que as novas configurações de negócio não serão como a grande mídia quer (proprietário), tampouco como previa Pierre Levy e vários outros teóricos sobre redes e Internet (livre). Será a convergência dos dois.

    Entrevistei o Gilles Lipovetsky ano passado em Madrid, para o Ctrl-V, e ele me disse exatamente a mesma coisa. Hollywood deve se fortalecer, com um mercado cada vez mais proprietário, baseado em franquias e licenciamento de marcas. Mas um outro nível de produção deve crescer, ocupar espaço e até mesmo migrar para o modelo proprietário.

    Em suma, precisaríamos de uma transformação tão profunda na sociedade capitalista para tornar a cultura realmente livre e desonerada da propriedade intelectual, que o mais provável é que haja uma superposição harmoniosa entre dois (ou mais) modelos distintos de produção, com e sem copyright. Aliás, o que já acontece.

    O que não considero saudável é a demonização e jogo de acusações de um e de outro. De um lado artistas usurários brigam por seu queijo, e de outro interesses internacionais escusos de grandes corporações financiando o movimento cultura livre. Isso não leva a nada. Precisamos pensar nas duas possibilidades concomitantes, não concorrentes.

    Abs, LB

  32. gil lopes 1 de fevereiro de 2011 Reply

    Talvez os exemplos tenham sido infelizes: artistas usurários? Então seria usura querer defender um direito? E de outro achar que interesses escusos de grandes corporações financiam o que pretendem chamar de cultura “livre”. Nem uma coisa nem outra. Não são interesses escusos, são legítimos. Chamar de usurários e escusos os atores do debate é ofender o debate, que é tudo que a gente prefere evitar.

  33. Leonardo Brant 1 de fevereiro de 2011 Reply

    O que eu quis dizer é que existe uma guerra suja no debate, que tenta desqualificar o artista, como se o seu interesse em ver seu trabalho remunerado não fosse legítimo. Por outro lado, há também um bombardeamento do Creative Commons, como se ele estivesse trabalhando para os seus financiadores e não para o interesse comum. Esse tipo de coisa depõe contra o debate, que pode ser muito mais rico, em torno das dimensões e efeitos do sistema livre e proprietário. Abs, LB

  34. gil lopes 1 de fevereiro de 2011 Reply

    Ninguém quer um mundo que não seja livre e todo mundo quer ser proprietário…a apropriação do termo liberdade por alguns é a grande novidade. Esse tal sistema “livre” que dizem por aí tem sido cruel para nós, já fazem 10 anos e o que se vê é a derrota total da música brasileira frente a música internacional que inclusive ocupa internamente os principais espaços e a midia de forma avassaladora. Não temos recursos nem investimento para fazer frente minimamente, a música brasileira está totalmente desmobilizada na sua capacidade de gerar riquezas. Esse é o tal mundo “livre”de compartilhamento, a baixaria total no ambiente nacional, a circulação pirata de arquivos de música impedindo qualquer avanço na geração de riquezas. Nem o Itunes chegou perto, nada. Distribuído pelo mundo, já no México, mas por aqui passa longe, o papo de internet livre deu nisso…interessa? O que ganhamos com isso? Criativo Comum pra lá e pra cá e o resultado disso? Miséria. A associação com a indústria da música foi vantajosa para a música brasileira, gozamos ainda de um prestígio construído com essa associação. Com a chegada da Nova Cultura embarcamos de mala e cuia nessa cantilena libertária fajuta que nos levou a lugar nenhum e conspira contra as instituições que ainda temos…mas aí, veio a ministra do Pt, a Ana, e parece que temos chances, uma nova chance de começar a mudar isso.

  35. JC Lobo 1 de fevereiro de 2011 Reply

    Esse é o debate. Existem diferentes modelos que podem conviver. Um, que é dominante, estabelecido pelo mercado. Porém esse “mercado” é pra poucos. Os bens intelectuais não são bens raros; são bem públicos e não rivais. O status de “propriedade” aferido a esses bens imateriais é o que permite a sua exploração econômica. Não dá pra negar que esse modelo tem sua validade, uma racionalidade que gera benefícios, etc. e tal. Assim nos dizem as clássicas teorias econômicas. Agora, como eu disse, isso é pra poucos. A maioria, tanto de consumidores quanto de produtores de bens culturais, é excluída. São mecanismos tão sutis quanto sórdidos: a regulação dos direitos autorais, o “jabaculê”, as regras de financiamento à cultura, etc. Quem se beneficia disso, é obvio, vai se opor a qualquer iniciativa que o ameaçe. E quem é excluído vai buscar caminhos e modelos alternativos viáveis. Alguns, se bem sucedidos, vão acabar sendo absorvidos pelo modelo dominante. É assim que funciona, sempre foi. A indústria da música não percebeu isso, perdeu o bonde. Agora corre atrás do prejuízo. Mas não dá pra colocar a culpa na “cultura livre”. Não se pode ceifar a possibilidade de emergência de novos modelos. Muito pelo contrário, isso deve ser estimulado. E as licenças alternativas ajudam nisso. Mal ou bem, esse era o caminho que estava sendo trilhado pelo MINC e que, pelo que deduzo das entrelinhas, vai ser discretamentente abandonado pela nova gestão (contrariando as diretrizes da Lei que aprovou o Plano Nacional de Cultura). Fica parecendo que tem um “modelo vencedor” (como disse um comentarista acima) que deve ser privilegiado. Nada menos “republicano” (pra usar uma palavra da moda).
    A Ana está errada, retruco eu, tá errada. Tirar a licença CC da forma como tirou foi uma “pirracinha” tola, incentivada (pelo que se fala no twiter) pelos seus amigos das associações ecadianas. Como se diz, quem anda com morcego dorme de cabeça pra baixo. Um desgaste desnecessário num começo de mandato. E que vai dar trabalho pra reverter.
    Sobre o ECAD, mais alguns comentários: no mundo da internet, a gestão coletiva dos direitos autorais será cada vez mais crucial para autores e artistas. Falar em “acabar com o ECAD” é uma ficção. Talvez, num cenário ainda longínquo no futuro, seja possível. Mas, falando do presente, que o modelo brasileiro do ECAD é perverso e inusitado, isso é. Comparativamente falando, claro, porque pelo mundo há “ecads” igualmente perversos. Quando cheguei em Granada, no banheiro de um bar vi um adesivo da EX-GAE (a SGAE é um ECAD da Espanha). É um grupo que quebra o maior pau com o “ecad espanhol” (sss://la-ex.net/ ). Foram obrigados a mudar de nome até, mas surtiu algum efeito. Recentemente os dirigentes da Sgae acenaram uma bandeira branca pra sociedade, pra qual eles tinham virado as costas por conta de seu corporativismo obtuso. Ainda que timidamente, baixaram um pouco a bola. Anunciaram um “decálogo” que inclui não patrocinar mais ações penais contra internautas, a oferta de serviços de ouvidoria pros usuários, a busca de maior transparência e ainda garantem que vão se submeter humildemente à fiscalização do Estado, inclusive da comissão de defesa da concorrência (sss://e-pesimo.blogspot.com/2011/01/dios-nos-libre-del-socialismo-y-de-la.html ). Coisa que os ecadianos daqui se arrepiam só de ouvir falar (sabe-se lá o que temem tanto).
    Outra coisa: a ministra da cultura da Espanha também tem a pecha de ser “do ecad” (…). E isso não é a toa. Ainda que simplista, expressa grosso modo uma visão: a que privilegia interesses corporativos em detrimento dos interesses do conjunto da sociedade. Mas os governantes são assim, às vezes.
    sss://www.elpais.com/articulo/cultura/cena/miedo/reunion/ministra/Sinde/elpepucul/20110112elpepucul_8/Tes
    Talvez precisemos de um “EXCAD” aqui…

