Governo ameaça SESC
29 de Abril de 2008 by Redação
A proposta é criar um fundo para formação profissional. Danilo Miranda, diretor regional do SESC-SP alerta: “tornar a Educação meramente técnica, burocrática e pragmática, dissociando-a do universo simbólico, subjetivo, crítico e criativo, cerne da Ação Cultural, é um evidente retrocesso, fruto de visão flagrantemente obscurantista”
O Governo Federal não quer só acabar com a Lei Rouanet. Fernando Rossettir, em recente entrevsita para Cultura e Mercado, já alertava para o desmanche dos incentivos para a área social.
Fala-se de um movimento do Ministério do Planejamento para pôr fim aos incentivos e concentrar a ação social nas mãoes do governo. Nos bastidores, aventa-se uma negociação da Lei Rouanet por um fundo não-contigenciável.
O secretário de cultura de SP, João Sayad, que vem da área econômica, fez um alerta público para os riscos dessa operação. O mais comum de acontecer nesses casos é perder o pássaro da mão e não capturar os dois voando. Ou seja, fundo não contigenciável só se houver emenda constitucional. E olhe lá.
O Blog do Brant apontou semana passada a mais recente catástrofe governamental: a proposta do governo federal de remanejar a verba do chamado sistema S para um novo fundo, voltado para a formação técnica.
“É sempre bom lembrar que o SESC, assim como o SENAC, o SESI e o SENAI, é um dos melhores exemplos de investimento sociocultural privado do Brasil. É criação dos empresários, que acharam por bem transformar sua cota de serviço social em doação compulsória, por meio de uma lei. Estamos falando de uma entidade de natureza privada, com eficácia reconhecida há mais de 60 anos. E de mais um ato inconsequente em relação às instituições democráticas e à livre iniciativa”, diz o Blog.
A questão é grave, como aponta Danilo Miranda, diretor regional do SESC-SP: “tornar a Educação meramente técnica, burocrática e pragmática, dissociando-a do universo simbólico, subjetivo, crítico e criativo, cerne da Ação Cultural, é um evidente retrocesso, fruto de visão flagrantemente obscurantista.”
os editores


Desejo sem mais detalhes e polemicas que a gestão do ator Frateschi poderia ensejar, reforçar a ideia de intocabilidade na lei e nas politicas culturais do SESC, o maior operador da cultura no país, que antes deveria servir de exemplo ao MINC.
Agora que vão acabar com o SESC, pelo menos chamem o Danilo para Ministro da Cultura. O Brasil precisa de alguém que saiba o significado da palavra gestão.
na home do Portal SESCSP - http://www.sescsp.org.br - tem um link para o abaixo-assinado em favor da continuidade do SESC. Vamos todos assinar. Porque, afinal, os governos passam… mas o SESC fica e tem mostrado com excelência a que veio!
Se o SESC é tão competente assim, em matéria de gestão da cultura, saberá como ganhar dinheiro para continuar com suas atividades. Se não consegue, é porque a sua “competência” vem do dinheiro carimbado, compulsório, que recebe dos empresários do comércio. Dinheiro público, e não a tão propalada competência gerencial, é o verdadeiro segredo dessa história toda. Então, se é dinheiro público, que seja administrado de maneira pública, republicana. Pode ser pelo Danilo mesmo, se ele for indicado para Ministro da Cultura. Mas, vejam bem, ele não vai administrar só o SESC de São Paulo. Vai ter que mostrar que é bom para o Brasil inteiro.
O SESC, assim como o resto do sistema “S”, serve-se de recursos que deveriam ser públicos e atende apenas os interesses das empresas, adestrando novos profissionais. Não precisa acabar com o Sesc, mas não me venham com esta de filantropia…Ali o que vale é o intersse do capitalismo, ou seja, lucro. Treinar as pessoas ou dar-lhes condições de bem-estar é apenas para melhorar a imagem e o lucro.
