O MinC Subtraído
Em tempos de mudança é imperioso ser direto e sem meias palavras.
Interesses alheios às Artes e a Cultura estão subtraindo do patrimônio Nacional, ao menos sessenta anos (60) de história brasileira. Corporações difusas vindas até nós por meio de nomes estranhos como, Creative Commons; Campus Party Br; A2K; Open Business; ou CTS Game Studies; tratam de engessar os nossos já parcos instrumentos de Produção Artística e Cultural, roubando-nos o espaço Institucional como se fossem essas Corporações as Mensageiras da “Boa Nova”. São os evangelistas dos últimos dias? Não, não o são; e provaremos o por quê.
Os indícios
O momento em que vivemos, nas Artes e na Cultura, é tão grave como àquele amargamente experimentado nos primeiros anos pós Constituição de 1988. Corremos o perigo de perder a nossa (dos artistas e produtores culturais) legitimidade, Institucional, construída duramente e festivamente durante seis (6) longas décadas. Os artistas, escritores, artesãos, criadores de expressões artísticas, não podem perder espaço para abnegados da emergente Indústria do software, na cobertura que o Estado dá às atividades profissionais e econômicas no Ministério da Cultura. Esta infiltração vem ocorrendo, subliminarmente, e já há algum tempo. Agora, com a posse da atual Ministra (artista e administradora cultural), Ana de Hollanda, resolveram colocar todo o seu Exército de voluntários que não titubeiam em caluniar, mentir, distorcer e promover falsas questões para defender o território, inconstitucionalmente, ocupado.
As provas
Milhões de reais foram gastos, nos últimos anos, recursos esses que foram subtraídos do pequeno orçamento do Ministério da Cultura (MINC) para financiar viagens, congressos, e a auto-organização desses “Movimentos”. Este pode ser o maior crime já cometido contra as Artes e os produtores Culturais, desde a abolição da Censura na Constituinte de 1988. Vide a pequena, porém vibrante história do MINC.
O Brasil foi reinventado após o término da segunda Grande Guerra, a começar pela sua Constituição que reconheceu um importante componente da vida Nacional – a Cultura. Em seu artigo 180 dizia, com clareza, “E dever do Estado proteger as Artes e a Cultura”. Embora com grande inspiração conservadora, a Constituição de 1945 não pôde esconder o papel que os Artistas, Escritores e Músicos, em especial, tinham na formação da identidade Nacional. Os horrores da Guerra (como se outros piores não viessem depois) impulsionavam para a formulação de grandes sonhos, cravados na frase “Brasil, o País do Futuro”. O suicídio do escritor, Stefan Zweig, em 1942 (Petrópolis-Rio de Janeiro),hipotético autor da frase, foi o prenúncio de que o caminho até os dias de hoje seria tumultuado e cheio de grandes embates. A submissão Institucional da cultura à educação, até meados dos anos 80 (MEC – Ministério da Educação e Cultura) foi quebrada somente com o esforço e a determinação de um grupo de artistas e intelectuais, em torno de Celso Furtado, que assumiu a titularidade do MINC meio a outros tempos de igual agitação política e social, tal como nos dias de hoje. Essa submissão da Cultura durante quarenta anos (45-85), em que teve como Ministros generais da reserva (três, ao menos) não impediu que artistas (músicos como, Tom Jobim, João Gilberto, Caetano Veloso, Chico Buarque;os sambistas, Cartola, João do Vale e Zé Ketti; escritores como, Rubem Fonseca, Guimarães Rosa, Jorge Amado, Carlos Drumonnd de Andrade, Manoel Bandeira; dramaturgos como, Guarnieri, Vianinha, Nelson Rodrigues; artistas plásticos como Portinari, Tarcila, Volpi, Di Cavalcanti, Ligia Clark, Hélio Oiticica e Antonio Henrique Amaral) contribuíssem decisivamente para formação do Brasil contemporâneo, sem contar é claro com o esplêndido trabalho realizado pelos críticos de Arte e Literatura como, Mario Pedrosa (citando apenas um, em nome de todos).(*)
Na Constituinte de 1988 e posterior texto constitucional ninguém duvidou que as Artes e a Cultura funcionassem como um território de paz, uma zona de negociação entre as diferentes forças políticas e sociais de nosso tempo, tanto que elegeu como ponto de honra a abolição da Censura, instrumento do cerceamento da liberdade como, também, a proclamação da Liberdade de Expressão como capitulo inalienável. A Constituição (Cidadã), em si, não foi o suficiente para garantir o pleno desenvolvimento das potencialidades Nacionais, porém, como Estatuto maior tem sido o ponto de referência para a construção de uma Sociedade mais justa. A ameaça de retrocesso foi sempre constante, a exemplo da Industrialização, na década de 50, que tiraria o Brasil do subdesenvolvimento e da pobreza, mas que gerou novos e grandes desafios sociais e também, durante a década de noventa, o conceito de Modernidade que ensejou o aparecimento de oportunistas, como o primeiro Presidente eleito pelo voto direto, após o Regime Militar.
Tal como Fernando Collor de Mello que, escudado num hoje inexistente “Partido Jovem”, no segundo semestre de 1988, antes mesmo de se conhecer as regras claras do jogo, se lançava candidato à Presidência do Brasil, nos dias de hoje os defensores da “Cultura Livre”, do “Software Livre”, querem a todo custo colar o seu decalque na parte exterior e interior da cabeça do cidadão, desavisado, de que eles fazem parte da cadeia produtiva das Artes e da Cultura. Não o fazem! O Movimento do Software Livre não é Cultura, “is businness”. É negócio! Alguém duvida que o encontro anual, em São Paulo, denominado Campus Party Br é a mais perfeita expressão do Capitalismo Internacional? Excetuando-se os políticos que vão a qualquer grande aglomeração de pessoas (estão no papel deles), vê-se ou viu-se algum dia ali qualquer estrela do Rock, da Música Popular Brasileira, ou Internacional, dando o seu “pitaco”, o seu recado de Paz, Reforma Agrária ou de Política e Social???