  36. JC Lobo 1 de fevereiro de 2011 Reply

    Esse é o debate. Existem diferentes modelos que podem conviver. Um, que é dominante, estabelecido pelo mercado. Porém esse “mercado” é pra poucos. Os bens intelectuais não são bens raros; são bem públicos e não rivais. O status de “propriedade” aferido a esses bens imateriais é o que permite a sua exploração econômica. Não dá pra negar que esse modelo tem sua validade, uma racionalidade que gera benefícios, etc. e tal. Assim nos dizem as clássicas teorias econômicas. Agora, como eu disse, isso é pra poucos. A maioria, tanto de consumidores quanto de produtores de bens culturais, é excluída. São mecanismos tão sutis quanto sórdidos: a regulação dos direitos autorais, o “jabaculê”, as regras de financiamento à cultura, etc. Quem se beneficia disso, é obvio, vai se opor a qualquer iniciativa que o ameaçe. E quem é excluído vai buscar caminhos e modelos alternativos viáveis. Alguns, se bem sucedidos, vão acabar sendo absorvidos pelo modelo dominante. É assim que funciona, sempre foi. O que não se pode é ceifar a possibilidade de emergência de novos modelos. Muito pelo contrário, isso deve ser estimulado. E as licenças alternativas ajudam nisso. Mal ou bem, esse era o caminho que estava sendo trilhado pelo MINC e que, pelo que deduzo das entrelinhas, vai ser discretamentente abandonado pela nova gestão (contrariando as diretrizes da Lei que aprovou o Plano Nacional de Cultura). Fica parecendo que tem um “modelo vencedor” (como disse um comentarista acima) que deve ser privilegiado. Nada menos “republicano” (pra usar uma palavra da moda).
    A Ana está errada, insisto eu, errada. Tirar a licença CC da forma como tirou pareceu uma “pirracinha” tola, incentivada (pelo que se fala no twiter) pelos seus amigos das associações ecadianas. Como se diz, quem anda com morcego dorme de cabeça pra baixo. Um desgaste desnecessário num começo de mandato. E que vai dar trabalho pra reverter.
    Sobre o ECAD, mais alguns comentários: no mundo da internet, a gestão coletiva dos direitos autorais será cada vez mais crucial para autores e artistas. Falar em “acabar com o ECAD” é uma ficção. Talvez, num cenário ainda longínquo no futuro, seja possível. Mas, falando do presente, que o modelo brasileiro do ECAD é perverso e inusitado, isso é. Comparativamente falando, claro, porque pelo mundo há “ecads” igualmente perversos. Quando cheguei em Granada, no banheiro de um bar vi um adesivo da EX-GAE (a SGAE é um ECAD da Espanha). É um grupo que quebra o maior pau com o “ecad espanhol” (sss://la-ex.net/ ). Foram obrigados a mudar de nome até, mas surtiu algum efeito. Recentemente os dirigente s da Sgae acenaram uma bandeira branca pra sociedade, pra qual eles tinham virado as costas por conta de seu corporativismo obtuso. Ainda que timidamente, baixaram um pouco a bola. Anunciaram um “decálogo” que inclui não patrocinar mais ações penais contra internautas, a oferta de serviços de ouvidoria pros usuários, a busca de maior transparência e ainda garantem que vão se submeter humildemente à fiscalização do Estado, inclusive da comissão de defesa da concorrência (sss://e-pesimo.blogspot.com/2011/01/dios-nos-libre-del-socialismo-y-de-la.html ). Coisa que os dirigentes daqui se arrepiam só de ouvir falar (sabe-se lá o que temem tanto).
    Outra coisa: a ministra da cultura da Espanha também tem a pecha de ser “do ecad” de lá(…). E isso não é a toa. Ainda que simplista, expressa grosso modo uma visão: a que privilegia interesses corporativos em detrimento dos interesses do conjunto da sociedade. Mas os governantes são assim, às vezes.
    sss://www.elpais.com/articulo/cultura/cena/miedo/reunion/ministra/Sinde/elpepucul/20110112elpepucul_8/Tes
    Talvez precisemos de um “EXCAD” aqui…

  37. Robson Santana 2 de fevereiro de 2011 Reply

    Não posso deixar de comentar o Fabricio, logo acima. Eu já caí um dia nessa história de que o MinC é para o povo e não para a classe artística. Mas comecei a perceber, sobretudo a partir da leitura diária deste site, que o MinC conduzido por Gil até tentou chegar ao povo, mas o que fez foi gerar novas categorias (ou classes) de clientes para o MinC. O nosso saudoso Juca Ferreira o que fez foi aparelhar essa nova clientela e transformar a disputa pelo dinheiro disponível numa disputa de classes. De um lado artistas privilegiados que sempre mamaram nas tetas do governo. De outro, o “povo”, os “movimentos sociais”, mas sabemos que não passam de meia-dúzia de pessoas que receberam dinheiro do Juca por um tempo, para sustentar seu discurso revolucionário e sua campanha de sucessão ministerial, já que os artistas não o engoliam. Nesse meio conseguiu comprar alguns artistas como Neschling, além dos novos e dos velhos baianos.

  38. Leonardo Brant 2 de fevereiro de 2011 Reply

    Muito bom seu comentário JC. O mercado concentra e é mesmo para poucos. Qualquer mercado, isso é da natureza do capitalismo (eu não gosto, mas sou obrigado a viver nele). Mas vc levantou uma questão muito importante, aliás, levantada também por Copolla (comentário de Fabricio KC): precisamos de artistas profissionais? A sociedade é melhor ou pior sem eles? Ou está claro que o artista precisa viver à custa da família, do mecenas ou do Estado? E não precisamos mais indústria cultural?

    Vejo com muito bons olhos os próprios artistas abrindo mão dos seus direitos em nome da coletividade. Mas vejo isso acontecer com mais veemência por artistas que não vivem desse direito (aí, me desculpa, mas é fazer greve com o emprego dos outros), ou então gente como o Copolla ou o Gilberto Gil, simpatizantes da causa, mas não abrem seus direitos por nada nesse mundo (o Gil liberou uma única música via Creative Commons. Tetro, o último filme de Francis Ford, uma obra-prima por sinal, é 100% copyright. Vejo uma certa ironia em suas declarações…).

