Cultura e Mercado

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  • Mudanças culturais

    Os resultados do primeiro turno da eleição para Presidente da República acabaram trazendo à tona questões fundamentais para a vida futura em nosso país e no planeta Terra. Os temas ambientais e ecológicos impuseram-se a partir das escolhas feitas pelos eleitores e exigem agora compor a agenda política de quem pretende se eleger.

    Quando falamos hoje de futuro isso implica em considerar um futuro próximo – dias, meses, alguns anos – ou um futuro distante – décadas e séculos. O futuro imediato está presente nos discursos e nas decisões de candidatos e de inúmeros administradores. O futuro distante ainda precisa ser melhor compreendido e qualificado. Não bastam medidas paliativas e pontuais que já se mostraram insuficientes e pouco modificam o desenrolar dos acontecimentos e os rumos da História.

    Pensar o futuro com a perspectiva de possibilitar às futuras gerações uma vida mais integrada à natureza, na qual prevaleçam o respeito e um senso mais amplo de responsabilidade social, pressupõe mudanças profundas. Trata-se de uma mudança cultural, através da qual conceitos tidos como óbvios e fundamentais para o desenvolvimento econômico e social precisam ser revistos e superados.

    O conceito de “exploração”, por exemplo, dos recursos naturais e dos recursos humanos, tão estudado por filósofos e sociólogos, e uma das molas propulsoras da evolução da sociedade capitalista, atingiu o seu ápice. Seja no sentido positivo em função dos inúmeros produtos de consumo à disposição de grandes parcelas da sociedade, seja no sentido negativo, com a degradação do meio ambiente e as alterações radicais das condições climáticas e suas trágicas conseqüências. Desse modo, o “progresso” visto até então como uma linha reta sem fim pode em breve topar com o apocalipse.

    “Consumo”, “conforto” e “crescimento econômico” são outros conceitos que precisam ser reformulados e reassimilados não só pelos dirigentes públicos, como também por toda a população. Essas mudanças culturais apontam para a compreensão de uma interdependência evidente entre a natureza e as atitudes humanas. Nesse sentido, as meras explicações científicas, burocratizadas, alarmistas e insensíveis dos fenômenos climáticos pouco adiantam para a disseminação de uma nova maneira de se ver e de se estar no mundo. Os nossos sonhos, desejos e ações devem adaptar-se urgentemente a esta realidade, e não apenas temê-la.

    Nossa dependência cada vez maior da energia elétrica e similares para abastecer celulares, computadores e congêneres, além da necessidade incessante de veículos automotores e do petróleo, nos coloca frente a perigos ainda inimagináveis. Sabemos que há muitos interesses em jogo, por isso as mudanças culturais que estão por vir devem encontrar inúmeros obstáculos. Não temos escolha, senão enfrentá-los para nos livrarmos do espectro de catástrofes iminentes.

    Em um poema autobiográfico, Bertolt Brecht nos alertou: “destas cidades restará somente o vento que as atravessa”. Imaginar o futuro distante significa, portanto, criar utopias e acreditar nelas.

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    Comentários

    1. Daniela Lima disse:

      Sim, precisamos de um pensamento atemporal no cotidiano da humanidade, urgentemente. Para isso, acredito que devemos mudar nossos hábitos e resgatar a cultura como ferramenta de conscientização coletiva. Outro ponto importante é acreditar nas futuras gerações e destruir velhos valores que só nos levam a obstáculos.