Não sei se a fala de Danilo Miranda foi retirada do contexto,mas “tornar a Educação meramente técnica, burocrática e pragmática, dissociando-a do universo simbólico, subjetivo, crítico e criativo, cerne da Ação Cultural, é um evidente retrocesso, fruto de visão flagrantemente obscurantista.”, é exatamente o que o Senai eo Senac fazem (estes os braços educacionais do sistema S). Aliás com a grana que têm, estas entidades não oferecem seus cursos filantropicamente: eles são corados. Até os cursos de ensino fundamental do Sesi, para os filhos dos operários, passaram a ser cobrados (”taxa simbólica”, como dizem). Estudei no Senai gratuitamete, uma ótima escola, mas é sim uma forma de “adestramento profissional”, e hoje seus cursos são pagos. E aqui na minha cidade não conheço nenhum programa que associe as atividades do Sesc com o Senai e o Senac. Portanto, se proposta há para transferir verbas do sistema S para ensino profssionalizante, não se estará fazendo nada de novo, o sistema S já faz isto. Além do que, se se trata de “doação compulsória, por meio de uma lei”, que se faça essa doação compulsória sem uma lei, que é, aliás, uma forma muito mais democrática e de acordo com a livre iniciativa. Não questiono o trabalho das entidades nestes 60 anos, sobretudo o do Sesc, apenas acho que o futuro, mesmo que se mantenham as leis como estão será bem diferente do passado, o sistema perde a cada dia seu caráter filantrópico. Questiono sim, esse clima de caça as bruxas que se tenta criar com essa imagem do bicho papão querendo abocanhar um pobre coitadinho. Por fim, concordo com as palavras de Danilo, só acho que o braço educacional do sistema S não representa o anti obscurantismo sugerido.
Desculpem, mas meu comentário abaixo foipostado com vários erros de digitação. Segue a versão corrigida:
Não sei se a fala de Danilo Miranda foi retirada do contexto,mas “tornar a Educação meramente técnica, burocrática e pragmática, dissociando-a do universo simbólico, subjetivo, crítico e criativo, cerne da Ação Cultural, é um evidente retrocesso, fruto de visão flagrantemente obscurantista.”, é exatamente o que o Senai e o Senac fazem (estes os braços educacionais do sistema S). Aliás, com a grana que têm, estas entidades não oferecem seus cursos filantropicamente: eles são cobrados. Até os cursos de ensino fundamental do Sesi, para os filhos dos operários, passaram a ser cobrados (”taxa simbólica”, como dizem). Estudei no Senai gratuitamente, uma ótima escola, mas é sim uma forma de “adestramento profissional”, e hoje seus cursos são pagos. E aqui na minha cidade não conheço nenhum programa que associe as atividades do Sesc com as do Senai e do Senac. Portanto, se proposta há para transferir verbas do sistema S para ensino profissionalizante, não se estará fazendo nada de novo, o sistema S já faz isto. Além do que, se se trata de “doação compulsória, por meio de uma lei”, que se faça essa doação compulsória sem uma lei, que é uma forma muito mais democrática e de acordo com a livre iniciativa. Não questiono o trabalho das entidades nestes 60 anos, sobretudo o do Sesc, apenas acho que o futuro, mesmo que se mantenham as leis como estão será bem diferente do passado, o sistema perde a cada dia seu caráter filantrópico. Questiono sim, esse clima de caça às bruxas que se tenta criar com essa imagem do bicho papão querendo abocanhar um pobre coitadinho. Por fim, concordo com as palavras de Danilo, só acho que o braço educacional do sistema S não representa o anti obscurantismo sugerido.
O que eu ainda não consigo entender é como um governo, dito de esquerda e que por príncipio deveria estar focado em questões que estão fora da pauta dos outros partidos/governos, ataca exatamente a CULTURA nos pontos onde, como no caso do SESC, a máquina funciona e tenta vetar qualquer discussão realmente séria sobre modificações em sua “politicagem cultural”. Além disso coloca seus militantes em postos chave sem a preocupação com a competência para o cargo, como é o caso da FUNARTE.