    Quanto ao ECAD, você tem toda razão. Devemos discutir, movimentar, apontar saídas para o sistema de arrecadação no país. Isso é uma luta legítima e que vale a pena.

    E só para colocar mais lenha na fogueira, saiba que a SGAE está constituída há um bom tempo no Brasil e representa alguns dos artistas brasileiros mais importantes, sobretudo no exterior. Isso tem causado a ira das sociedades de autor brasileiras, que perderam ganhos significativos.

    A França e a Espanha adotaram um caminho bem diferente do Brasil, com recrudecimento do controle e criminalização do download. A França quer dar crédito para a população de baixa renda consumir arte, mas não quer entregá-la de graça (uma espécie de Vale Cultura). Não sei se esta será a tendência do governo Dilma. Espero que não.

    Abs, LB

  39. Tito Gonzales 2 de fevereiro de 2011 Reply

    Oi Gil, realmente esse sistema “livre” tem sido cruel para nós, mas eu diria por nossa própria incompetência. Por que itunes não vende músicas no Brasil? porque estamos atrasados! as nossas leis não acompanham a evolução tecnológica e de acesso/democratização que tem acontecido em outros países, portanto não é só uma qestão de grana. Posso te garantir que músicos estão ganhando dinheiro distribuindo músicas free com CC e vendendo outras no Itunes e afins, além de potencializar seu trabalho fazendo mais shows e vendendo merchan entre outras ações. Mas esse universo não está próximo de nosso País, um País que perde tempo em defender ou condenar o ECAD, e leva essa discussão anos a fio, o que acho interessante no CC é justamente isso, é acabar com a balela, vc decide o que quer fazer e ponto.

  40. gil lopes 2 de fevereiro de 2011 Reply

    A emergência de novos modelos…mas onde estão esses modelos? Licença para o que é grátis? Obrigado…mas e o que não é grátis? O que produz emprego e riqueza, onde estão os modelos? Primeiro foram os shows, agora os artistas não precisariam mais comercializar fonogramas, vamos para os shows…onde? O mercado foi violentamente ocupado pelos que tem investimento, mercado e geração de riqueza. Virou um maná para importação de música internacional. Seria esse o modelo emergente? Depois foi aquela história de MySpace isso e aquilo, mas nada de moedas e mercado. Resultado, faliu o MySpace e com ele o modelo emergente de negócio. A emergência de novos modelos é o que se espera no mundo inteiro e o que vemos? Uma luta incessante contra a pirataria e a circulação de arquivos ilegais pela internet. Modelo de negócio? O único que observamos com sucesso é o Itunes, que nem aqui chegou tendo mais de 10 anos de existência. E olha que mercado de música nós temos, mas…temos que pensar nessas coisas.
    O que venceu, é indiscutível, foi a música brasileira, vanguarda cultural do Brasil.E venceu com um modelo de associação com grandes gravadoras internacionais. Venceu aqui e no exterior, tornou-se a única com expressão ao lado da anglo americana. Isso venceu. Temos ou devemos considerar isso também. Temos ficado abertos para as novas experiências, Criativo Comum aqui foi assunto de ministro e ainda é, temos democraticamente tentado todos os caminhos, mas o que temos de resultado? Pirataria total, desmobilização da música brasileira, isso não é pouco, isso não é para poucos. O sucesso da música brasileira no mundo apoiado pelo seu sucesso interno é do interesse de todos, deveria ser assunto muito sério diante dessa desmobilização absurda.
    A Ana está correta, é preciso repensar esse assunto.

  41. LN Rodrigues 2 de fevereiro de 2011 Reply

    Oi Leonardo,

    Gostei muito do texto pelo seu “discurso coerente”, “distanciamento” (conforme já comentaram) e principalmente, por permitir a nós leitores-pensadores o despertar para “a descida dos véus”. Parabéns!

    Compartilho link abaixo que contém um vídeo que considero interessantíssimo: um debate muito esclarecedor sobre o CC entre Ronaldo Lemos e Hildebrando Pontes ainda em 2006.

    sss://arakinmonteiro.wordpress.com/2011/01/21/debate-entre-ronaldo-lemos-e-hildebrando-pontes-31-10-2006-bh/

  42. Carlos Henrique Machado 2 de fevereiro de 2011 Reply

    Leonardo, a questão não está em concordar ou não em conviver com as regras do capitilismo selvagem etc. A questão está alguns tons acima, essa dicotomia é uma ordem estabelecida pelo capital “ou dá ou desce”. Em regra, a tábua de salvação para a sobrevivência não está nas engenhosas criações nutridas pela agenda vulgar criacionista, divino e profano. Dentro desta regra, somos todos pagãos. O mercado por sua produção de divindades já estabeleceu o estatuto através de lendas e realidades editadas pelos sacrossantos papas do neoliberalismo.

    Podemos não usar a tábua para salvação, mas sim como um trampolim na tentativa de sair do mosteiro dos exclusivos. Na verdade, Leonardo, isso é a crise do próprio capitalismo.

    Há, como bem colocou JC Lobo, uma realidade inversa frente ao discurso de que a nossa única saída é a passividade. O que eu sempre questiono são as suas reações, Leonardo, a esse respeito. Desculpe se eu estiver errado, mas você, pelo que entendo, enxerga o mundo contemporâneo, mesmo as interpretações multidisciplinares como um mundo sem história e um capitalismo sem limites; por outro lado, o Estado é, por regra em sua concepção, incapaz de regular uma outra realidade. Neste caso, você passa a ter tanto medo da tirania do dinheiro que entrega os dedos, os aneis sem sequer tentar construir outra mensagem de esperança.

    O que tem me deixado bastante preocupado são as declarações favoráveis ao ECAD como adoção de um perfilamento político, e é bom que se diga, não com o governo Dilma, mas tão somente com a visão de Ana de Hollanda. E aí, de maneira pouco cartesiana, a sentença do indiscutível e inelutável cria um reino fixo sem a possibilidade de um contraponto.

    Eu que tenho relações estreitas com as fronteiras ecadianas, ou seja, sou o calo desse sapato apertado, não consigo me imaginar em um só segundo otimista com o monopólio que a turma do “fazer o quê?” tenta emplacar no território da cultura.

    JC está correto. Ana está se desgastando bestamente por tentar impor “sozinha” uma força normativa em cada território da cultura e escolheu o mercado para lhe dar de alguma forma infraestrutura de privilégios. Ela ainda acredita na eficácia de que gestão é um exercício de escolhas bem aos moldes do capitalismo de âmbito planetário. Assim pode acentuar a violência desse modelo usando o Estado nacional para justificar a busca por uma economia internacional. Nada mais falacioso. Se sua política não tem força suficiente para construir uma contrapartida interna, regida pela influência dos ditos fatores do mercado, essa instituição que não consegue fazer sucesso no universo nativo, como quer instalar o “processo técnico” seguindo a cartilha das instituições supra-nacionais?

