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A cultura de Lula

| sábado, 2 janeiro 20108 Comentários

Foto: Luciano Joaquim
Encarregado de proteger o patrimônio material e imaterial da sociedade, o acervo dos seus criadores, a produção dos seus artistas consagrados e dos seus artistas emergentes, o MinC, entregue por Lula à Bahia em Ministério, Fundação Palmares, Biblioteca Nacional, Secretaria de Audiovisual e quejandos acertou pouco e se perdeu no principal.

A demanda era enorme. E centenária. Os centros históricos brasileiros estavam infestados de cupins e crack. Continuam. A memória escrita, visual e iconográfica do País estava perdida, se perdendo ou ameaçando se perder. Continuam. A Lei Rouanet era imprópria à democratização cultural que os ministros Gil e Juca prometeram. Continua em vigor no penúltimo ano do ministério. E o vale-cultura sofre de pequenez intelectual.

O MinC fez blábláblá, palavra de ordem e congresso de Ibiúna em excesso, muito discurso e pouquíssimas ações numa Aldeia Global onde ação e discurso estão inseparáveis e onde cultura é marcação de território com urina. Investiu horrores em cinema, mas nada nos teatros que formatam os atores que o cinema precisa, e coisa nenhuma na leitura que formata espectadores de cinema, de teatro e de brasileiros menos violentos, ignorantes e consumistas.

Para além do blábláblá, fez os pontos de cultura, sua melhor idéia, ousada, moderna, capaz de tornar o Brasil intelectualmente maior e geograficamente menor, quando funcionar… Para que funcionem, os pontos precisam de artistas e pensadores que os recheem de conteúdo, porque sem conteúdo eles não servem pra nada… Além disso, o MinC não pode ser acusado de nepotismo porque Salvador, criadora de culturas originais, por natureza, capital ou terra natal dos gestores que passaram ou estão no Ministério, encontra-se em estado de penúria criativa.

Aninha Franco

Dramaturga, escritora e gestora cultural, Aninha Franco é cronista cultural, em Salvador (BA). Para mais artigos deste autor clique aqui

8 Comments »

  • Carlos Henrique Machado disse:

    Aninha.
    levantar esse bordão “A CULTURA DE LULA” acaba por criar fábrica de determinada máquina de espuma.

  • De fato o Lula tentou encontrar um caminho para democratizar a cultura mas se perdeu no seu histórico de operário e não intelectual. Teve boa intenção, na minha opinião, mas pouca estrutura de pensamento para dar a cada um o que de fato lhe cabe. Dar espetáculos a quem não sabe apreciar ou não pode entendê-los não faz sentido e se hoje a democratização cultural discute os meios de formação de público e da produção cultural, fica claro mesmo que antes de levar espetáculos prontos à periferia as escolas de lá deveriam ao menos formar adolescentes descentemente alfabetizados. Antes disso realmente a classe média é melhor público para assistir a estes espetáculos… Alfabetizar descentemente deveria ser a primeira prioridade do ministério da cultura aliado ao ministério da educação… E assim vai…

  • Fernando disse:

    A velha e boa mania da “classe média” brasileira de olhar só pra si.

  • eduesteves disse:

    Cada classe social tem sua própria cultura.
    Em minha opinião o ideal seria que cada um pudesse desenvolver a sua, ate se juntarem em uma grande obra cultural que realmente enriquecessem a cultura humana.
    Parabéns Fabiola Zanetta pela sua opinião.
    Realmente com este bando de idiotas fica difícil.
    Os militares mataram as idéias.
    Os outros tamparam o nariz.
    E o Lula só foi ate a porta do teatro, chamar o artista de viado, cuspindo farofa da quentinha do sindicato.
    Foi implantado aqui no Brasil a política do pão e circo, e do deus Dara.

  • Naiara disse:

    Acredito na cultura como forma de engrandecimento da nação. Entretanto “passeio” neste meio político e sei, que não por “maldade” (as vezes sim), os interesses são outros.
    A gente quer investimentos em arte, mas esquecemos que “falta” dinheiro para a saúde pública e alimentação de muitas pessoas. O foco governamental… de Lula ou qualquer um… é outro e não poderia deixar de ser. Não é só o governo federal que patina neste área, todos moramos em municípios e sabemos disto.
    Devemos continuar criticando para que essa visão mude… a de que saúde se trata com remédio e não com investimento em informação/cultura.

  • gil lopes disse:

    Interessa saber o que acontece com a nova plataforma em ação, como vamos nos organizar para rapidamente, e já atrasados, nos inserirmos no processo de acumulação de riqueza decorrente da utilização do meio digital na música. E a classe média precisa novamente acordar e tomar o seu papel histórico de vanguarda no processo. É isso!
    Quanto a lei Rouanet eu acho uma beleza que ela exista, um país como Brasil, que quer mais, tem que ter instrumentos para viabilizar a sua produção cultural. Com as correções de caminho necessárias…alo alo, artigo 18 para a literatura!!!lusofonia! atenção com a lusofonia!
    A bomba explodiu e não se dão conta mesmo, não se trata do assunto, a música brasileira está silenciada, sem capacidade de reprodução, divulgação e geração de riqueza…o resto é bla bla bla…oi skindô, oi skindô!
    Digitalizar a música brasileira, monetizar sua circulação. É o que cabe a classe média agora! Chega de divertimentos e embasbaquices com a nova cultura, ação!

  • Sueli Mousquer disse:

    Que pena aínda ouvir de pessoas que fazem a cultura do nosso País se referindo ao nosso ilustre operário Lula, a incapacidade de entender de cultura.Quanto preconceito!
    Será que não está nos produtores de cultura o problema de não avançarmos mais?Qual cultura?A classe média quer é ficar rica, alguém já disse.
    Será que os intelectuais franceses que adoram nosso presidente também são ignorantes culturais?
    Vamos parar de brigar contra os que tem menos. Temos que disputar com os ricos de dinheiro;

    Sueli Mousquer

  • gil lopes disse:

    Mas qual é o problema em querer ficar rico? Todo mundo quer ficar rico, e é pra querer mesmo. Se querer ficar rico depender de grandes e boas ideias que contribuam para melhorar a vida das pessoas, criando emprego, renda, impostos, etc…querer ficar rico é legítimo e muito bom sinal…em qualquer classe. Joaozinho 30 já disse: quem gosta de miséria é intelectual…
    A lei Rouanet brasileira é um diferencial, um marco. Dá inveja noutros países que não tem um instrumento desses. E vem melhorando muito.

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