(*) A lista não para de crescer alimentada pelas poucas horas de leitura da postagem inicial, a saber: Artistas Plásticos: Antonio Peticov, Aguilar, Tozzi, Senise, Iberê Camargo, Siron Franco, Amelia Toledo, Carmela Gross, Roberto Magalhães, Antonio Dias…









Jair Alves
Acho que esse debate só caminhará se for possível partir de uma avaliação sobre atividades concretas que o MinC vem exercendo desde 2004.
O Rogério, que comentou aqui ontem, fez uma série de perguntas sobre os Pontos de Cultura.
Tenho muita curiosidade em conhecer os fundamentos e o que foi realizado através do Programa Cultura Viva.
Por outro lado,fazer esse cavalho de batalha a respeito de software livre é simplesmente um meio de travar o debate das graves questões culturais que só podem ser analisadas a partir de dados concretos.
Considero que o mais grave problema cultural do país é o ANALFABETISMO. Um amplo trabalho integrado com o Ministério da Educação,para erradicar definitivamente essa chaga cultural e social,deveria ser prioridade zero do Governo Dilma Rousseff. Como erradicar a miséria se não se erradica o analfabetismo, primero passo para uma integração cultural real?
Essa tentativa de impor a questão de softwares livres como o tema principal da pauta cultural do país só pode ser coisa de louco ou de vendedores de gadgets.
Não é hora de pensar pequeno. Vamos pensar nos índices de desenvolvimento humano relacionados com a cultura.
Bolívia e Equador,os países mais pobres da América do Sul, estão a caminho de serem oficialmente declarados livres de analfabetismo pela UNESCO, após as provas de praxe.Investiram pesado em alfabetizaçÃo e dois anos de ensino básico para todos os maiores de 14 anos.
Olhem essa manchete:
http://noticias.terra.com.br/educacao/interna/0,,OI3964904-EI8266,00-Brasil+tem+o+maior+numero+de+analfabetos+da+America+Latina.html
Wilma,
Discordo. Isso não adianta, e nunca teve efeitos reais em lugar nenhum. Educação não é algo que pode ser imposto, muito menos pelo governo, é algo que parte do indivíduo, e nem todos querem ou mesmo podem ser educados. As sociedades que produziram os maiores gênios da história e mais contribuíram com a humanidade tinham analfabetos como qualquer outra e isso não afetou em nada. Tentar enfiar valores econômicos na gestão de educação é errado. Será gasto um dinheiro imenso nisso, e no final acabaremos com uma população de analfabetos funcionais, não muito diferente da que há hoje.
O que falta no Brasil há várias décadas é uma elite intelectual séria, que consiga desenvolver a cultura nacional por conta própria, sem importar a última modinha européia ou norte-americana. Para poder educar é preciso primeiro ter um educador. O que falta são intelectuais que se horrorizem diante dos resultados de estudantes brasileiros em exames internacionais, diante do fato de que a melhor universidade brasileira não está nem entre as 200 melhores do mundo, com o fato de que artigos acadêmicos publicados no Brasil não servem para nada e não são citados por ninguém.
Do que adianta ter um monte de padarias de esquina virando faculdades de baixo nível para abrigar um monte de analfabetos funcionais? Nada.
Dizer que vai acabar com o analfabetismo é de um populismo útil aos políticos, mas na prática não resulta em nada se surge de baixo para cima. O fim do analfabetismo é algo que tem de vir de cima para baixo, sabermos que quando o último brasileiro for alfabetizado ele está no último nível de uma pirâmide com muitos gênios no topo, e foi educado por cada um desses direta ou indiretamente.
É a educação do povo que dita o governo, não o contrário.
Sou da área de informática, me especializei em programação e nisso trabalho há quase dez anos.Não vejo porque o software proprietário ou livre tenha que ser objeto de alguma especial atenção pelo MinC. A criação de softwares seria mais ligada aos temas do Ministério de Ciência e Tecnologia.
A informação dada por Simone é correta. O MinC deveria se reportar a um centro de excelência como o Departamento de Informática da Universidade do Paraná para dirimir qualquer dúvida sobre uso de softwares livres e dirimir de vez qualquer dúvida existente sobre críticas ou encaminhamento de soluções para problemas específicos do setor.
Nesse Departamento,encaminham para um setor onde é dada assessoria gratuita sobre temas da área,repassam informações sobre avanços na área e são super-solícitos e competentes.
Também não vejo porque um dramaturgo como Jair Alves deveria entender de computação ou programação, embora utilize o computador e alguns programas.
Como programadora, quero mais é nos meus momentos de lazer, poder ver uma boa peça de teatro, ver um filme marcante, assistir a uma manifestação folclórica bem apresentada, etc. Sem para isso precisar ser especialista em nenhuma dessas artes. E me preocupo que todo o povo brasileiro possa ter acesso a bibliotecas,cinemas, teatros,lan houses,num processo de democratização da cultura. Usufruir dos bens culturais é uma necessidade espiritual e emocional minha e de todos.
Concluindo, expresso que não vejo nenhuma necessidade de movimento de software livre aqui no Brasil,simplesmente porque já temos software livre. O que queremos é que os centros de pesquisa em computação das nossas universidades tenham apoio do governo e de empresas privadas para que possam desenvolver pesquisas, perseguir a inovação tecnológica e assim, entre outras coisas,promover o avanço na criação de softwares livres, como faz com empenho e competência o Centro de Computação Científica e Software Livre da Universidade do Paraná, mencionado por Simone.
A única coisa que me parece clara neste debate é que há muita falta de informação. Acontece que quando há falta de informação, é necessário que as pessoas façam um pequeno esforço para adquirir esta informação antes de sair escrevendo por aí. Não foi o caso do autor do texto que estabelece relações e faz afirmações bastante pobres e superficiais. Então, acho que os canais de mídia realmente interessados no debate ajudariam muito se reunissem informações mais bem fundamentadas. Poderíamos combinar de estudá-las bem, refletir e depois, só depois começar a emitir opiniões. Sinceramente, sair falando de software livre (contra ou a favor) sem sequer saber o que é, não é possível.