    O que temos no episódio do ECAD e CC é uma violenta e acentuada porosidade das fronteiras. Neste caso, segundo essa cartilha, só nos resta entrar na categoria das metamorfoses para alçar voo e chegar à cultura da produção industrial de arte, seguindo a nossa falta de competência e de recursos para mudar uma realidade imposta pelas leis e costumes do neoliberalismo.

    Nada mais desolador do que o seu discurso, Leonardo. A função do comercio e do mercado, então, é mais nefasta do que você sugere dentro do nosso tempo. Ela censura no útero qualquer embrião contrário às manifestações de sonhos de liberdade. É mesmo como disse Paulo Freire, “é a pedagogia dos fatalistas”.

  43. gil lopes 2 de fevereiro de 2011 Reply

    Tito, não quero me alongar, acho que estou me repetindo e a mensagem que tinha, já dei. Penso que o Itunes não vem por que isso aqui é um mar de pirataria, não dá pra competir com o que é grátis. É mesmo culpa nossa, nem avançamos na legislação nem coibimos a pirataria, ficamos pela “internet livre” e CC. Cada um por si. Esse sim é o modelo de poucos, sua experiência demonstra que poucos, alguns, muito poucos, tem consigo sobreviver nesse ambiente. Mas o que vemos? Qual a força de reprodução, as novidades, cadê a música brasileira? Onde estão os investimentos? Não há nada, um deserto, e vem um mundo melhor por aí, com isenção e tudo mais, esse tem sido nosso modelo importador de tudo. A música brasileira tem sido derrotada internamente por esse modelo. Embrião…onde está esse embrião? 10 anos é pouco?
    apesar de tudo, com tudo isso…é lindo o samba que a Maria Rita canta na abertura da novela da Globo, que coisa linda…e é muito lindo ouvir os acordes de “Que País é Esse” na mesma novela. É um dramalhão terrível, mas a trilha nacional é excelente.
    Tem muito chão pela frente, mas o “movimento simbólico” está correto. Tomara…

  44. Leonardo Brant 2 de fevereiro de 2011 Reply

    Carlos, o capitalismo persiste, mesmo com a crise. Não vamos esquecer que o remédio para o país não sucumbir a ela: “consumam”. O Estado não se omitiu, agiu rápido: liberou crédito e cedeu impostos. Lula estava errado? Acredito que não. Isso faz dele um capitalista desenfreado? Tb não. Apenas estávamos num beco sem saída, muito parecido com o do artista no mundo contemporâneo.

    É verdade que eu faço uma defesa desmedida da importância do mercado para o artista e o gestor cultural. Mas essa batalha não chega perto da cobrança por responsabilidade do Estado em relação aos preceitos e mandamentos da constituição. Ou seja, ao defender o mercado, em nenhum momento eu defenso a retirada do Estado. Muito pelo contrário. Onde tem mercado forte o Estado precisa estar presente.

    Acho que o Brasil não tem nenhum dos dois. Por isso vou continuar aqui batalhando, mesmo que vc não concorde ou se sinta, por algum motivo, ofendido, com as minhas posições e provocações.

    Abs, LB

  45. Cláudio Lins de Vasconcelos 2 de fevereiro de 2011 Reply

    Léo,

    Em primeiro lugar, parabéns pela sobriedade do texto. E também pela coragem de expor um ponto de vista que, se lhe roubou uma noite de sono, certamente ajudou seus muitos leitores a refletir sobre o futuro da produção cultural em um momento histórico em que negar valor econômico ao trabalho intelectual – e apenas ao trabalho intelectual – virou moda. Mesmo entre os que vivem (ou viviam) de arte e cultura.

    Claro que estamos falando da produção cultural profissional, aquela que se remunera com base no valor intrínseco que o ouvinte/espectador/leitor confere à obra, independentemente de “esmolas” voluntárias, favores do Estado ou venda de bugigangas. E isso pode acontecer em um bar da Vila Madalena, em um atelier de Santa Tereza ou em um estúdio de Hollywood. Ser profissional não quer dizer ser rico, poderoso ou americano. Quer dizer apenas que o sujeito vive disso e que seu tempo e dinheiro não são capim.

    O bem cultural é essencial, mas não surge do nada, sem que alguém se disponha a investir recursos em sua viabilização. Recursos que, diga-se de passagem, poderiam ser investidos em qualquer outra coisa. É por isso que, embora seja não-rival, o bem cultural é também um bem escasso. A cópia pode até não ser escassa, ainda menos se for digital. Mas o original continua tão escasso como sempre foi. E o direito autoral incidente sobre a cópia, analógica ou digital, serve para remunerar não aquela cópia, mas o investimento na produção do primeiro exemplar.

    O que muita gente não percebe, é que quando uma obra é “liberada”, alguém está pagando a conta. Pode ser o produtor, um patrocinador ou o próprio autor. E estão todos livres – sempre estiveram – para fazê-lo. Daí a conclusão da ministra Ana de Hollanda – correta – de que o uso do modelo de licenciamento do Creative Commons era juridicamente desnecessário e poderia ser substituído por uma simples nota no pé da página.

    Não que o CC seja um bicho papão. O que me incomoda no “movimento” – e que deveria incomodar a todos que se dedicam a estudar o assunto com profundidade – é o relativismo de seu discurso, que usa um verniz revolucionário para defender uma ideia que, em sua substância, é banal. Sua proposição básica acata – e não contrapõe – o princípio fundamental do sistema a que parece se opor: o direito exclusivo do titular em permitir, com ou sem condições, o uso de criação de sua propriedade.

    Em outras palavras, o CC não questiona os conceitos essenciais da propriedade intelectual – “titularidade”, “exclusividade”, “propriedade” –, mas apenas sugere um procedimento de ordem prática (postagem na Internet de contrato aberto simples) e, em seu nível mais profundo, algumas reformas. Parece pouco para conferir ao CC ou a seu movimento-mãe, o “copyleft”, qualquer caráter revolucionário, ou mesmo excepcional.

    O trocadilho “copyleft” tende a sugerir “o oposto de copyright” e certamente é isso que pensam muitos leigos. Trocadilhos ficam bem em “slogans”, mas são inadequados para o discurso jurídico. Se há uma coisa que ninguém precisa em um debate como este – marcado pela desinformação – é de conceitos que parecem significar uma coisa quando na verdade significam outra. Prefiro que digam: permito porque a lei permite que eu permita. Ponto final.

    Forte abraço,

    Cláudio Lins de Vasconcelos

  46. Carlos Henrique Machado 2 de fevereiro de 2011 Reply

    Sucunbir a especulação neoliberal e selvagem Leonardo?
    Não queira tranformar o algoz em vitima.
    Leia esta meteria do Carta Maior.
    Manifesto de economistas defende controle de capital
    sss://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17354

  47. Allan 3 de fevereiro de 2011 Reply

    Caro Leonardo,

    Não sou fã de comentar em sites, mas esta é uma questão muito séria para ser ignorada.

    Vc infomra em seu artigo que “Fontes do governo relatam que o projeto foi encaminhado ao Palácio do Planalto sem considerar as contribuições da consulta pública, trabalho que ficará a cargo da nova Ministra.”

