Cultura e Mercado

Nova equipe da Secretaria do Audiovisual – MinC toma posse

O documentarisa e cineclubista carioca Silvio Da-Rin tomou posse do cargo de Secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura neste dia 10 de janeiro.

Na última quinta-feira, dia 10 de janeiro, tomou posse o novo Secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, o documentarista Silvio Da-Rin, que foi indicado ao cargo em novembro de 2007, quando Orlando Senna, secretário desde 2003, assumiu a direção-geral da TV Brasil.

Silvio Da-Rin nasceu no Rio de Janeiro em 1949. Formou-se em comunicação visual pela ESDI e participou de um workshop de som para cinema na UCLA, Califórnia, em 1981 e é mestre em Comunicação pela ECOUFRJ. O cineasta interrompe sua pós-graduação em curso para assumir o cargo de secretário.

Cineclubista aos 16 anos, produtor e técnico do som, tornou-se documentarista e participou da equipe de mais de 150 produções cinematográficas. Dirigiu, entre outros, os documentários Fênix (1980 – curta metragem sobre cultura e política entre o golpe de 1964 e o AI-5), Príncipe do Fogo, premiado em Gramado e no RioCine (1984 – cinebiografia de Febrônio Índio do Brasil) e Igreja da Libertação (1985 – em torno das injustiças sociais durante o governo Sarney), com o qual foi premiado no Festival de Leipzig. Produziu os curtas Pena prisão (1984) e Damas da noite (1987), de Sandra Werneck. Foi técnico de som do longa americano rodado no Brasil The flying virus (2002), de Jeff Hare, além dos recentes Querido estranho (2002), de Ricardo Pinto e Silva, Onde anda você (2003), de Sérgio Rezende, No meio da rua (2003), de Antonio Carlos da Fontoura, Viva voz (2004) de Paulo Morelli, Quase dois irmãos (2004), de Lúcia Murat, Achados e Perdidos (2005), de José Joffily, e Onde andará Dulce Veiga?, de Guilherme de Almeida Prado, em finalização. Em 2004, sua dissertação de mestrado na Escola de Comunicação da UFRJ foi publicada em livro, com o título Espelho partido – tradição e renovação do documentário cinematográfico (Azougue Editorial, 2004), já adotado em diversos cursos de cinema. Integra a equipe docente da Pós-graduação em documentário da Fundação Getúlio Vargas. Dirigiu o documentário Hércules 56, sobre 15 prisioneiros políticos trocados pelo Embaixador americano num seqüestro em 1969 por grupos revolucionários.

Cineclubista, um dos primeiros presidentes da Federação de Cineclubes, além de ter militado na Corcina, na ABD, na APSC e na Abraci, Silvio Da-Rin é também um requisitado técnico de som. Seu nome está presente nos créditos de diversos filmes realizados na década de 1990, entre eles Pequeno dicionário amoroso (1997), de Sandra Werneck, Amores (1998), de Domingos Oliveira, Cruz e Souza, o poeta do Desterro (1999), de Sylvio Back, Mauá – O imperador e o rei (1999), de Sérgio Rezende, Amores possíveis (1999), de Sandra Werneck, Condenado à liberdade (2000), de Emiliano Ribeiro, Villa-Lobos, uma vida de paixão (2000), de Zelito Viana, Avassaladoras (2001), de Mara Mourão, Bellini e a esfinge (2001), de Roberto Santucci, Separações (2002), de Domingos Oliveira, e O preço da paz (2003), de Paulo Morelli.

Em seu discurso de posse Da-Rin lembrou que a área cultural como um todo sofrerá, a partir de 2008, o impacto do programa Mais Cultura, com investimentos da ordem de R$ 4.7 bilhões; que em 2008 o MinC promove um amplo fórum para discutir o direito autoral, ouvir interesses conflitantes, promover mediações e contribuir para a atualização do defasado marco legal que rege esta matéria, que é um pilar fundamental da indústria cultural; que, no último dia 19 de dezembro, foi instalado o Conselho Nacional de Política Cultural, que tem como meta a formulação de um Plano Nacional de Cultura, o primeiro do Brasil democrático, a ser encaminhado ao Congresso Nacional; e, neste contexto, o Audiovisual é chamado a propor o seu plano setorial; que a TV Brasil começa a operar, prometendo ampliar significativamente a presença do conteúdo independente na televisão aberta; que o Fundo Setorial do Audiovisual também começa a funcionar em 2008; e que o Conselho Superior do Cinema, que acaba de ter sua composição renovada, em breve se reúne para começar a discutir, aprovar e acompanhar a Política Nacional de Cinema. A SAV, a quem compete formular e submeter ao Conselho esta política, assume a responsabilidade. “Acompanhando o desenvolvimento das ações do MinC ao longo destes últimos cinco anos, em especial no período em que participei do Conselho Superior do Cinema, presenciei a afirmação coerente de procedimentos republicanos, democráticos e transparentes, onde a sociedade como um todo é encarada como a beneficiária das políticas públicas, sem atendimento preferencial a regiões, setores ou clientelas privadas. A SAv traduz bem as três dimensões da cultura enfatizadas por esta gestão do MinC: como expressão simbólica da ampla diversidade de manifestações do povo brasileiro; como instrumento de inclusão social e fortalecimento da cidadania; e a cultura como atividade econômica capaz de gerar emprego e renda” – declarou Da-Rin.