Rosi,
Está faltando tempo para responder individualmente a cada um dos que aqui postam seus comentários, mas sua intervenção é mais uma da insistência sobre uma questão que é vital no texto inicial. Vou escrever mais uma vez:
1- o foco é a invasão (para o bem ou para o mal) de uma atividade que ao meu ver, nada tem de artístico ou cultural no território do Minc. Por essa razão expus a breve história do ministério;
2- essa minha estranheza nada tem a ver com uma condenação dessa atividade (ciência da computação ou movimento pelo SL. Não me meto à discussão fundamentos da Educação, no entanto enquanto essa disciplina estava junto com a Cultura me causava a mim e a muita gente grande desconforto. Só isso. Hoje tenho a maior admiração por Fernando Haddad, que originalmente escrevia sobre Economia, sabia?);
3- como qualquer cidadão medianamente informado sei que o impacto que a internet e seus derivados provocaram na humanidade ainda está restrito a sua importância política e econômica, ainda não tem força cultural. A não ser que se considere que o mundo se faz representar por quem tem computador e um mouse. Sendo importância política tão somente, tem que ser tratada como tal. Foi esse o mote do texto. Não repute a ele e principalmente a mim, que mais uma vez informo – NÃO SOU PAUTA DE NADA.
Valeu. Aproveito para agradecer a participante do debate que te antecedeu que sugeriu procurar um organismo especializado para opinar quanto ao enquadramento do software e derivado.
grato
Jair Alves
Cara Rosi (não é a Rosi Campos, é?),
Como afirma, categoricamente, que a ÚNICA coisa clara para você, é a ausência de INFORMAÇÃO, eu creio que ser muito importante e de grande valia sua contribuição, nesse debate, iniciando com a sua principal preocupação (acredito, de todos), que é a INFORMAÇÃO. Ou seja, sobre o quê você estava se referindo exatamente, ou melhor, especificamente, quando fala que “há muita falta de informação”. Quais seriam essas informações que considera, estejam fazendo falta nesse Debate? Você poderia, por favor, enumerá-las, obviamente explicitando quais são elas? Outra questão destacada nessa sua intervenção é sobre o autor do texto em questão que, segundo você, “estabelece relações e faz afirmações bastante pobres e superficiais”. Também sobre isso, você poderia destacar, quais são essas relações e afirmações “pobres e superficiais?”.
Concordo plenamente com você, quando diz que está faltando informação, nesse Debate. Mas, por outro lado, fico muito preocupada, embora não lhe conheça pessoalmente, porque fala justamente sobre isso nessa sua intervenção. E, conforme você mesma disse, quando afirmamos algo com muita convicção, devemos antes ter certeza absoluta sobre aquilo que estamos tratando, falando, e/ou questionando, “antes de sair escrevendo por aí”. Você concorda comigo? Acredito que, sim, caso contrário não participaria desse debate, muito menos e, principalmente, emitindo a sua opinião.
Esperando que aceite a minha sugestão, como destaquei no primeiro parágrafo dessa,
Cordialmente,
Suely Pinheiro – Jornalista – São Paulo/SP
Jair Alves,
1. Pode até ser verdade, o problema é que você não sabe argumentar contra essa invasão. Seus argumentos minimamente relevantes resumem-se à dois.
O primeiro é o de que essa invasão que vê é análoga à isso que chama de “submissão institucional da cultura à educação”. É um argumento absurdo que novamente confunde correlação com causalidade quando afirma que apesar dela surgiram vários grandes artistas. Faltou você explicar onde estão as centenas deles que deveriam ter aparecido após a separação. Se há alguma relação de causa e efeito nesse argumento ela é precisamente o contrário do que você afirma.
O outro é de novo sua tentativa de reduzir a questão à luta de classes, classificando um evento de software livre como a mais perfeita expressão do capitalismo internacional. Você obviamente desconhece que o movimento de software livre é tão distante quanto qualquer coisa pode estar de ser isso, e a insistência no erro depois de vários esclarecimentos em vários comentários denota má-fé óbvia ou incapacidade de pensar fora do materialismo dialético.
2. Isso não faz sentido, porque no texto original você antes argumenta contra a “submissão institucional da cultura à educação”. Agora você afirma que não discute a questão e resume-se à retórica de dizer que causou-lhe desconforto. Decida-se, Jair… você discute a questão ou não?
É verdade que o Fernando Haddad escrevia sobre economia, afinal ele era graduado. Curiosamente ele escreveu uma monografia exaltando as virtudes do regime soviético em 1990, sem contar que a URSS acabaria em 1991. Inquieto, em 1992 ele publicou “O Sistema Soviético” tentando provar que na verdade aquilo que ele exaltou dois anos antes quando se formou e que havia acabado nunca foi socialismo. A divergência do Haddad com ele mesmo em tão pouco tempo seria cômica se não fosse um padrão típico dos marxistas desde que o Lukács falou que não foi a teoria marxista que falhou, e sim o proletariado que estava errado em não aceitá-la.
É bem estranho você admirar alguém que escreve sobre economia e que não conseguiu prever o fim da URSS um ano antes, enquanto Ludwig von Mises já havia previsto em 1921 no “Socialism, An Economic and Sociological Analysis”. No mínimo demonstra que o Haddad nunca sequer abriu um livro sobre a escola austríaca. Claro, você não estabeleceu claramente essa relação de admiração… talvez seja por alguma outra razão.
3. Não sei não, Jair, esse seu parágrafo está uma confusão.
Primeiro, eu me considero um cidadão medianamente informado, e acho muito estranho essa afirmação de que a internet não tem força cultural. Afirmar isso ao mesmo tempo em que afirma que a importância é apenas política e econômica é até estranho vindo de você, depois de bater tantas vezes na tecla do materialismo dialético, apelar a isso para argumentar, e citar dois economistas que nadam de braçadas nessa doutrina, já que nela a cultura é tida como efeito da economia. Claro, é injusto assumir que você tenha uma consistência de opiniões. Você pode perfeitamente acreditar em idéias contraditórias se nunca confrontou-as antes.