    Posso te garantir que isso é pura contra-informação plantada pelos que querem manter a situação de controle cultural (pelo ECAD, ABDR e equivalentes mais ou menos óbvios) na qual, quero crer que de boa-fé, você caiu e divulgou.

    No final de dezembro passado, estive na Casa Civil, visitando um amigo que lá trabalha(va), com o propósito de verificar in loco o propalado envio do projeto reformulado, e lhe asseguro que um projeto bem diferente do que fora para a consulta pública fora enviado oficialmente pelo MINC – embora não necessariamente melhor (do ponto de vista do equilíbrio entre os interesses privados e públicos inerentes à proteção autoral), mas seguindo a linha de consideração do direito fundamental de acesso à cultura como integrante da proteção às expressões artísticas (feita via Direito Autoral), supervisão da gestão coletiva (ECAD) e abertura explícita ao sistema jurídico mais amplo (Constituição, Código Civil, e Direitos Econômicos e etc.

    Repito: o texto que foi para a casa civil é outro texto, não o que foi para consulta. Tendo sido portanto modificado por ela.

    Por razões políticas óbvias, não pude ter uma cópia nem para mim nem para divulgar. Mas por alguns comentários que tenho visto estou convencido (mas sem provas cabais) de que o novo MinC já repassou aos representantes do ECAD o texto.

    Só não o fez para a sociedade civil, que é quem tem mais a perder com esta obscuridade.

    Que tal se suas altas fontes do MinC divulgarem de fato o projeto que chegou na casa civil ao invés de tentarem fingir que não existe?

    Abraços,

  48. JC Lobo 3 de fevereiro de 2011 Reply

    Um ótimo debate esse aqui. O Claudio colocou coisas bem interessantes. Como se diz por aí, não existe almoço de graça. O bem cultural tem um custo. E quem investiu nele quer o seu retorno. Até aí tudo bem. Só discordo que o bem cultural seja escasso. Não é. Essa escassez é falsa, é construída artificialmente por perversos e sutis mecanismos, que citei acima. Vejamos o caso da música. As “big four” lançam menos de uma centena de produtos ao ano (caso da música brasileira). Os selos “independentes” lançam quase mil. Se alguém quiser julgar o mérito, que não é o caso, tem lixo e talento pra todos os gostos. Só que o independente não tem como dar visibilidade de seu produto no mercado. Qual o problema se ele usar uma licença creative commons? O modelo bem sucedido da indústria, que agora anda meio raquítico, quer que os que não foram convidados pra festa não possam nem fazer seu churrasquinho na laje? Não adianta colocar a culpa no P2P, na internet, no escambau. A tecnologia quebrou um certo modus operandi da indústria, ela é que tem de se adaptar. Mas nunca oprimindo quem não tem assento nela. Continuo acreditando que o que causa rejeição às licenças creative commons é a ameaça de concorrência que ela trás a um certo tipo de monopólio. Como bem disse o Cláudio, as CC não tem nada de revolucionário. São apenas uma ferramenta altamente amigável. O grau de passionalidade que envolve essa discussão só atrapalha (além das risíveis “teorias da conspiração” que a acompanham). A própria ministra entrou nesse engodo e se desgastou, infantilmente.

  49. Leonardo Brant 4 de fevereiro de 2011 Reply

    Obrigado Claudio (saudações atleticanas!), Allan, JC. Excelente debate!

    Uma greve de fome coletiva de artistas ajudaria a reinventar a indústria cultural, a economia e o capitalismo como um todo? Pode ser, e é mais ou menos isso que o que está acontecendo. Mas estamos realmente refundando o capitalismo, ou apenas lutando contra moinhos de vento? O tempo irá dizer. O tamanho da adesão do movimento e a capacidade de recuperação da indústria são determinantes para o desfecho desse processo. E o caminho é o processo de regulação da propriedade intelecutal, em curso em diversos países e também no Brasil.

    Eu gostaria de apontar uma tendência para uma flexibilização da propriedade intelectual, com mecanismos de compensação aos autores, a ponto de incentivá-los a criar e continuar criando.

    O que venho observando, no entanto, é uma tendência à manutenção do status quo, com os recentes processos de regulação na França e na Espanha, por exemplo. A ONU prepara o ACTA, um acordo mundial sobre propriedade intelecutal, que busca conter a sangria causada pela “pirataria eletrônica”. Ou seja, estamos falando em interesses financeiros de grande monta, que afetam a espinha dorsal do capitalismo global, a base da economia dos países mais ricos.

    A internet permite o surgimento de novos modelos de negócio, encurtando o caminho do artista ao seu público. A indústria, intermediária, perde força. E o artista pode ganhar uma potência exraordinária se souber utilizar as ferramentas certas a seu favor. Este caminho é o mais interessante para os criadores, mas ele precisa ser sustentável, gerar recursos para o artista continuar criando. Um grande desafio, que precisa de propostas ousadas tanto dos artistas quanto dos governos.

    ++++++++++++++++++++

    Allan, eu não sei se o PL foi ou não alterado, tampouco quem está manipulando informação. Apenas sei que o processo foi muito pouco transparente. E é por isso que devemos lutar: transparência, compromisso público, participação de todos os atores da sociedade interessados no assunto. Por uma questão de democracia.

    Abs, LB

  50. Daniel 4 de fevereiro de 2011 Reply

    Caro Leo Brant,a respeito do seu comentário: “Allan, eu não sei se o PL foi ou não alterado, tampouco quem está manipulando informação. Apenas sei que o processo foi muito pouco transparente. E é por isso que devemos lutar: transparência, compromisso público, participação de todos os atores da sociedade interessados no assunto. Por uma questão de democracia.”

    Estou acompanhando todo este debate e procurando (como sempre faço), me colocar no lugar do outro pra poder entender outros pontos de vista (o que não impede que eu tenha o meu. Ao contrário, é assim que o formo).

    Mas sabendo de antemão que sua pessoa é iminência parda nos debates e movimentações da cultura brasileira só posso creditar a má fé essa afirmação (uma vez que acho improvável que as informações abaixo não sejam de seu prévio conhecimento).

    Isso porque o processo de consulta pública da LDA faz parte de um processo que foi chamado de “consulta pública 2.0″, justamente por permitir transparência inédita em consultas públicas. Tanto o texto quanto as contribuições (assim como a identificação de quem contribuiu), ficaram abertas a consulta de todos os interessados, parágrafo por parágrafo, desde o primeiro dia. Pela primeira vez o cidadão comum pôde ver em tempo real o andamento das contribuições, qualificar e quantificar as mesmas ainda que com “o bonde andando” e desta forma (dentro do espírito de remix da cultura digital), conhecendo as mais diversas opiniões, formar sua própria contribuição com maior propriedade.

    O que dizer de processos de consulta pública “1.0” em que as contribuições são enviadas por e-mail ou cartinha que ninguém vê, não se sabe quantas e nem o que dizem?

    Esta é apenas uma das contribuições da Cultura Digital do MinC, que desenvolveu a plataforma que hospedou a consulta (sss://culturadigital.br), assim como o plugin dialogue, grande responsável pela revolucionária transparência em consultas públicas.

