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Ana de Hollanda faz balanço de 3 meses de gestão

| segunda-feira, 28 março 201113 Comentários

O jornal O Estado de S. Paulo de domingo (27/3) traz a ministra Ana de Hollanda na capa e no caderno Cultura. A ministra faz um balanço dos primeiros 3 meses de administração, afirma que o jogo “está sendo mais violento” do que imaginou e comenta o episódio envolvendo o blog da cantora Maria Bethânia: “uma tempestade em copo d”água”. Garante que a ação do governo em relação aos direitos autorais terá como limite a não intervenção nas relações contratuais privadas.

Confira a íntegra publicada no jornal:

A senhora até agora falou pouco e ouviu muito. Está sendo um começo difícil?
Qualquer anúncio de mudança gera insegurança. Por mais que tentemos esclarecer que estamos estudando as questões, as pessoas querem respostas imediatas. Aí começam a sair versões do que poderia estar certo ou errado. Eu nunca tive uma situação como temos agora, de sentar para responder.

Qual foi sua primeira impressão ao ler o projeto de lei do ex-ministro Juca Ferreira, que pede mudanças na atual lei dos direitos autorais?
Aquela proposta me assustou um pouco. O direito do autor está previsto na Constituição, é uma cláusula pétrea. Ele tem que ser respeitado. Comentava-se muito no meio cultural que as mudanças estavam deixando o autor em uma situação frágil em vários aspectos.

Por exemplo?
Quando se falava das cópias de um livro, por exemplo. Se essa obra for editada sem autorização, pela lei vigente, a obra seria recolhida e o infrator pagaria uma multa de, se não me engano, o equivalente a 30 mil cópias. A proposta de reforma já falava em multa de até 30 mil livros. Ou seja, a multa poderia ser de um, dez ou 30 mil. São detalhes que deixam o detentor dos direitos em situação frágil.

As mudanças da lei propostas por Juca davam ao presidente da República poder para conceder os direitos de obras em casos especiais. A senhora já retirou esse poder do presidente e o repassou ao Judiciário. Qual é o limite da participação do Estado em questões ligadas aos direitos autorais?
Sinto ainda que existe uma interferência muito forte do Estado no projeto de lei e isso, de uma certa forma, vai infringir a Constituição. O direito de associação de artistas é permitido pela lei, é livre. Então o intervencionismo do Estado (na fiscalização do Ecad) é muito complicado. Mas entendo que é necessário haver, sim, uma transparência para os autores sobre seus rendimentos.

A senhora está dizendo que o Estado vai fiscalizar o Ecad?
Eles devem apresentar um balanço público (sobre o que arrecadam em direitos autorais).

O que a senhora discutiu com o secretário do comércio dos EUA, Gary Locke, durante a visita de Obama ao Brasil?
Ele estava muito preocupado com a questão da liberação dos direitos. De como a flexibilização no direito autoral pode acarretar mais tolerância com a pirataria. Isso não preocupa só os americanos, preocupa nossa indústria cinematográfica, editorial, fonográfica. Estão com medo de que essa produção seja fragilizada. É muito preocupante essa possibilidade de a gente liberar para o mundo nossa produção. Isso pode desestimular os artistas. Por que vão editar obras no Brasil se o Brasil não as protege?

Foi pensando assim que a senhora mandou retirar o selo do Creative Commons, que propõe maior liberdade nos licenciamentos de obras artísticas, do site do Ministério da Cultura?
Eu achei muito estranha a gritaria que esse caso criou. Aquele selo era uma propaganda dentro do site do MinC. Não existe a possibilidade de você fazer propaganda ali. A responsável agora sou eu e eu não podia permitir que isso continuasse.

A decisão da senhora então não foi ideológica?
Não, foi administrativa.

Então, ideologicamente, o que a senhora pensa dessa nova relação de direitos autorais proposta pelo Creative Commons?
A questão que me preocupa é que a concessão de direitos no Creative é irreversível. Há sempre um prazo para uso de direitos autorais. Eu posso ceder minha obra para tal uso por cinco, dez anos e depois eu posso reaver essa obra. Mas é bom dizer que essa decisão, de usar o Creative Commons, cabe unicamente ao autor.

Palavras da senhora no discurso de posse: “É importante democratizar tanto a produção quanto o consumo da cultura”. A reforma na lei dos direitos autorais e o Creative Commons são em tese democratizantes, no sentido de que garantiriam que a cultura chegaria a mais pessoas. Democratizar está sendo mais difícil do que a senhora imaginou?
A democratização é possível sempre, mas ela tem de prever também o pagamento àqueles que criam. Um autor de um livro que trabalha dez anos com pesquisa vive disso. O direito autoral é o salário dele.