Segundo, você condiciona a validade desse argumento à consistência no acesso à internet, e assume que qualquer cidadão medianamente informado concordará contigo. O problema é que não se encontra facilmente um único evento que tenha promovido alguma mudança cultural significante na humanidade que precisou do contato de todas as pessoas. Se você sabe de algum, estou curioso para saber qual é. Você está simplesmente apelando de novo à disputa de classes argumentando que algo não pode ser uma “força cultural”, seja lá o que quer dizer com isso, se estiver excluindo quem não tem acesso a um computador.
Terceiro, o que é óbvio para qualquer pessoa minimamente informada é que a internet tem uma grande influência cultural, positiva e negativa, seja através da homogeneização das culturas, seja através do intercâmbio e exploração. O problema é que você já montou uma bela defesa retórica disso em que assim como no artigo original você pode apelar à uma mera semelhança de grau, em qualquer influência cultural que reflita na política ou na economia, mesmo que seja completamente diferente em substância. Claro, em relação à educação seria mais fácil desviar disso, mas não quero lhe causar nenhum desconforto trazendo esse assunto à tona.
Por fim, fazendo exatamente isso de que me protejo acima, você foi aos poucos mudando a substância do seu argumento original. Você começou questionando o apoio ao movimento de software livre, que já provou nem saber o que é. Depois o objeto da crítica passou a ser todo o setor de TI. Em seguida o alvo passou a ser o elefante tateado pelos cegos, em que uma hora era toda a disciplina de ciência da computação, em outra os profissionais, depois o meio acadêmico, etc.
Previsivelmente, você soltou aquilo que parecia estar engasgado desde que apelou à luta de classes para pintar o movimento de software livre como expressão perfeita do capitalismo internacional: o alvo tornou-se a consistência no acesso à internet e aos computadores. Contradição das contradições em tudo que você escreveu até agora, o movimento de software livre busca apoio do Ministério da Cultura justamente para favorecer a inclusão digital, uma dessas maneiras sendo através dos softwares que podem ser usados e redistribuídos livremente, sem custos para o Estado.
Jair, lamento informar que você ficou correndo dando voltas até que finalmente mordeu o próprio rabo…
Olá Simone,
É com muito prazer e atenção que li a sua inserção, nesse debate, além de concordar com você em vários itens, senão todos. O mais importante deles, sem dúvida, foi você buscar dados concretos com o seu irmão que segundo disse é formado em Ciência da Computação e, num curto prazo, será um Especialista nessa área, através do doutorado na Suécia. Um ponto fundamental levantado por ele, é o fato de que a área em que atua está ligada a CIÊNCIAS EXATAS e, portanto, seu vinculo é com o MINISTÉRIO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA. Isso é um FATO, e não está sendo levado em conta por grande parte dos que aqui se posicionam; talvez por desconhecimento, ou então má fé. De uma maneira geral, a sua participação nesse debate foi muito produtiva por trazer informações importantes como, por exemplo, a ação do Diretório de grupos de pesquisa do CNPq, que desenvolve pesquisas com caráter multidisciplinar, envolvendo estudos em diversas áreas da ciência da computação. Um outro dado também de grande valia, é a informação de que diversos desses projetos têm como foco principal beneficiar a sociedade, em geral, resultando em inclusão digital.
É muito provável que grande parte dessas pessoas que estão discutindo (brigando e se ofendendo), embora fazem questão de mostrar algum conhecimento sobre o assunto, na verdade esse esforço é insuficiente não para esgotar a questão. Você demonstrou em pouquíssimas palavras e com muita precisão, o âmago de tudo o que está em jogo. Essa sugestão de seu irmão, de que o MINC e as demais áreas do Governo Federal deveriam buscar orientação sobre Software Livre, no Departamento de Informática da UFP (um centro de excelência) é muito importante porque, no mínimo, inibiria o que vêm ocorrendo aqui nesse fórum de discussão, onde diversas pessoas defendem posições, muitas vezes conseguindo confundir os demais, que por essa razão acabam comprando “gato por lebre”; impedindo, assim, o desenvolvimento da discussão.
Com relação ao seu espanto sobre as pressões que a Ministra, Ana Hollanda, vêm sofrendo diariamente, desde o momento em que foi indicada para a pasta, como também essa “crise” no MINC, que insistem em fazer parecer ser verdadeira, você pode ter à certeza que não se trata de uma “AÇÃO” do acaso, ou que não tenha um objetivo claro. Trata-se de uma ação combinada, ao que tudo indica, tendo dois objetivos: um deles é fazer aprovar, a qualquer custo, o Projeto de Lei PROCULTURA, hoje em tramitação no Congresso Nacional, que bate de frente com as metas de Desenvolvimento, Profissionalização e a Libertação da Economia brasileira do controle, estrangeiro, iniciado no governo LULA e agora, numa outra etapa, tocado por DILMA ROUSSEFF. Apesar de não ser do partido da Presidenta, Ana de Hollanda tem demonstrado nesses poucos meses mais afinada com essas metas do que muitos Ministros, de ontem e de hoje. Essa mesma equipe que forjou o ProCultura, hoje está fora do Governo e agindo com maior furor do que algumas “figurinhas” carimbadas da Oposição à Lula/Dilma.
Já o segundo objetivo, que conta com a participação velada de alguns setores da Grande Imprensa, é promover um desgaste do governo DILMA, mas que de certa forma esses dois objetivos acabam por se fundir.
Um abraço,
Suely Pinheiro – Jornalista – São Paulo/SP
Suely
Parabéns pelos seus comentários claros e objetivos.
Também louvo a Simone que demonstrou estar interessada em esclarecer e encaminhar soluções para o imbróglio que administrações anteriores do MinC criaram ao privilegiar uma ênfase na chamada “cultura digital”,ênfase que não se justifica.
