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Arte contra a AIDS

Além de poder ser um meio menos intrusivo para a conscientização, a produção artística faz o papel de traduzir e registrar a forma como a Aids interfere nas relações e na paisagem de nossa época.
Além de poder ser um meio menos intrusivo para a conscientização, a produção artística faz o papel de traduzir e registrar a forma como a Aids interfere nas relações e na paisagem de nossa época.

Eventos culturais surgem como uma boa alternativa de arrecadação de fundos para pesquisas ou apoio a pessoas contaminadas em todo mundo. É o caso, por exemplo, da Organização Red + Hot. Em dez anos, ela já conseguiu produzir vários programas de televisão com o apoio de diretores do porte de Wim Wenders, Orson Welles e Jim Jarmusch, além de personalidades como John Malkovitch e Madonna.

Mas a grande vedete é a coleção de discos que ela vem lançando paulatinamente ao longo dos anos. O catálogo já possui doze álbuns, cada um apostando em um determinado gênero musical, que vai da bossa nova ao rock dito alternativo. Aí é só chamar, que já estão de pronto dezenas de artistas para colaborar com faixas inéditas.

Segundo a Red Hot, a iniciativa já reverteu milhões de dólares à causa, o que a tornaria a mais bem sucedida organização ligada à Aids na indústria do entretenimento. Mais de meio milhão foi levantado pelos discos Onda Sonora e Red Hot + Rio, ambos recheados de boa música e músicos brasileiros.

Nas artes plásticas, outro bom exemplo é o do norte-americano Keith Haring, um dos maiores nomes da pop art no mundo. Morto em fevereiro de 1990 aos 31 anos, também vitimado pela Aids, o artista deixou uma fundação que ampara crianças e famílias desmembradas pela doença. A venda dos objetos que trazem estampados seus trabalhos (como canecas, camisetas, cartões postais) ajudam a mover os projetos sociais.

Aqui no Brasil e mais especificamente no Ceará, outra incursão das artes na luta contra a disseminação do vírus HIV se dá através do teatro. Em 1997, em Guaramiranga, um seminário de sensibilização foi oferecido a artistas pelo Instituto de Saúde e Desenvolvimento Social (ISDS), em parceria com as secretarias de Saúde e Cultura do Estado.

Daí nasceu o projeto ”Teatro de Rua Contra a Aids”, que incentiva dramaturgos a escrever peças sobre doenças sexualmente transmissíveis e saúde sexual para o grande público. Segundo a organização, cerca de 150 diretores, atores, atrizes e técnicos se envolveram na discussão ou na produção de mais de 1000 apresentações. Elas chegaram a pelo menos 80 diferentes municípios cearenses, atingindo cerca de 150 mil pessoas em praças, feiras-livres, terminais rodoviários, presídios, escolas, entre outros espaços públicos.

Uma tiragem de mil exemplares do livro Teatro de Rua Contra a Aids – Seis Textos para serem encenados foi distribuída gratuitamente ontem em seu lançamento, na Livraria Ao Livro Técnico do Centro Cultural Dragão do Mar. Além de depoimentos, artigos de jornais e endereços importantes, a publicação contém ”O Auto da Camisinha”, ”Retrato na Parede”, ”O Rapaz da Rabeca e a Moça da Camisinha” e ”Um dia de Príncipe”, do dramaturgo José Mapurunga; ”A Camisinha Cor de Rosa”, de Oswald Barroso, e ”A Chegada de Marculino no Purgatório”, de Orlângelo Leal. (Thaís Aragão)

Na Internet
Organização Red Hot – http://www.redhot.com
Keith Haring – http://www.keithharing.com
ISDS – http://www.chla.ufal.br/multireferencial/ong-isds

Fonte: O Povo – Ceará

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