Cultura e Mercado

desde 1998 | para quem vive de cultura

  • Financiamento coletivo de livros. Vai funcionar?

    A moda do financiamento coletivo de espetáculos, que já existe no Brasil, tem sido experimentada em outros países para o financiamento de livros.

    Por esse esquema, os fãs de uma determinada banda contribuem com uma quantia em dinheiro para financiar a vinda do espetáculo e são reembolsado com os resultados da bilheteria, em vários casos recuperando totalmente o que investiram – que é pouco – e assistindo o espetáculo de suas bandas preferidas.
    Já existe quem tente levar o mesmo esquema para a edição de livros.

    O Publishing Perspectives do dia 2 de setembro relata, em um artigo com o provocador título de “Autores Nus em Cena” o caso da inglesa Unbound, que organiza em Londres, no próximo dia 12, um evento ao vivo no qual os interessados poderão “investir” em uma seleção de livros escritos por autores, alguns dos quais já famosos tanto no mundo editorial quanto em outras áreas, como é o caso de Kate Mosse (Trilogia Languedoc, publicada aqui pela Suma de Letras – Objetiva) e Tibor Fischer (Adoro Morrer – Rocco), finalista do Man Booker Prize. A esses dois se juntarão escritores desconhecidos e estreantes no evento Unbound Live.

    Certamente Mosse e Fischer não estão atrás de financiadores para seus romances. Mosse pretende publicar um livro de história regional com esse financiamento. Fischer que publicar um par de contos como “uma joia de presente de Natal”. Outro “famoso” presente é Terry Jones, um dos Monty Python, que já financiou um livro nesse esquema.

    Unbound é iniciativa de John Mitchinson, nome bem conhecido no mercado editorial e na televisão inglesa. Foi um dos diretores da cadeia de livrarias Waterstone, passou por várias editoras e hoje dirige um programa de sucesso na BBC.

    Segundo a Publishing Perspectives, Mitchinson abraçou a ideia “a partir da frustração com o mundo editorial, tal como atualmente está estruturado. Achamos que deve haver um modo melhor de publicar livros.” Segundo Mitchinson, isso passa por deixar os leitores terem um papel mais ativo nessa decisão. “O problema fundamental com o mundo editorial é que este evoluiu para não ter contato direto com os leitores. Evoluiu para ser uma indústria de serviço para os vendedores de livros”.

    Bem, o unbounk.co.uk por enquanto tem apenas 5.500 inscritos, com diferentes níveis de apoio. O apoio “básico” custa 10 libras e o investidor tem seu nome inscrito no e-book e tem acesso à “choça” do autor, onde verifica o andamento da obra e lê excertos exclusivos. O investimento de 250 libras dá direito a dois convites para a festa de lançamento, almoço com o autor e os fundadores do Unbound em um restaurante escolhido pelo autor, duas bolsas de “lembranças”, duas primeiras edições com dedicatória e dois e-books, com o nome do doador, além, é claro do acesso à “choça”.

    Segundo Roger Tagholm, autor do artigo, já existem várias iniciativas disso que em inglês é chamado de Crowdsourcing Funding Online, como Kickstarter.com, Indiegogo.com e invested.in (esse site faz crowdsourcing para um monte de coisas, inclusive serviços dentários!).
    Quem se habilita por aqui?

    Tags:, , ,

    Comentários

    1. Acho que o primeiro passo é saber como a CVM – Comissão de Valores Mobiliários vai se pronunciar sobre isso. Não é tão simples, não é NADA simples. Se você oferece contrapartida em livros ou participação nos lucros, teoricamente, estaria infringindo a lei. Pretendo ficar fora disso enquanto a CVM não se manifestar a favor.
      Cesar Oliveira – editor
      Pábola – Casa Editorial
      LivrosdeFutebol.Com