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Quem não for escravo do sistema que atire a primeira pedra

Na verdade, todos nós somos tragados, em corpo e alma, pelos teoremas e cataplasmas dos negócios da majestade do sistema financeiro. Podemos dizer mais, a índole demente do sistema financeiro que nos enlouquece é digno da magistratura de um louco que nos coloca como hóspedes de cubículos. Assim, o máximo que podemos ser classificados dentro do juízo do sistema financeiro, é mesmo de doidos.

Nessa escravidão, vivemos em cálculos aritméticos taxados em qualquer matéria e explorados pela ideia e os absurdos de um fenômeno científico sem explicação. O sistema tem requinte de crueldade joga a todos na rua. Na realidade somos como no conto “O Alienista” de Machado de Assis, vítimas do Dr. Simão Bacamarte. É ele, com sua ideia arrojada de estupidez, quem nos joga aos cuidados da casa verde. Nós e a entidade ridícula que administra toda a promiscuidade do grotesco sério feroz território da loucura do sistema financeiro. Hoje, sejam as instituições do antigo regime patriarcal do Estado, seja pelo dito estilo moderno dos arraiás das instituições e fundações culturais, que a expressão do sistema converte energia em crepúsculo.

Na cultura reproduzimos a nossa própria jornada diária como cidadãos, ao invés do sistema compreender a cultura sob a lógica das vocações artísticas, essa obra-prima da demência nos obriga a cantar o uníssono dessa situação ensandecida do mercado financeiro. Isso se eternizou numa maciça defesa de tais métodos irracionais de muitos de nós.

O documentário francês, ainda fresco, “Servidão Moderna” mostra que não há tempo para repouso, somente para a melancolia da solidão trabalheira, grosseira do patrão, onde o cidadão é tão somente um par de braços, próximos ao penhasco. E o resultado do que plantamos é colhido como um sentimento confuso, vago e inquieto. Não há mais como ouvir o sermão vindo dessa montanha. O Estado é o único enfermeiro que pode nos devolver o documento humano da cultura. Lógico que o ânimo do governo para mudar o papel do Estado é sobreumano, pois o próprio vive humilhado pelo sistema financeiro. Portanto, será mesmo na base das bengaladas que o governo terá que buscar a difícil tarefa de reformulá-lo e dar a ele um sentido contrário ao crime financeiro que o sistema impôs na outra ponta do balcão.

A mensagem de esperança na construção de um novo universalismo como uma semente de evolução positiva, deve ser protagonizada pelo cidadão, agora, e aproveitar o espírito técnico e político do governo para se buscar um novo discurso e tentar rivalizar essa cruel realidade vivida no mundo contemporâneo pela maioria das nações. Temos que ter a noção de solidariedade, devolver ao homem as condições de moralidade particular e pública e não somente vivermos escravos do que interessa ao mercado. É dever de todos nós a busca pela democracia por intermédio de um Estado nacional, de um Estado de direito, de um Estado social para a promoção da cidadania plena, afirmando ao longo da nossa jornada, a plenitude da democracia contra o dique do capital pleno, técnico e brutal.

Carlos Henrique Machado Freitas http://www.myspace.com/carloshenriquemachado

Bandolinista, compositor e pesquisador. Para mais artigos deste autor clique aqui

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