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Cultura e Mercado

10 atitudes sociocriativas

Inteligência sociocriativa é a capacidade de utilizar nossos potenciais criativos de forma sistêmica para criar juntos uma mudança desejada. O termo “sistêmico” refere-se a compreender um problema ou situação pensando o todo em relação às partes envolvidas e pensando cada parte em relação às demais e ao todo. Ou seja, no sentido contrário de um mundo onde diferentes “verdades” políticas e culturais entram em conflito e geram cada vez mais violência e exclusão, a inteligência sociocriativa propõe a conexão da diversidade de olhares e pensamentos, inclusive opostos, para criar realidades mais inclusivas e sustentáveis.

Há muitas formas de ser sociocriativo. Sem querer propor uma cartilha, reuni 10 dicas, pensadas a partir de meus aprendizados pessoais, convivendo com empreendedores culturais, criativos e sociais de norte a sul do Brasil. Atitudes muito simples que podem fazer uma enorme diferença para mudar essas realidades observadas e narradas ao nosso redor e que tanto nos tem angustiado.

1. Ame. Alimente e siga seus desejos criativos. Deixe-se ”inflamar” por eles. Ânimo, do latim animus, significa “sopro de vida”, alma. Pense no que anima você, no que coloca você ou seu grupo em movimento, naquelas coisas que fazem verdadeiramente sentido colocar energia porque produzem em você uma inexplicável sensação de plenitude. O que você cria com prazer? O que cria você? Músicas? Tecnologias? Cidades? Relações? Processos? Ambientes? Ideias?

2. Estude seu viver, observe sua deriva. Cada passo dado, situação vivida, reação sua e, principalmente, cada nova forma de pensar que surgiu entre um aprendizado e outro. Empreender é aprender. Sua experiência de vida é o nutriente da sua imaginação. Observe seus processos e o jeito como a vida vai lhe ensinando a ser feliz. Aceite crises. Evite julgar. Aprenda a escolher o que deve ser conservado. Ajuste o que for preciso para sentir-se cada vez mais em harmonia e no melhor proveito de seus potenciais.

3. Acredite em um mundo melhor, tenha e compartilhe propósitos. Seja empático, otimista, não fuja das utopias. Desaprenda a odiar, o ódio é paralisante. Sonhe e seja um intérprete-criador da realidade ao seu redor. Como disse George Bernard Shaw: “Imaginar é o princípio da criação. Nós imaginamos o que desejamos, queremos o que imaginamos e, finalmente, criamos aquilo que queremos.”

4. Polinize e deixe-se polinizar. Compartilhe conhecimento. Interconecte-se. Seus desejos, suas ideias e sua experiência, ao entrar em contato com as de outras pessoas, criam novas possibilidades, mais inclusivas e sustentáveis. Aprenda a ouvir e a transformar conflitos em sabedoria. Você e suas convicções são apenas uma pequeníssima parte de um todo, validar o olhar do outro é sempre uma atitude inteligente.

5. Observe e compreenda o mundo e a vida de forma interdisciplinar. Pense além do modelo binário e fragmentário que geralmente utilizamos no cotidiano. Aprendemos que há uma disciplina para solucionar cada tipo de problema, mas não a pensar as inter-relações entre elas. Tendemos a ponderar a partir de uma lógica “ou/ou”. Ou certo ou errado, ou amigo ou inimigo, ou idealista ou prático etc. Este modelo mental é o mesmo que gera impasses como “sucesso comercial ou rigor artístico” e “viabilidade econômica ou sustentabilidade socioambiental”. Tente pensar mais complexo,  com mais lógicas “e/e”, apoiadas em mais disciplinas do conhecimento, expandindo a compreensão dos fatos, descobrindo novos fenômenos e novas possibilidades de conciliação. O projeto pode e deve ser economicamente viável, artisticamente consistente, culturalmente legítimo, democrático, não-violento, tecnológico, humano, uma relação não exclui a outra.

6. Pense dinergeticamente. Os opostos fazem parte de um mesmo sistema, busque harmonia entre eles. Entre o valor feminino e a atitude masculina. Entre resiliência e força realizadora. Entre o que pode e não pode controlar. Entre seu ecossistema interior e o meio ambiente. Entre o que você já viveu e o que você sonha viver. Entre o que realiza você e os efeitos que você pode gerar no mundo. A sociocriatividade brota no equilíbrio.

7. Encontre sua fractalidade, padrões do novo que você deseja produzir lá fora, mas em você mesmo e dentro de sua casa, de seu projeto. Se deseja democracia, crie mecanismos para que todos se expressem e participem em suas iniciativas. Se busca diversidade, aceite as distintas formas de pensar dentro do seu próprio quintal. Se quer justiça social, respeite os direitos de seus parceiros. Se que ser ético, respeite seu pior inimigo. Obtenha tecnologias para colocar valores em prática.

8. Pesquise jeitos de realizar, rackeie técnicas, invente suas próprias metodologias. O método é o caminho para alcançar um propósito. O instrumento que você precisa para””aterrar” seus sonhos e fruir seus sentidos no universo do possível. Suficientemente estruturado para permitir o controle dos recursos e o alcance dos propósitos, suficientemente aberto para surfar no acaso da vida, polinizar e aprender. A inovação encontra-se mais nos métodos do que nas ideias. Sem métodos, nenhuma boa ideia é capaz de produzir o novo.

9. Erre. Sem erro não há aprendizado. Administre riscos e frustrações que podem exaurir sua energia empreendedora e vá em frente. Repense sempre seus modelos de sucesso. O mais importante é o conhecimento que você produz a cada nova tentativa.

10. Mantenha a roda da vida girando. Se você não der o primeiro passo, nada, nunca, vai acontecer.

*André Martinez apresenta seu curso Inovação em Projetos Culturais em São Paulo (SP) de 26 a 28 de fevereiro de 2016. Clique aqui para mais informações.

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