Antes de encerrar, ainda assumiu o compromisso público de pautar-se “pelo atendimento ao interesse público e ao interesse nacional; pela democratização das oportunidades, pela transparência nas decisões, pela consolidação do processo de regionalização das ações apoiadas pela Secretaria; e também pela consulta freqüente às instâncias de representação do setor. Já no final de fevereiro vamos convocar uma reunião do Conselho Consultivo da SAv, com duração de dois dias, para que tenhamos tempo suficiente para discutir as contribuições de cada segmento”.

Gilberto Gil, em seu discurso lembrou que “ao longo desses cinco anos, nossa política se modernizou e se afirmou por meio de ações concretas. Algumas teses que se tornaram hoje, creio eu, acordos gerais. Consensos em torno da centralidade da televisão brasileira nos objetivos dessa política, a centralidade da articulação internacional de nossa produção, a centralidade de uma abordagem econômica e tecnológica, não apenas para certos filmes, supostamente com vocação comercial. Refiro-me especialmente a uma abordagem econômica para todos os tipos de produção, linguagens, suportes e tradições. Falamos hoje em economia, em infra-estrutura, em empresas distribuidoras brasileiras com a certeza de que o novo cenário vem para produzir e distribuir riqueza neste território”, disse o ministro. Ao falar sobre o futuro do setor audiovisual, Gilberto Gil valorizou o acúmulo do país na área e afirmou que sua equipe tem lutado para “produzir um novo cenário, baseado nas mais valiosas conquistas técnicas e estéticas da nossa produção e de nossa tradição”. Em seu discurso, o ministro Gil declarou sua simpatia ao projeto de lei de autoria do deputado Jorge Bittar, que tramita no Congresso Nacional. “Acredito que o projeto de lei aponta nessa saudável direção: trata de uma produção audiovisual equipada, descentralizada, economicamente pujante, com muitos Brasis podendo mostrar suas fisionomias. Uma televisão brasileira antenada na diversidade cultural brasileira e internacional”, disse.

Ex-coordenador do DOCTV, Paulo Alcoforado assumiu a função de Diretor de Audiovisual. Em seu discurso de posse, Alcoforado destacou a tarefa de “fortalecer as dinâmicas criativas, criar ambientes de mercado para as expressões culturais, e compartilhar com os brasileiros a responsabilidade dessa missão cultural, assegurando a todos essa herança institucional”.

Para Mauricio Hirata, que assumiu a Coordenadenação Geral de Televisão e Novas Mídias, o projeto da nova gestão é dar continuidade ao “processo de abertura de olhar promovido de forma pioneira pela gestão Orlando Senna na Secretaria do Audiovisual”. “A disseminação das tecnologias digitais ao longo das últimas décadas vem provocando um contínuo impacto cultural que, dentre suas várias repercussões, afetou de forma profunda e irreversível o modo como produzimos e experimentamos conteúdos audiovisuais”, disse. Ele destacou que o início das transmissões da TV digital e da operação das tecnologias de terceira geração para telefonia celular, o acordo firmado pelo governo brasileiro com as operadoras de telefonia fixa para universalização do acesso a Internet em banda larga no país até 2010, sinalizam para uma aceleração ainda maior do avanço da cultura digital no Brasil.

Em relação ao fomento à produção, Silvio Da-Rin destacou o foco em realizadores emergentes “que praticamente não dispõem de outro mecanismo de incentivo no plano federal” e a importância de os editais com políticas para produtores estreantes, para os quais serão destinados cerca de 40% dos prêmios dos sete editais de fomento, com inscrições abertas. O secretário anunciou a expansão das políticas para espaço de exibição da produção independente na TV. “Este ano o apoio à produção independente de documentários será multiplicado. Em parceria com o SBT, em 2007 o projeto Documenta Brasil contemplou quatro projetos, já exibidos na televisão e prestes a serem lançados em salas de cinema, em versão ampliada. Para 2008, estamos negociando, com outra emissora, 12 projetos, no mesmo formato duplo televisão-cinema”, afirmou. Os programas DOCTV e DOCTV Iberoamerica terão novas edições em 2008.

CTAV – Reestruturação
Aos 69 anos, Gustavo Dahl assumiu nesta quinta-feira a coordenação do Centro Técnico do Audiovisual, órgão responsável por ações nas áreas de memória, difusão, formação e fomento ao audiovisual. Herdeiro de outras estruturas de fomento ao cinema nacional como o Instituto Nacional de Cinema Educativo, do Instituto Nacional de Cinema e da Embrafilme, o CTAv foi fundado em 1985 e desde então já esteve ligado a diversas instâncias, em processo que restringiu sua capacidade de atuação no suporte à produção audiovisual nacional. Dahl falou sobre o desafio de assumir a coordenação deste órgão vinculado ao MinC que, em 2007, funcionou com um orçamento de cerca de R$ 300 mil, e destacou sua disposição para gerenciar a reestruturação do órgão, atualizando seus objetivos iniciais à nova realidade tecnológica. “A última esperança é a operação”, disse.

Em 2008, segundo o secretário Silvio Da-Rin, o CTAv receberá R$ 5 milhões para o edifício anexo à sede, para modernização do prédio, acondicionamento do acervo e instalação de sala de consulta ao acervo. Na perspectiva de descentralização das ações do CTAv em núcleos regionais, está prevista para abril de 2008 a inauguração de novo centro audiovisual em Niterói, estado do Rio de Janeiro, em parceria com órgãos municipais e estaduais.