Qual a real intenção do governo ao retirar esse incentivo à cultura de mãos tão competentes e idôneas, como SESC, SENAC, SENAI; QUE O TÊM ADMINISTRADO COM TANTA PROBIDADE? É lamentável que, em lugar de se ocupar com tantos destinos obscuros dados a verbas federais, venham ocupar-se com projetos que estão dando certo. Será que dois mandatos seguintes ainda não foram suficientes para descobrir quais são os anseios da sociedade brasileira?
Perfeita a análise de André Luiz! Mas quero acrescentar mais algumas questões. Assim que o nosso ilustre sociólogo, FHC, deu de presente a CSN ao setor privado, junto foi, como sobremesa, toda uma cidade, terrenos, clubes, além da ilustre economista, Maria Sílvia, ter promovido um genocídio trabalhista para ampliar ainda mais os lucros do novo grupo privado, CSN que, além de destruir o campo da pesquisa, pôs fim a um círculo virtuoso da parceria da Escola Técnica Pandiá Calógeras (ETPC) e a Univerdade Federal Fluminense de metalurgia (UFF). Ambas trabalhavam com mão-de-obra de excelência e que, no enxugamento da empresa privatizada, ações para recuprar parte desta matéria-prima humana qualificada, poderia ter sido direcionada se o Sebrae-VR tivesse o mínimo de visão de logística e de desenvolvimento, mas não tem, tudo no Sebrae é cobrado. Cada cartilhazinha, cada palestra de auto-ajuda, o Sebrae inecipiente, assim como vários outros “Ss” em que hoje tudo é cobrado. O Sesc, sem dúvida, tem papel relevante e se destaca entre os outros por tratar a cultura de forma mais ciosa, mas também peca no mesmo problema da Lei Rouanet e do próprio Minc, suas ações dependem dos comandos centrais, principalmente no Rio de Janeiro que, na maioria dos casos, não dão autonomia orçamentária para que os Sescs do interior, como a unidade de Barra Mansa, por exemplo, possam ter suas próprias programações. O limite da verba é minúsculo, mesmo assim o Sesc ainda tem um saldo positivo em um reconhecido esforço na melhoria das ações culturais no Brasil. Já o Sest/Senat, não dá nem pra comentar! Quanto ao Danilo Miranda, sua fala é de fato pertinente e é abonada pela sua própria imagem que é reconhecida como um forte aliado da cultura brasileira e que merece todos aplausos. No entanto, como já disse, o Sesc precisa ser mais descentralizador para que obtenha resultados ainda melhores.
O Governo Lula não precisa ser totalmente jogado fora, mas se ha um setor INDEFENSÁVEL é a Cultura, e isso não diz respeito às boas idéias do Gilberto Gil, nem a ótimas capacidades e politicas de alguns quadros no Minc, isso diz respeito ao campo de visão no Presidencialismo Imperial que vivemos, ao ocupante do “cargo máximo”, é o programa “Cultura Zero”, um Presidente que nem filme de sertanejo consegue assistir sem sentir sono.
Os recursos do FAT são os mais adequados à formação profissional em geral, é um dinheiro do campo do trabalho cuja aplicação se destina também à qualificação, mas o sonífero ocupante da cadeira número 1 esta deixando os recursos do FAT serem cogestados pelos representantes dos Banqueiros, e quer se meter com a boa gestão do SESC…é muito louco ver isso, me impressiona que ainda haja tanta gente que responda favoravelmente ao governo em pesquisas, é uma sociologia que me foge inteiramente à compreensão.Como pode tamanha cara de pau não gerar revolta no povo?é de impressionar.
(…) Assim como todo o Sistema S, o SESC surgiu de maneira reacionária para conter o avanço dos movimentos comunistas no Brasil, conforme diz o ditado: vão-se os anéis, ficam os dedos. Entretanto, no máximo foram-se as unhas postiças e o esmalte francês que as adornavam. O empresariado brasileiro abriu mão de 1,5% do valor de sua folha de pagamento para receber em troca algum silêncio das massas trabalhadoras. Isso significa dizer que ao invés de oferecerem essa quantia irrisória como um aumento salarial que não iria surtir muito efeito, preferiram juntar esforços para impor a ideologia do capital ao modo gramsciano inverso, muito inteligente da parte deles! (…)
texto completo em: pietroroveri.blogspot.com