A meu ver a política cultural do país devia partir do conhecimento dos índices de desenvolvimento humano da população e de sua realidade atual no que se refere a acesso à bens culturais.
Retomo com uma semana de distância respostas individualizadas para os debatedores que demonstraram alguma disposição de aprofundar os temas levantados no texto que dá origem a essa discussão – O MINC SUBTRAÍDO.
Jatobá, postado em – 15 março 2011 | 9:08
Sintomático o inicio de sua crítica ao texto saindo na defesa da gestão anterior, dos dois bons baianos GILBERTO & FERREIRA. Aciona uma visão antropológica, estrategicamente misturando samba, coco, Chico Science, só faltou mesmo lembrar o mangue pernambucano. Que que saiba essa pesquisa feita por artistas noutros ramos da atividade humana não vem de hoje. Mesmo na atualidade, artista que estão na “fita” já há mais de três ou quatro décadas buscaram não só inspiração, mas e principalmente elementos nessas novas atividades que resultaram muitas vezes em versões muito engraçadas e que abriram novos rumos nas artes brasileiras. Lembro “Pelo Telefone”, samba interpretado por Almirante, e mais tarde a música Sputnik, do bom baiano Gilberto Gil, mas preste atenção: ISTO NADA TEM A VER COM O TEXTO, e nada tem a ver com a invasão império-tecnológico patrocinada pelas corporações ligadas ao boom da NASDAQ. Isso tudo foi exaustivamente explicitado em outras intervenções.
Nem imagine falar em vanguarda comigo sem antes procurar saber de onde venho e ao longo desses mais de quarenta anos os experimentos dos quais fui protagonista. Adoraria que você tivesse estofo acadêmico para esculhambar meu trabalho e trabalhos de outros parceiros ao longo de minha vida profissional. Não se preocupe, não estou nem um pouco melindrado, um pouco decepcionado sim com a falta de conhecimento a respeito do tema que coloquei em discussão. Por outra, tudo se compensa com as brilhantes intervenções de outros debatedores trazendo a luz dos refletores os buracos da defesa intransigente dos nets. Que façam isso sim, mas em outra freguesia.
Valeu de qualquer forma sua participação. Prometo acompanhar quando tiver tempo os ensinamentos sobre os mais variados assuntos no seu blog.
Abraço
Jair A Alves
(*) Só não entendi a inclusão da questão ECAD (????)
O Software é livre, mas o Hardware custa caro, logo, o Software não é livre.
Bye
Jair, deixa de blefar. Que buraco da defesa? Você nem sequer defende os buracos dos seus argumentos e vem com esse tom agora?
Noutro forum, o mesmo texto foi assim discutido por Lama, persona do escritor Liy Sai Yam, que aqui já foi citado. Responde ele a uma indagação que fiz se está encerrada a polêmica entre os artistas e os virtuais. Ele responde assim:
Da Lama é barro. Barro quanto mais se pisa e bate, mais se presta a obedecer à mão humana, ao desejo de fazer, Ana Engelen. Se considerar nossas observações sem pertinência, pode bater à vontade. Até gostamos.
Daqui do nosso ofício, da nossa lida até bem “modernizada”, em que se usa torno elétrico para modelar e forno elétrico para queimar a argila, a observação é sobre os efeitos de expectativas trazidas por tecnologia, não só ferramental como também comercial e logístico, que é até uma representação dos conflitos globais mais complexos simplificados no encontro entre o fazer e vender ligados ainda ao “mais natural” e novas modalidades ligadas ao “moderno”, que introduz expressões como otimização, motivação, racionalização e tendências de mercado.
Não entrando no mérito de que se era melhor ou pior, o fato é que indicam trajetórias reais que vão orientar o desenvolvimento de todas as modalidades de produção cultural. As teias relacionando arte, cultura e particularidades regionais cada vez mais serão mediadas por intercâmbios mais abrangentes, urbanos, técnicos.
É esta a dúvida, se está no âmbito do ministério da Cultura participar também de alguma forma na negociação menos tensa entre visões “arcaicas” e “contemporâneas” nas áreas de produção e comercialização, em que o moderno (com maiores recursos) absorva o “arcaico” sem lhe dar tempo de fazer uma transição cultural a ele compreensível. O que esperamos, e não sei se é impertinência de alçada, é supor um ministério que medeie as especificidades do fazer natural e as tecnologias de ponta, na proposta prática de que o santeiro do Vale de Jequitinhonha tenha relevância tanto quando o webdesigner da avenida Paulista
Desenvolvendo mais um pouco.
O santeiro do Jequitinhonha, a rendeira de Jaguarauna, o redeiro de Tacaratu, a cesteira de Sobral, vivem modernização a toque de caixa promovida pela indústria do turismo e da atração pelo artesanato “autêntico”, que levam ao aparecimento de intermediadores do mercado interno e externo e ongs empenhados na divulgação do cultural/folclórico regional, surgindo com isso até uma espécie de “corrida ao ouro” a cidades e vilarejos interioranas distantes onde se possa com mais facilidade arregimentar mão de obra artesã com a finalidade de pagar 2 reais e vender por 100.
Fundações “sociais”, “parceiros”, vasculham sertões e vales em busca de polos arcaico de artesanato, monoculturas do fazer manual atávico e tradicional. Orientam produções, impõem exclusividade, estampam logos socialmente engajados ao estilo “comunidade rendeira da mulher cearense”, “cooperativa de artistas de areia engarrafada”, “associação dos escultores de madeira do baixo São Francisco”. Constroem galpões, financiam equipamentos, fecham a produção, estabelecem remunerações, embarcam a produção em trucados e carretas, distribuem a produção com lucratividade espantosa nas butiques de artesanato em shoppings e bairros de alto padrão das grandes capitais. Contam ainda com espaço generoso em programas de TV para divulgar o empreendimento social-filantrópico. Serginho Groissman e Ana Maria Braga são especialistas nessa modalidade de exaltação da riqueza criativa das populações pobres, mas autênticas.