A internet foi o paraíso para muita gente, já que o preço de um CD se tornou inacessível para muitos. Como fazer com que esse consumo continue sem prejuízo para os autores?
Essa é uma questão, sim, que tem de ser estudada nos próximos passos que vamos dar. Agora há pouco, vi um estudo no Canadá que sugere cobrança dos direitos de provedores. Estamos nesse impasse entre a proibição absoluta – que é quase impossível, já que as pessoas estão baixando – e uma liberação que não prevê o pagamento de direitos.

Maria Bethânia teve a aprovação do Ministério da Cultura para captar via Lei Rouanet R$ 1,3 milhão para criar um blog de poesia. Qual a opinião da senhora sobre isso?
Isso foi uma tempestade em copo d”água. Projetos assim são aprovados mensalmente. A lei, que tem também modificação pedida no Congresso, prevê essa possibilidade. Não cabe a mim analisar ou interferir em uma questão que é julgada por uma comissão, que antes passa por pareceristas que analisam os preços e se o projeto é cultural ou não. E o mérito não é de qualidade, mas se é cultural ou não é cultural. Se os preços foram aprovados, está ok.

Ninguém contesta que o projeto de Bethânia seja legal, mas esse dinheiro não deveria ser garantido a artistas com menos recursos?
Olha, isso tudo está sendo revisto nessa reforma da lei que está no Congresso. Queremos favorecer mais o Fundo Nacional de Cultura, que poderá facilitar essa divisão melhor e que atenderia aos produtores que normalmente não atraem o patrocínio das empresas privadas. As empresas querem associar seus nomes a artistas consagrados, faz parte das leis de mercado.

E assim os departamentos de marketing acabam definindo a política cultural do País.
Sim, isso. A atual Lei Rouanet tem esse viés, que era necessário ser equilibrado. Chega a ser perigosa porque quase que exclusivamente se faz atividade cultural no País através da Lei Rouanet. Passou a ser imperiosa. Quando falamos da necessidade da cultura ser autossustentável, vejo como a Lei Rouanet foi prejudicial. Qualquer evento que se faz começa a ficar um megaevento e a ter custos mais altos. E para os artistas se inserirem nisso, precisam ter o nome forte. Agora, uma atividade mais experimental, nova, que não estiver no gosto do mercado, vai ter uma difícil aceitação. A Lei Rouanet viciou o mercado a trabalhar só através dela.

A senhora, como cantora, tentou emplacar projetos pela Lei Rouanet?
Eu não. Bem, até vi em um jornal que houve um proponente de um projeto meu que não foi aprovado, também porque a Lei Rouanet tem uma série de trâmites complicados. Acho que isso foi no período em que eu estava com o projeto de um disco e aí depois consegui trabalhá-lo de outras formas. Foi um projeto para ser aprovado, era um disco meu, sim, que depois acabei fazendo.

O grande público, alheio a Creative Commons, Lei Rouanet, direitos autorais, percebe que entra e sai ministério e uma coisa não muda: cinema, shows e teatro são cada vez mais caros. Como se muda isso?
Mas aí você está falando dos grandes, né? A Cinemateca, por exemplo, tem um acervo fantástico que distribui filmes para os pontos de cultura (centros de cultura nas periferias), os cineclubes estão crescendo. Você está falando das grandes estrelas.

Foi da senhora ou do Planalto a decisão de desistir da contratação do sociólogo Emir Sader para a Casa Rui Barbosa? (Em entrevista, Emir se referiu à ministra como “meio autista”)?
Não, eu agi. Levei, conversei com o Palácio, sim, mas deixei claro que a decisão era minha, cabia a mim.

A senhora fala muito dos pontos de cultura, mas a situação deles é caótica, o dinheiro de alguns nunca chegou…
Já tive encontro com os representantes dos pontos. É assustador, porque são trabalhos em comunidades carentes. O princípio dos pontos é maravilhoso. O governo vai à comunidade e reconhece um trabalho cultural que já está sendo desenvolvido. Fazemos um trabalho para auxiliá-los, ajudamos a se equiparem melhor. Agora, alguns estão sem receber há algum tempo.

Não chegou o dinheiro de 2010.
Há outros que estão sem receber desde 2008. Alguns com problemas com documentação, mas há uma parte legal. E tem nosso orçamento que está bastante restrito, não só da Cultura, mas houve um corte grande.