    Em tempo, a consulta do marco civil da internet foi conduzida em parceria entre a Coordenação de Cultura Digital do MinC e o Ministério da Justiça e utilizou da mesma tecnologia inovadora.

    Francamente, falta de transparência?!?!?!?

  51. Leonardo Brant 4 de fevereiro de 2011 Reply

    Você tem toda razão Daniel. O mecanismo de consulta pública foi realmente muito transparente e inédito. Um grande avanço em relação à consulta da Lei Rouanet, por exemplo, uma névoa densa e obscura.

    Mas isso garantiu a transparência apenas durante o tempo que o PL ficou no ar. O que veio antes e o que se transformou depois está sob os escombros de uma administração muito suspeita, que jogou tudo em torno de uma campanha política por manutenção de poder.

    Não conheço as motivações e os interesses por trás do projeto de reforma. Tampouco os movimentos do ministro logo após o encerramento da consulta. Mas tenho elementos de sobra para suspeitar de negociações às escuras, como se tornou praxe no tempo que Juca ficou no poder.

    Por outro lado, não tenho qualquer motivo para desconfiar da atual gestão como um todo e dos meus interlocutores, em especial. Mas posso estar enganado em relação a ela, admito. Por enquanto não há nada que desabone ou que a coloque sob dúvida.

    Abs, LB

  52. Carlos Henrique Machado 4 de fevereiro de 2011 Reply

    Querido Leonardo
    Concordamos e discordamos em alguns pontos. Tento escrever sempre aqui a partir de uma consciência, digamos, cósmica da política cultural para chegar a uma síntese que não é jornalística e nem técnica. Suas críticas, em alguns momentos, fortes, violentas, brutais e perdidamente passionais a Juca Ferreira sob o ponto de vista do que representam os seus pensamentos, fazem, a meu ver, uma fusão de destinos políticos que consideram imprescindível que o maior opositor à cultura do Brasil é o esquerdismo renitente como uma grande praga inglória no governo Lula.

    Pelo que entendo você trabalha contra essa imortalidade já que é incontestável que você elegeu Ana de Hollanda como uma espécie de Rainha em defesa de determinados pontos que se opõem segundo suas já famosas interpretações, ao stalinismo da administração anterior. Portanto, todas as vezes que importo suas inspirações, o faço não para desandar a sua regência como se eu fosse um spala a perseguir o arranjador, nas minhas análises deixo que cantem os seus rios, seus mares para que eu possa efetivamente fazer a minha análise não importando se as palavras são mais ou menos solidárias, um contraponto ao seu pensamento.

    Numa coisa eu concordo com você, seja na festa ou na guerra, toda essa questão tem uma cronologia política, sobretudo partidária, mesmo sabendo que você não concorda com esse meu ponto de vista. Mas insisto, é sim uma questão de doutrina e, por isso os conflitos aqui, individuais às vezes entre nós, refletem os conflitos entre o PT e o PSDB/Dem.

    Não sei da utilidade disso para um debate de cultura, mas imagino que seja a melhor forma de demonstrar que você está correto quando busca fazer o desenho político do processo, tanto que utiliza um mecanismo muito comum dentro da linguagem da especulação, que não foi outra prática que não a da oposição ao Lula nesses últimos oito anos. E nessa especulação, você se lembra Leonardo? Tivemos várias linguagens como demonstrativo das ciladas conceituais que a oposição tentou logicamente junto com a mídia, digamos, faturar politicamente nas costas de Lula e, consequentemente do PT.

    A sorte de Lula é que a oposição viveu de uma espécie de agrupamento de catarses que, de tão forte, transfigurou a influência oposicionista e, portanto, a missa do galo não aconteceu para Serra. Acho importante essa sensibilidade política e aceito a sua imaginação quando especula em torno da transparência ou não da gestão Juca.

    Mas peço-lhe carinhosamente para que, quando você fizer a roda do bonde guinchar, não conserve a mentalidade de que o meu pio contrário ao seu seja uma clarineta obrigatória a uma perseguição a você. Gosto de discutir a natureza dos episódios, portanto, estou sempre discutindo seus ensaios, suas declarações e sua presteza em demonizar, sempre que pode, com uma dose política bastante acentuada, Juca Ferreira como se ele fosse o crepúsculo de um cataclismo. Logicamente nesse momento, tentando construir uma consciência coletiva de que toda a sua filosofia é também a de Ana de Hollanda. Sua finalidade pragmática é fortalecer um outro sentido que não o adotado por Gil e Juca. Não acho que isso seja egoísmo, encaro com naturalidade, mas creio, sinceramente, que você abre uma perspectiva para que eu e tantos outros nos sintamos obrigados a rebater cada nota do seu mesmo repertório político que está em cena desde que surgiu aquele artigo aqui postado, “O Estado contra a Lei Rouanet”, inaugurado coincidentemente por um anônimo de um codinome de Chico Buarque (Julinho da Adelaide) e onde o mito profano de Juca Ferreira transformou-se num concerto que não cessou até os dias de hoje.
    sss://www.culturaemercado.com.br/noticias/o-estado-contra-a-lei-rouanet/

    Portanto, não quero gratuitamente divergir de suas posições sempre políticas e, muito menos colocar-me na posição de um predestinado útil à humanidade caso discorde de suas posições políticas. Mas sinceramente, vou tentar, com a imensa dificuldade que tenho para me fazer entender, buscar dentro dos meus limites um pensamento político, pedagógico e, sobretudo constante, na contramão de suas interpretações. E aí, não tirando os seus méritos, afirmo que em meio a uma discussão técnica que na realidade é política, você volta a tocar os prelúdios com afirmações especulativas. E eu, na minha devotada missão, sinto-me obrigado a dizer que esse seu repertório está sendo executado, ditado, sobretudo por seu compromisso com a manutenção da Lei Rouanet a ao menos uns três anos.

    Não quero com isso, Leonardo, instalar um patrulhamento, não entenda dessa forma, até porque gosto da total liberdade do debate político, por isso jamais imagine que quero aplicar uma extrema unção em seus argumentos, muito pelo contrário, acho pertinente que as pessoas todas entendam que bem escondidinho na alma de suas interpretações políticas, há uma ideologia focada exclusivamente em fortalecer Ana de Hollanda para, depois, fortalecer a missão principal, a de não deixar que as reformas da Lei Rouanet caminhem, e, portanto, imagino que sua defesa à retirada do Creative Commons é apenas um acorde de passagem, sua nota quer mesmo repousar na tônica majoritária do destino de suas posições políticas, que é a defesa, melhor dizendo, a mácula da Lei Rouanet que faz girar a roda da cultura corporativa do Brasil.

  53. Allan 7 de fevereiro de 2011 Reply

    Leonardo,

    A consulta – que foi democrática e transparente – acabou no fim de agosto e o projeto revisto foi em dezembro para a Casa Civil, já alterado pelas contribuições e debate resultantes da consulta.

