Cultura e Mercado
  • 4 razões para você ter um olhar diferente sobre patrocínio

    Reduzir o potencial do patrocínio à visibilidade da marca é um desperdício.
    Saiba como usar o conteúdo para melhorar a experiência da marca

    6741454931_b9ece57e1d_zVivemos num mundo em que a nossa atenção é direcionada para as marcas o tempo todo. Ao sair na rua, o mobiliário urbano entra no seu campo de visão. Ao olhar para o lado, a vitrine com uma super TV pisca para você. Ao fazer sinal para um táxi, no carro há uma propaganda no vidro.

    E o que a sua mente está preparada para fazer? Você ignora esses apelos – ou tenta. A sua mente sabe que são anúncios, que querem te vender algo. Você já parou para pensar quantas marcas bombardeiam a sua mente em uma simples caminhada?

    Vivemos em uma sociedade em que somos o tempo todo impulsionados a consumir. E é claro que a gente consome. Essa mensagem é passada por tantas horas, tantos momentos no nosso dia-a-dia que uma hora você vai se distrair e desejar alguma coisa.

    Você vai achar que aquela compra foi racional, você vai inventar um motivo para comprar algo, e acreditar verdadeiramente nele. Não estou fazendo apologia a uma sociedade não consumista e nem dizendo que isso é bom ou ruim. Estou só descrevendo um padrão que temos hoje.

    Diante de tantas marcas, tantos apelos, como chamar a atenção do consumidor? Como se diferenciar da concorrência? Muito simples! Ofereça algo que se conecte com ele.

    Quando você está num elevador e quer puxar papo com uma pessoa que você não conhece, você fala do tempo, né? O tempo é algo que faz parte do nosso cotidiano e afeta todo mundo.

    Quer saber de outra coisa que afeta todo mundo? A cultura. Estamos o tempo todo consumido cultura. Ou gostaríamos. Ou, se nos fosse oferecido, dificilmente a gente recusaria.

    A cultura é algo que temos de mais humano. É o que nos conecta com as pessoas, é o que nos difere enquanto povos. Se você diz que é brasileiro no exterior, os estereótipos passam pelo samba, caipirinha e futebol…

    Ao sair de casa e entrar no carro, você liga o rádio para escutar o quê? Música! Os seus amigos gostam das mesmas coisas que você? Os gostos musicais podem não ser os mesmos, mas e os filmes? Se você pensar bem, algo em comum vocês têm.

    Vou dar agora 4 razões para você começar a ter um olhar diferente sobre o universo do patrocínio cultural aliado ao conteúdo.

    1- O PATROCÍNIO É GANHA-GANHA

    O patrocínio é uma ferramenta de comunicação que trabalha se conectando com as emoções das pessoas. Ela é a única ferramenta que trabalha no ganha-ganha.

    Quando a empresa patrocina um espetáculo, a marca ganha visibilidade. O produtor cultural ganha um projeto que saiu do papel. E o consumidor ganha a oportunidade de assistir aquele show, ganha uma experiência.

    E reduzir o potencial do patrocínio à visibilidade da marca é um desperdício.

    Patrocinar um projeto é muito mais que negociar a colocação da logomarca em um cartaz e anunciar no rádio que a empresa X trouxe a Cia Y.

    2- O PATROCÍNIO OFERECE UM CONTEÚDO QUE CONECTA

    Muito mais do que se conectar com as pessoas através da experiência, o produtor cultural tem um ativo quase que infinito para trabalhar: o conteúdo!

    É muito mais prazeroso falar de cultura do que falar sobre um banco. Aquele lugar onde você tira dinheiro, paga contas, e que, na minha mente, eu associo quase que imediatamente a fila.

    Falar de uma cia de dança é muito mais legal do que falar sobre um perfume, se você pensa em uma empresa de cosméticos que está querendo divulgar a sua marca.

    As marcas usam o patrocínio para chamar a atenção dos consumidores de modo diferenciado. O produtor cultural pode oferecer algo a mais para as empresas, que são parceiras no seu projeto, pode oferecer conteúdo para que as empresas trabalhem com seus públicos.

    Se o seu projeto é uma peça de teatro, porque não produzir um conteúdo que fale do elenco? Quem são aquelas pessoas que sobem no palco? Qual a história de vida delas? Por que elas escolheram se dedicar a arte? O que motivou aquelas pessoas se unirem para fazerem aquele espetáculo?

    Eu iria adorar saber mais informações sobre estes assuntos antes de assistir a peça… Isso aproxima as pessoas, gera relacionamento e comunicação.

    3- PESSOAS GOSTAM DE FALAR COM PESSOAS MESMO QUANDO O ASSUNTO É PATROCÍNIO

    Para aproximar as pessoas, gerar relacionamento e comunicação, o uso da linguagem impessoal é um diferencial na hora de produzir conteúdo. Não adianta nada falar sobre os bastidores do projeto se você escreve como se estivesse produzindo conteúdo para o programa de rádio “A voz do Brasil”.

    Na hora de escrever, imagine que você está conversando sobre o projeto cultural com um amigo. Ou indicando para o seu vizinho que sempre te empresta um pouco de açúcar…

    Falar sobre os bastidores, sobre as pessoas que trabalham no espetáculo é uma forma interessante de falar do projeto cultural. Conte a história que há por trás da história do projeto. Use as mídias sociais para divulgar curiosidades e as rotinas do projeto cultural.

    4- É POSSÍVEL SEGMENTAR PARA TER ENGAJAMENTO NO PATROCÍNIO

    Com a internet estamos mais perto – a um clique, para ser mais específico – dos nossos consumidores. É possível agregar os públicos de acordo com os interesses. Hoje, com as mídias sociais, é muito fácil fazer isto.

    E a capacidade de segmentar e medir é um fator muito bem-vindo no mundo do patrocínio. Se você quiser, por exemplo, é possível falar com o público feminino, de 25 a 42 anos, que tem filhos, que moram na cidade X e gostam de cultura.

    Que tal oferecer uma tarde para as mamães de licença maternidade se encontrarem e passearem no museu com seus bebês? Você consegue falar com um público específico e ainda consegue direcionar aquele público para ir para o espaço num horário de pouco movimento.

    E quem sai ganhando? O produtor cultural, o patrocinador e o consumidor através de uma experiência com pessoas que tem os mesmos interesses que ele.

    O século XXI é a era da informação. A gente só se conecta com aquilo que a gente conhece e se identifica. Pense nisto!

     

    PS.:
    Ops!!! Se a gente só se conecta com aquilo que a gente conhece, vou falar um pouco de mim agora. Eu sou a Raquel Micas, diretora da Le Cuona Cultural – Consultoria de Patrocínio e Lançamentos Digitais. Trabalho com patrocínio há mais de 10 anos.

    E também sou uma das organizadoras do #CULT2017 – Congresso Nacional Pensando a Cultura: Criatividade na Gestão de Negócios Culturais. Ele acontecerá de 23 a 27 de outubro de 2017. Será online e gratuito. Para se inscrever, acesse www.cult2017.com.br

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