Fundações sociais são um ovo de Colombo do baixo investimento e alto retorno. Tiram sua casquinha na renúncia fiscal e é difícil reclamar delas, do mesmo modo como é difícil reclamar de trocas livres na rede. Representam aparentemente inovação contra a estagnação secular dos artesãos do barro, do bilro, das trançadeiras. Abrem novos mercados, fazem circular produtos, capital de giro, instalações e galpões, injetam ânimo e dinheiro na comunidade, promovem centralização, entrepostos, fluxo de caminhoneiros e fluxos de caixa. Racionalizam e garantem o consumo. Ingratidão seria queixar-se desse bafejo de modernidade e eficiência. Nenhum artesão vai questionar os benefícios trazidos pela filantropia social-comercial, ao contrário, vai botar a família toda na produção e dar graças pela melhoria de sua situação antes precária.
O “pedágio” é que é obsceno. A “cooperativização” ou “onguização” contorna entraves trabalhistas, leis da CLT, previdências. É comércio perfeito, compra-se aqui, vende-se lá, reinveste-se o lucro e vai-se às TV’s usufruir das loas por empreendedorismo socialmente comprometido e politicamente correto. A perversidade da exploração do trabalho arcaico em sistemas distributivos modernos dissimula a padronização e intimida a crítica. Ao mesmo tempo, solapam aos poucos a inspiração livre, as escolhas culturais, a tradição e o imaginário. Determinam figuras, formas, propósitos, cores e materiais. Trabalham tendências, como em sistema pret-a-porter, atrelando a criação popular, telúrica, simbológica e sacra nos limites da oferta e da procura. Crianças que mal sabem ler sabem o que “vende” e o que “não vende” lá no sul. Serializa-se o que era expressão, manifestação atávica, condiciona-se o propósito do fazer ao propósito de vender e um vendaval do produzir frenético tudo o que se pode apurar cinco reais a peça, ou o jogo. Havendo cem produzindo em lugar de dez ou vinte, naturalmente (aula sobre a lei oferta e procura, benefício adicional aos arcaicos) não haverá como pagar os cinco reais originais. A filantropia se verá forçada a pagar somente dois e cinquenta, para poder ampliar os benefícios para mais gente. Com mais gente se beneficiando dos dois e cinquenta, evidentemente não se poderá pagar mais de um e cinquenta. Afinal, há de se construir novas instalações, ampliações, custos de transporte, despesas administrativas….
O vilarejo se modernizou. A concorrência se estabelece. Haverá os mais hábeis, os mais rápidos, os mais espertos, os menos exigentes. Vizinhos olharão vizinhos com indisfarçado rancor. Um já fazia escultura de gerações atrás, o outro embarcou na onda por oprtunismo, atrás de dinheiro fácil. Surgirão negociações “paralelas”, descontos e “molezas”. Outros inventarão formas de incrementar a produção caseira. Farão mais em menos tempo e poderão cobrar menos. A inspiração já se perdeu, a inventividade e o prazer de fazer só fará sentido para ociosos e indolentes. O último artesão romântico embala sua maleta e vai para a capital tentar a sorte na construção civil ou nos balcões de bar. O trabalho social-filantrópico se consolida e triunfa. Há pretas decotadas de busto grande e bocas pintadas, esculpidas em madeira ou modeladas em barro, na Vila Madalena e em Copenhague. A cultura popular brasileira é a mais inventiva do mundo.
Talvez esta pequena parábola sirva para outras atividades. Música, teatro, circo, desenhos, pinturas, livros, cinema.
Ou Da lama está sendo negativista e arcaico, prezada amiga Ana Engelen? Ou está contando demais com o minC?
Ana Engelen
Excelente esse texto de Liy Sai Yam.
Esse processo de apropriação da nossa arte e artesanato popular está avassalador e tende a descaracterizálos. Muitas técnicas e saberes vão desaparecendo em função da pressão externa e da demanda por produção em série, dirigida de fora.
No Estado de Quebec, no Canadá,a Secretaria de Cultura desenvolve um trabalho muito interessante no sentido de preservar a arte e o artesanato popular, exatamente em função desses problemas citados por Liy Sai Yam.
Olá, Simone.
Eu não iria mais comentar aqui, mas não pude deixar passar em branco esta oportunidade. Saiba que eu fui estudante de computação na UFPR, ou seja, não foi meu irmão nem ninguém que me repassou informação nenhuma não. E tenho vínculo com esta instituição até hoje, portanto falo por experiência própria que o que você relata sobre a UFPR não faz o *menor* sentido. Já são parceiros do MinC há **anos**, e não é por imposição de ninguém que fazem isso, é porque **GOSTAM**, porque sabem que a cultura e o software livre tem muito em comum, porque querem evoluir para além da estigmatização de rótulos dicotômicos que se impõem a “técnicos” e “artistas”. Sabem que podem ser híbridos. Teu irmão vivia em que mundo para não saber disso?
http://wiki.softwarelivre.org/VilaTorres/Apresentacao
http://www.secretariageral.gov.br/.arquivos/monografias/Andre%20Luiz%20Fernandes%20Andries.pdf
http://issuu.com/ufprdigital/docs/nu_maio
http://www.revistailhadomel.com.br/culturaviva1.html
http://www.aen.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=16097
Então para que o nível deste debate possa se elevar, te peço uma gentileza: poderias por favor te identificar melhor para sabermos que você não é apenas uma sock puppet? Eu sou de Curitiba, portanto, tendo ao menos o link para um site, blog, ou tendo ao menos o teu sobrenome, poderei confirmar se você existe no mundo real ou não. Caso contrário, nem valerá a pena debater.
O mesmo peço à Neuza programadora, cujo jeito de escrever (até na pontuação!) é estranhamente igualzinho a de outros comentaristas.
