Cultura e Mercado
  • LU LA LAND (ou um canto para se exilar)

    La La Land tem estrelas. Lu La Land, uma supernova.

    1528060314_1904d78186_bLa La Land tem mais cores, mais vida, tem primores, o que falta mesmo é o sabiá. Lu La Land tem sabiá a dar com o pau, porém me põe a cismar sozinho à noite.

    La La Land tem palmeiras. Lu La Land tem o Palestra Itália, mas o sete a um, ao que consta, não foi lá.

    As aves que gorjeiam em La La Land, sei lá que raio é aquilo, deve ser tudo efeito especial. As de Lu La Land soltam um pio funesto, lembra uma rajada de metralhadora…

    Em La La Land, o amor é líquido. Em Lu La Land, o ódio é sólido.

    A tragédia dos lalalandenses é estarem abaixo do que julgam merecer. A dos lulalandenses, façam por merecer e tenham foro, estão acima de qualquer julgamento.

    O arrivismo em La La Land é a Lei. A Lei em Lu La Land é o arrivismo.

    La La Land é para apaixonados. Lu La Land, só com muito diazepam.

    Ainda um grito de vida e voltar para onde tudo é belo e fantástico: La La Land. Lu La Land: permita Deus, é para não voltar, do jeito que está.

    Se tiver que morrer na flor dos anos, dá que eu veja uma vez o céu de Lu La Land; dá-me o gentil gira-gira lá da quadra infantil, mas só em pensamento.

    Ai, quem me dera chupar uma manga com gosto de manga ou, pelo menos, dessas que não custem cinco euros a unidade.

    Ver o retrocesso de São Paulo, a bolinha de sabão domingueira e a digestão bem-feita da Paulista, não, obrigado, mais prazer encontro eu cá.

    Embora seja lá. Foi lá. E é ainda lá.

    La La Land perdeu, mas ganhou, devolveu. Lu La Land ganhou, mas perdeu.

    Entre o La e o Lu, existem três casas: Le, Li, Lo. Entre o Lu e o La, a distância é bem maior.

    La La Land é ficção pura. Lu La Land, igualzinho.

     

    Antonio Salvador é escritor e PhD-Candidate em Direitos Culturais pela Humboldt-Universität zu Berlin. Escreve a coluna “O Coice” às segundas-feiras.

     

    Berlim, segunda-feira, 17 de julho de 2017

    Tags:, , ,