    Entre o fim da consulta e o envio do projeto revisado foram três meses apenas (set, out e nov)para discussão interna do governo e encontros complementares com os atores do processo. Sem dúvida estes encontros complementares foram feitos reservadamente e teria sido ótimo se fossem públicos.

    Independente dos fins e práticas corriqueira, esta é a norma de todos e quaisquer governos – vide a necessidade da emergência de um wikileaks.

    Neste aspecto, e no que se refere aos direitos autorais, o contraste sobre publicidade das políticas públicas entre o antigo e o novo MinC é contudo brutal.

    Basta ver a tentativa de fazer apagar o resultado oficial da consulta concretizado no anteprojeto enviado à Casa Civil em dezembro (implícito na sua colocação inicial).

    A submissão aos interesses exclusivamente privados da indústria cultural transparece nas falas da Ministra – que acredita entender de direitos autorais a partir de seu mundnho de cultura (com a qual cresceu e que vê como cultura legítima), e, para me ater ao anteprojeto pós consulta de revisão da LDA, veja as palavras da Rosely Boschini, da Câmara brasileira do Livro, em um artigo intitulado “Lúcida decisão sobre a lei do direito autoral(sic)”

    “É bem-vinda a intenção da ministra da Cultura, Ana de Hollanda, de rever o anteprojeto de emenda à Lei de Direitos Autorais (nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998), antes de o encaminhar ao Congresso Nacional. Afinal, a despeito das várias audiências públicas, em distintas cidades, e do encaminhamento de aproximadamente oito mil sugestões, mantiveram-se na polêmica proposta aspectos negativos diagnosticados pelo mercado, intelectuais, escritores e juristas. Ficou a frustrante sensação de que a palavra de todos esses interlocutores não foi auscultada na busca de um consenso, ao qual, portanto, não se chegou. Assim, será muito pertinente analisar de modo mais profundo essa rica contribuição para o aperfeiçoamento da propositura.”

    Isso não só significa que ela teve acesso privilegiado ao texto enviado à Casa Civil – e a sociedade não, como que o objetivo do novo MinC é do de privilegiar os donos da indústria – já mais que representados na atual LDA – e desmerecer o que fora democraticamente construído no debate público que fundamentou o projeto.

    Na suposta defesa dos autores, o Novo MinC esconde – como o ECAD o faz – os reais interesses que defende, e, na promoção da fantasia jurídica de que os direitos autorais são ou devem ser ilimitados, dilcera o interesse público (muitos sustendados nos direitos fundamentais como acesso à cultura, educação, consumidor, etc) que deve ser equitativamente representado na regulamentação dos direitos autorais.

    Este MinC é um ministério capturado em seus discursos e ações pelos grandes interessados privados e seus os artistas ventrílogos.

    Já mostrou a que veio, e é, no mínimo: (a) autoritário e excludente (veja como mostrou o anteprojeto apenas para amigos); (b)tecnicamente incompetente para tratar da questão (ao comentar os direitos autorais só tem falado besteira, que contribui para ainda maior desinformação); (c) quer, ao sustentar uma visão de um direito autoral sagrado, atirar o direito de acesso à cultura de volta para o limbo(que pela primeira vez, durante o tempo Gil-Juca, foi de lá tirado), ofendendo a própria diretriz do Governo em matéria cultural que põe como meta “democratizar o acesso aos bens culturais”; e mentiroso, pois afirma não haver um anteprojeto que sabidamente sabem que existe.

    Ora, esta democratização dos bens culturais não se faz pelo mercado, que busca a exclusividade plena para o lucro máximo (independente dos danos sociais que pode causar), mas pela revitalização das limitações aos direitos autorais, cujo único limite de fato é que estes usos não sejam nem comerciais nem concorrenciais (é só estudar as decisões da OMC, principalmente EU vs USA).

    Se o Novo MinC quer mesmo se mostrar, ao menos um pouco, minimamente democrático, deve disponibilizar o anteprojeto da Casa Civil a todos, e não só aos amigos, para que estes, aí sim, de portas fechadas, na surdina, possam definir o que querem que ou não que mude…

    Por tudo isso, Leonardo, acho que chegou a hora de revisar seus conceitos sobre o novo Minc…

    Abraços,

  54. Leonardo Brant 7 de fevereiro de 2011 Reply

    Concordo Allan. É fundamental haver um amplo diálogo com a sociedade sobre o PL. Pra mim este diálogo nunca houve. Na minha avaliação o processo foi viciado, dirigido por um único lado e uma forma de entender o direito de autor. É só observar o volume de insatisfeitos com o processo no meio artístico. Os artistas associados às sociedades de autor não só foram alijados do processo como foram publicamente linchados pelo ocupante do Ministério da Cultura. Essa postura precisa ser revista urgentemente. Não estou aqui para defender as sociedades, tampouco o ECAD, mas não posso concordar em alterar uma lei sem consultar e conversar com seus maiores afetados.

    Estamos falando de associações legítimas constituídas há décadas. Organizações recém criadas para dar volume a um movimento que não existia há 5 anos ganharam um nível de interlocução com o governo extraordinário, o que em si já é preocupante. Se levarmos em conta que esses movimentos foram financiados e turbinados pelo próprio governante, a coisa fica mais complicada ainda. São elementos do nosso processo democrático que precisam ser revistos. A própria consulta pública, que é uma ferramenta interessante, fica comprometida diante desse cenário.

    Mas não estou falando de trilhar o caminho oposto. Considero todos os lados legítimos e não estou aqui querendo diminuir a importância e a legitimidade da cultura digital. Muito pelo contrário. Precisamos equilibrar a balança. Vejo na postura da Ministra um movimento neste sentido. Mas posso estar enganado, ela pode estar querendo “dar o troco”, o que seria infantil e pouco produtivo. Vamos observar os próximos movimentos para compreender melhor as perspectivas de futuro.

    E vamos continar discutindo este assunto, que é de extrema importância para a sustentabilidade dos artistas e para a garantia dos direitos culturais dos cidadãos.

    Abs, LB

  55. Carlos Henrique Machado 7 de fevereiro de 2011 Reply

    Seja como for Leonardo, você acha que nunca houve diálogo com a sociedade, mas o território de Ana de Hollanda está cada vez mais minado politicamente, como escrevi no texto que lhe enviei. Ela entrou num jogo perigoso para fazer uma nova história da cultura dentro do território do dinheiro. Os movimentos contra as ações dela que começaram contidos, tornam-se representativos para os setores majoritários do PT. Ana está sendo cobrada pela militância diretamente aos grandes quadros do PT. O sentimento de revolta com o autismo dela em relação a todo o processo só aumenta. Os blogs progressistas não param de falar em retrocesso gritante, falando inclusive no emagrecimento da base de apoio politico do PT que foi fundamental para levar Dilma à presidência.