Grata,
.f4bs
em tempo: não sou contra que outros ministérios também contemplem a questão das mídias livres (software também é uma mídia). O que acho é que não se deve restringir apenas *UM* ministério para tratar de certos assuntos. Por exemplo, eu acho que os assuntos de cinema não deveriam ser tratados apenas pelo MinC. Deveriam também fazer parte das discussões do Ministério da Indústria e do Comércio, afinal de contas, são várias as modalidades do audiovisual, e o cinema-arte não é a única delas. O cinema também pode ser uma indústria. Lá fora é, porque aqui ainda não é? Um pode conviver com o outro sem problema nenhum, assim como o artesanato também deveria ser contemplado pelo MinC. Onde já se viu artesanato ficar restrito apenas à regulação da indústria e do comércio sem ter conexão com a cultura? Isso é absurdo.
Chega de escassez, viva a abundância! Chega de dicotomia, viva o infinito que existe entre o zero e o um! Não é porque escolho um que devo necessariamente eliminar outro. Viva a convivência entre as diversidades, viva a cultura VIVA!
Tecnologia da Informação em si é assunto mais afeito ao MCT e à Indústria e Comércio.
Impactos da Tecnologia da Informação na forma como as pessoas vivem — em seus hábitos, meios de expressão, de associação etc. — são, sim, assunto que cabe o MinC.
Impactos da TI na criação e distribuição de arte são, sim, assunto que cabe ao Ministério da Cultura.
Desculpem-me, mas é uma obviedade.
Concordo com os que resumiram a história assim: os artistas, produtores culturais e intelectuais há tempos atendidos pelo MinC passaram a ter novos concorrentes de atenção e recursos. Claro que não gostaram disso. Claro que fazem pressão para reter o máximo de seu velho quinhão.
Por outro lado, muitos ativistas digitais se sujaram na política mesquinha, parte deles com boa intenção, acreditando que podiam mudar a sociedade pelo caminho do Estado, sem perceber o jogo demagógico e que estavam sendo feitos de massa de manobra em disputas que nada têm a ver com cultura, democracia, interesse público.
Ativista digital daqueles bem idealistas, cultuando, antes de tudo, os princípios fundamentais do software livre, não confia no Estado. É anarquista.
Quanto o artigo em questão, do Jair, achei-o desinformado, paranoico e pernóstico. Vou citá-lo — e muitas vezes — como exemplo de algo ruim e preconceituoso. Comete equívocos básicos quanto ao Software Livre e as alternativas ao copyright, apela para aquele papinho macartista de “inimigo externo de interesses inconfessáveis” e ainda põe que cultura de verdade é a produção artística profissional. Triste.
Brilhante sua intervenção Sergio.
O caminho para o debate deveria ser por esse viés.
jornalista Suely Pinheiro e produtora cultural
Nem Simone, tampouco Neuza, responderam com algo que validasse suas identidades até agora. Estranho, não? Será que estas mulheres existem mesmo, ou são apenas identidades falsas feitas apenas para reforçar idéias de um único indivíduo? Usar de falsidade ideológica nos comentários só faz denegrir a reputação dos textos por onde eles se inserem.
Senhor ou senhora f4bs
Costumo não responder a fakes, principalmente quando o individuo usa desse recurso para ofender gratuitamente que pensa de maneira diferente. Neste caso estou abrindo uma exceção porque sua contradição é muito grande. Observe:
1- Você foi o primeiro a se manifestar, basta ver a lista das intervenções. Leia você mesmo o que escreveu e veja se tem alguma autoridade para exigir alguma coisa de quem quer que seja. Eu não conheço Simone ou outro participante, até porque foram muitos ao longo dessas três semanas, mas o que ficou claro é que os Nets (e os classifico assim porque assim os vejo) não justificaram porque pretendem invadir de forma tão contundente um espaço institucional que tradicionalmente foi ocupado por diversos setores das artes (e não somente das artes), estudiosos, administradores, gestores culturais ao longo da história de nossa recente República;
2- Entre a publicação deste tópico e o momento presente muita coisa aconteceram em função não só desta publicação, mas da disposição desses mesmos setores citados acima de saber o que verdadeiramente estamos vivendo. A saber:
a) Pouco mais de uma semana depois fui convocado para participar de uma reunião na FUNARTE/SP onde aconteceu um embate entre os representantes do MINC e expoentes do movimento Cultura Digital. Resolvi não fazer nenhuma interferência por dois motivos. Primeiro porque não sou deste movimento e muito menos funcionário do MINC ou FUNARTE. Acho que o melhor a ser feito seria ouvir tudo que pudesse ser dito e refletir posteriormente, já que nada que pudesse expressar ali mudaria a ordem dos fatores e também o resultado, quando muito aumento da tensão, nada mais;
b) Muita gente foi pega de surpresa com a disposição do governo, de ceder a determinadas pressões acolhendo o que para mim não tem outro nome a não ser “chantagem” (*). A jornalista Suely Pinheiro foi também ao encontro na condição de produtora artística, mas abriu também mão de sua intervenção e optou por exercer sua função principal que é jornalismo. Esse gesto resultou um texto que você pode consultar. Desde encontro também se sabe que foi produzido um registro em vídeo que estamos esperando seja publicado. Prova maior do embuste que tem sido esta invasão (ainda sob minha ótica e tão-somente, não falo em nome de ninguém a não ser o meu próprio), seria esse vídeo onde podemos ver a performance de dois desses expoentes. Ninguém desmentiu o que a jornalista publicou como reportagem. Um dos citados sim esbravejou, ameaçou, chamou de sacana, a autora da matéria, falou que a filha tem o mesmo nome da filha do secretário Executivo do MINC, mas não explicou porque seu gesto de “pedir explicações” porque o governo Dilma não está “honrando” compromissos de campanha. Pior comparou-se a John Reed quando este extraordinário jornalista cobriu a Revolução Russa de 17. Reed jamais pediu qualquer favor ao governo revolucionário posteriormente, até porque seria fuzilado. Sem mais comentários a respeito;
c) Fui pego de surpresa quando na fala inicial Vitor Ortiz disse claramente que o MINC iria honrar o convenio com a Universidade Federal do ABC. Pergunto senhor ou senhora f4bs: que convenio é esse? Quanto custa ao MINC num tempo de vacas magras. Você que está pedindo crachá de Simone, Maria Clotilde, Manoel Joaquim, acusando-os de ser uma mesma pessoa porque não se presta um serviço mais objetivo para todos nós explicando que convenio é esse?
