Cultura e Mercado
  • Cultura a favor da liberdade

    O Cultura e Mercado está comemorando seu aniversário de 20 anos. Falamos assim dele, em terceira pessoa, porque essa história foi escrita e composta por muita gente.

    O site de notícias foi fundado em 1998, um ano curioso e afobado por vários acontecimentos: Fernando Henrique Cardoso era reeleito com urna eletrônica, o Bandido da Luz Vermelha era eclipsado, o Brasil perdia da França, o Brasil perdia Tim Maia.

    Vinte anos depois, passamos por muitas coisas além, contudo poucas parecem tão ameaçadoras quanto o panorama atual nestas Eleições 2018. A poucos dias do segundo turno testemunhamos um dos momentos mais delicados da história do Brasil, e nas ruas, no trabalho, entre amigos e familiares, nas redes sociais, não se fala de outro assunto.

    Novamente, como trabalhadores da cultura, vemos a nossa existência política questionada e ameaçada – sob o risco de perder não apenas ministério, autarquias, leis e orçamentos, como a própria legitimidade da cultura para a sociedade brasileira.

    Relembramos aqui o artigo 215 da Constituição Federal, lei suprema da nação e que deve ser protegida e respeitada em qualquer circunstância:

    Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais.
    1º – O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional.
    3º A lei estabelecerá o Plano Nacional de Cultura, de duração plurianual, visando ao desenvolvimento cultural do País e à integração das ações do poder público que conduzem à: I defesa e valorização do patrimônio cultural brasileiro; II produção, promoção e difusão de bens culturais; III formação de pessoal qualificado para a gestão da cultura em suas múltiplas dimensões; IV democratização do acesso aos bens de cultura; V valorização da diversidade étnica e regional.

    Em um segundo plano, macro e abrangente, estão os sintomas diversos de ordem física e psicológica, testemunhos da grande tensão que envolvem os projetos políticos para o país nos próximos anos. E em meio a essa atmosfera nebulosa, a violência saiu do armário para apontar, atacar e matar, fundamentada em discursos que desdenham da vida humana.

    Como bem colocou o curador Daniel Rangel em artigo recente para a Folha de São Paulo, é essencial que ‘’ambos os candidatos assumam publicamente, e a sociedade deve exigi-lo, um compromisso com a liberdade de expressão e um posicionamento claro contrário à censura, principalmente após os recentes acontecimentos que colocaram em risco esse direito constitucional”.

    Gostaríamos de um aniversário menos sombrio. Seguimos porém com a cabeça levantada e gostaríamos de lembrá-los a fazer o mesmo em qualquer resultado nos próximos dias.

    Pela vida, pelo respeito às diferenças, pela cultura, pela democracia. Contra o fascismo e o autoritarismo.

    Equipe Cultura e Mercado

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