    Hoje há por parte da sociedade um novo entendimento sobre a imagem do MinC cada vez mais negativa e, rapidamente uma numerosa e diversa teia de críticas de diferentes camadas sociais e correntes políticas reclama explicação sobre suas atitudes arbitrárias. Para alguns Ana já caiu, é somente uma questão de tempo. Mesmo os que estão sempre de prontidão para contemporizar as crises, começam a abandonar o barco frente à descoberta da realidade de que ela joga o MinC nas mãos do mercado. Deste modo o MinC se bandeia para o lado mais abastado e esses que tentavam individualmente defendê-la já não fazem mais força no sentido da negociação de um tempo maior para a ministra. O movimento contrário a ela se repete todos os dias enriquecido de pareceres intelectuais. A solidariedade a ela está se perdendo no emaranhado de contradições, e as ondas contra a sua canoa só aumentam.

    Não há buscas políticas compensatórias que lhe devolvam a credibilidade. Está viva nas cabeças da grande maioria que ela traiu o grande projeto erguido por Lula e saudado pela sociedade.

  56. gil lopes 8 de fevereiro de 2011 Reply

    Mas olha…francamente…era só o que faltava. O governo nem começou e já tem gente …caindo? sendo derrubada?…nem república das bananas. Não creio.
    Primeiro que seria no mínimo uma deselegância tratar um Buarque de Holanda dessa maneira. Falar em cultura e não respeitar a história e a tradição é grosseiro. Segundo que seria uma demonstração ridícula no trato da coisa pública, vindo de Dilma? Isso sim seria ferir os conseguimentos sociais desses anos de democracia.
    Olha, essa politicagem rasteira, de esquina, realmente não interessa a ninguém, sobretudo porque pouco importa na verdade se Juca ou Ana, ou quem quer que seja…com todo respeito às brilhantes biografias de ambos diga-se de passagem, e com todo louvor pelo que fizeram ou gostariam de ter feito, o que interessa de fato são as questões que envolvem a nossa cultura e o nosso movimento rumo ao desenvolvimento e ao futuro. Ao Ministro a gente dá as boas vindas e deixa ele trabalhar, as grandes linhas estratégicas na democracia requerem Congresso e nenhum Ministro está acima do Congresso. Vamos recolocar a discussão: O que é que está mesmo vivo na cabeça da grande maioria? A construção do Lula indica uma possibilidade …mas tem um caminho muito longo pela frente, estamos muito longe da afirmação cultural que merecemos e pior, temos uma legislação que não incentiva de fato a produção do conteúdo nacional nem sua preservação, precisamos alterá-la. Pra isso precisamos de união e estabilidade.

  57. Dulcineia 15 de fevereiro de 2011 Reply

    Caríssimos do Cultura e Mercado,

    De fato discutir sobre Creative Commons e Direitos Autorais exige um conhecimento conceitual e uma boa dose de análise do comportamento do mercado cultural no contexto das tecnologias modernas.
    Muito embora eu não domine a questão, gostaria de fazer a seguinte contribuição:
    Fui casada com um músico por mais de 07 anos, que criou sua própria marca para assegurar que os ganhos de sua produção e criação fossem, em grande parte, revertidos à sua própria conta. Certa feita, um amigo nosso e advogado ligou dizendo ter escutado uma de suas composições instrumentais num programa político partidário da época. O curioso é que o tal partido, PDT, indiscriminadamente utilizou a música de autoria do artista em todo o programa, configurando quase uma exclusividade da criação vinculada à marca daquela campanha publicitária. Até hoje o processo corre na justiça, já que o partido tem todos os mecanismos para recorrer e desconhecer o direito do artista em brigar por sua criação… chegou-se a alegar que a composição era de um ‘tal ilustre desconhecido’.
    Bem, o que se discute aqui então é que direitos autorais precisam ser garantidos – número um; direitos autorais precisam garantir que, os valores arrecados com as criações possam chegar aos criadores em sua integralidade, número dois. Por fim, o Creative Commons precisa estar claro na equação: criador + obra + acesso + autoria = mercado cultural.
    Dulcineia Miranda, Assessoria Técnica – Sec. de Políticas Culturais, Ministério da Cultura.

  58. Juliana de Andrade 17 de fevereiro de 2011 Reply

    Oi Leonardo

    sobre o trecho:

    “Enquanto não inventarem outra maneira de remunerar o trabalho do artista (eu ainda não consegui pensar em outra)…”

    e quanto aos cachês, salários, eventos, produtos, etc… em especial, os artistas profissionais/consagrados que vc privilegiou na argumentação, não seria formas consagradas de se pagar artistas ?

    abcs

  59. Rinaldo Guerra 18 de março de 2011 Reply

    Acho que a Ministra Ana de Hollanda não agiu impulsivamente ao desvincular o portal do MinC do Creative Commons.
    Portais públicos devem ser protegidos pelas leis brasileiras e está de ótimo tamanho.Explico o porque dessa minha convicção.
    Vincular um site público ao CC pode dar origem ao que aconteceu com o Blog do Planalto, que reputo uma desmoralização e desgaste de imagem.
    Cinco dias depois de lançado, às vésperas do início da última campanha eleitoral,foi o Blog do Planalto clonado por uma empresa jornalística particular, sem nenhuma autorização especial, apenas tendo em vista o fato de que aquele Blog oficial e público – como o portal do MinC – foi vinculado ao Creative Commons pela Secretaria de Comunicação do Governo Federal. A empresa clonadora limitou-se e a copiar integralmente o Blog do Planalto,sem pagar um centavo nem sequer ter que pedir licença ao governo,copiando um produto cultural realizado com o dinheiro público,um Blog da Nação, uma mídia visível em todo planeta. A empresa clonadora fez isso com que objetivo? Simplesmente porque tiveram a “brilhante”idéia de apenas colocar uma janela para Comentários.Que inocência!
    Os comentários foram deixados à deriva, sem moderação. O que convenhamos nenhum blogueiro sério faz com seu próprio blog. Era o início da campanha eleitoral.A caixa de comentários foi “apropriada” por qualificados trolls da direita que deitaram e rolaram na campanha torpe e violenta que foi feita contra a candidata Dilma Rousseff. Os xingamentos, palavrões, ofensas que saudavam qualquer pessoa que ali comparecesse para comentar algo sério e relevante, eram o impensável de se encontrar em um blog daquela natureza, que afinal representava um governo de uma nação. Quem se importou? Há uma ditadura da bigbrotherização. Descer o nível, ofender, caluniar passou a ser obrigatoriamente “normal”. Apesar das denúncias à Secretaria de Comunicação do Governo feitas por mim e vários amigos, a Secretaria nÃo tomou à época qualquer providência. Até hoje segue a mesma stuação. Ainda que os trolls da direita hoje em dia tenham se desinteressado um pouco. Afinal o maior interesse era fazer campanha contra a candidata Dilma.Mas não desistem, lá estão sempre com seus mantras e palavrório inadequado.
    Quando se reclamava junto ao Governo, vinha a resposta que a empresa que clonou tinha se valido do vínculo com o Creative Commons, que o Blog do Planalto ostentava e ostenta até a presente data.E ficava e ficou tudo por isso mesmo.
    Por essa razão, algo concreto e objetivo, bato palmas para a Ministra Ana de Hollanda, que demonstrou assim grande inteligência e zelo com a coisa pública.

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