(*) Porque o governo pode se sentir chantageado? Porque optou por não polarizar publicamente ação de qualquer um dos ministérios colocando em lados opostos gestões de Lula e Dilma. É uma opção política geral que pode ser revista dependendo da gravidade da situação. Anteriormente Lula (e fatalmente) optou por substituir os Ministros que saíram para candidatarem-se a cargos públicos os seus imediatos (secretário executivo). Essa medida geral resultou em Elenice Guerra. Preciso dizer mais alguma coisa?
Oi Amigo,
Vou discordar!!!
Eu é que fico surpresa, ao tomar conhecimento desse seu depoimento. Você acha justo e correto que o MINC não cumpra compromissos já acordados, como parece ser o caso desse convênio co a Universidade Federal do ABC??? Eu não concordo com isso. Penso que compromissos devam ser cumpridos, sempre.
E não seria Erenice Guerra?
Compromissos assumidos pelo Juca Ferreira deveriam ser todos encaminhados à Polícia Federal. Sobretudo esse do ABC, que é um crime contra o Erário. R$ 6,5 milhões para que? Software Livre, ou campanha #ficaJuca?
Caro (cara) Genor,
Você tem toda razão e concordo plenamente que a gestão sucedânea deva honrar compromissos já contratados, por outro é dever eleger prioridades na sua gestão, do contrário vai ficar engessado por “pegadinhas” montadas voluntária ou involuntáriamente. Acho mesmo que internamente isso está sendo discutido e quando o atual MINC julgar necessário isso virá a público. SÓ QUE EM VERDADE O ASSUNTO TRATADO NO ITEM C É OUTRO. VEJA:
A maioria das críticas feitas a atual gestão vem acompanhada de justificativas que acusam um Retrocesso. Isso tem funcionado com um mantra, ou não? É só ver a cronologia da campanha. Eu pergunto porque no caso do MINC assumir publicamente um projeto em andamento da gestão anterior, porque o pessoal da Cultura Digital não toma a iniciativa de explicitar o que esse convênio tem de importante e qual o seu custo? Por que se “fingiram de mortos”?
Quanto a Erenice, claro, você tem razão, é a pressa e o descuidado imperdoável na redação da msg. Sem contar erros de concordância que cometi. Como esse site não permite correção deixei assim mesmo.
Obrigado pelo retorno.
Sr. Jair, em nenhum comentário meu escondi links que comprovassem referências à minha pessoa nas redes. Para tanto, é só clicar no meu nick, ou procurar por ele no google. O primeiro resultado já lhe indicará meu nome completo, com o qual podes buscar a referência que quiseres. Não entendo, portanto, sua má vontade em aceitar que eu existo sim, e que sou um ser de carne e osso por trás destas palavras. Coisa que as duas Senhoras ou Senhoritas acima mencionadas não se deram sequer o trabalho de fazer.
Sobre ter autoridade ou não, minha solicitação independe disso. Ninguém precisa provar autoridade alguma para querer saber se alguém existe no mundo real ou não. É uma solicitação justa.
Sobre teimar em “invadir” o tal “espaço institucional que tradicionalmente foi ocupado por diversos setores das artes”, quem não se deu sequer ao trabalho de ler as referências que lhe foram enviadas foi senhor. Portanto, desnecessário ficar me repetindo.
E sobre os demais questionamentos, não estive na reunião, portanto não posso falar do que não vi ou do que vi apenas parcialmente. Tudo que sei é que são pessoas com extremo conhecimento de causa. Da Federal do ABC sei menos ainda. Porém, salvo se mostre desvirtuação de projeto ou algo ilegal nos tramites do mesmo, não vejo porque o MinC não deva honrar com qualquer um de seus compromissos assumidos.
“Tens razão, não tens razão” escreveu Machado de Assis no final do século XIX.
Tens razão em dizer que tem nome e endereço, portanto de carne e osso, disso eu sei, do contrário não estaria considerando talvez o trabalho de artista “o caralho”, como se expressa com cordialidade na sua primeira inserção (é só subir o cursor e ler o que escreveu).
Não tens nenhuma razão ao achar que o ambiente profissional das artes e cultura é casa da Mãe Joana, não é. Quem está chegando a discussão são vocês e não os artistas e estudiosos da matéria. Portanto um pedir licença não atrapalha nada, pelo contrário produz simpatia. Você mesmo diz que desconhece o convênio entre MINC e Universidade Federal do ABc. Veja só, você que ao que tudo indica se relaciona com a atividade principal do que se autodenomina Cultura Digital, nada sabe, imagine só quem está engajado, desgraçadamente eu diria, no teatro, dança, circo, artes plásticas, literatura, música e dezenas de outras formas de expressão? Entrei sim, agora a pouco, por dever profissional nos seus links, só que a informação que procurava não encontrei. Seria talvez mais civilizado que explicitasse nome e profissão. Isso afinal não é uma competição estudantil, é uma discussão que se pretende séria.
Uma correção, mídia, por sinal equivocadamente considerado veículo de comunicação, na pratica não é atividade artística, nem cultural. Nem internet é cultura – é plataforma de expressão política. Se você fizesse um discurso todo em verso eu posso considerar se tratar de literatura (poética) do contrário é panfletagem como faz o guru da cultura digital no Brasil – o espetacular Sergio Amadeu Silvera, que conheci como coordenador de programa de segurança para o candidato José Dirceu ao governo do Estado de São Paulo em 1986.
um abraço e sinceramente agradeço pelo retorno
Queridos leitores. Estou encerrando os comentários deste artigo. Acredito que a discussão não tem fim e pode ser atualizada nos posts mais recentes. Abs, LB