Esse dinheiro chega este ano?
Já está sendo liberado. Vamos quitar com eles essa dívida.

Como a senhora, uma artista de formação e berço, chega para fazer política em Brasília?
Eu tive várias etapas da minha vida em que já passei por algumas experiências como esta. Estive envolvida na política pública em São Paulo.

Sim, mas Brasília é diferente. A senhora não sente dificuldades no jogo político?
Olha, em Osasco era um microcosmo disso, eu sentia lá também a pressão da sociedade, dos artistas, do executivo querendo fazer uma coisa mega. Eu sei que vou incomodar, você não pode atender a gregos e troianos. Agora, o fato de ser mulher ou ter um jeito delicado no falar não quer dizer que eu seja fraca ou insegura. Não sou nem um pouco insegura.

A senhora divide assuntos com seu irmão, Chico Buarque?
Eu acho que tudo o que ele não quer é que eu fique falando dos problemas do ministério (risos).

O Chico não queria que a senhora aceitasse o convite para ministra, certo?
Ele ficou assustado não por ele. Aliás, não só ele. Somos sete irmãos, todos ficaram assustados porque sabiam que o jogo era violento. E confesso que é mais violento do que eu imaginava. Porque esses movimentos organizados agiram com uma agressividade muito grande. E estão agindo ainda.

A senhora tem amigos na cúpula da música brasileira. Como ministra, está disposta a comprar briga com eles?
Eu acho que eles não vão brigar comigo, não. Como amigos, eu não os perco.

*Com informações de O Estado de S. Paulo

Redação http://www.culturaemercado.com.br

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13 Comments »

  • Melina Fernández disse:

    Êta entrevista mais fraquinha! Não respondeu nada consistente, não propôs nada novo. Assim fica difícil…

  • Markus Avaloni disse:

    Eu achei a nova ministra muito lucida (esta impressao so comecou depois de ler a entrevista< tinha muitas duvidas), mas pena que sua verda ainda esta pautada pelo calote que o Lula deixou nas varias areas do governo, heranca malditissima. Nao sinto que ela vai fazer muito, mas se ela segurar as pontas com lucidaez, quem sabe. Realmente a cultura esta viciada na Lei Rouanet, mas um comissariado petista escolhendo as obras a serem patrocinadas tambem nao e nada saudavel. Sera que eles apoiam um documentario sobre a revolta no Jirau? Acho que nao. Se ela passar em branco, ja esta bom… nao acredito mesmo neste governo de trens balas inexistentes.

  • Letícia Uzun disse:

    Saia justa!!! Precisamos de mais transparência nos processos. Precisamos fazer com que a cultura seja vista como necessidade e direito básico de um cidadão. Se é a lei de mercado que rege estas condições não precisamos de um Ministério.

  • Ana de Hollanda continua tergiversando…quer dizer que, sobre o Creative Commons:

    “Aquele selo era uma propaganda dentro do site do MinC. Não existe a possibilidade de você fazer propaganda ali. A responsável agora sou eu e eu não podia permitir que isso continuasse”

    Isso é ignorância ou dissimulação? O selo é apenas um indicativo de utilização de conteúdos…nestes termos, será que ela vai retirar o “wordpress” do site do Minc? Fora o autoritarismo presente no discurso…trata-se de uma pessoa que quer administrar um ministério como se estivesse a própria carreira artística…é lamentável!

  • O título da matéria do Estadão diz tudo, o jogo é violento. Essa história de Ana está sendo escrita pelos mesmos beatos da procissão mesquinha e virulenta de Serra durante a campanha eleitoral. Não basta o cinismo de Ana de Hollanda em sua liturgia de vaidade e arrogância, a tal ponto que sequer cita o nome da presidenta Dilma em sua entrevista, tripudia em cima de Emir Sader (um dos mais ativos e importantes intelectuais que mergulharam de cabeça na campanha de Dilma) mas Ana continua e também criminaliza Lula como se ele fosse o sensor-mor bem ao estilo da barra pesada que caracterizou a campanha fria e suja de Serra. Ela é hoje considerada como o terror do planalto, principalmente dentro do próprio MinC.

    Ana de Hollanda é o resultado do deus mercado. O seu estilo enviesado de bancar a juiza da comarca da província, dando marretadas na mesa como uma viciada em defesa do Ecad e sai pelo outro lado vestindo o mesmo manto de pura e perseguida que Serra e sua mulher vestiram no episódio, nada nobre, de acusar a Dilma de “assassina de criancinhas”.

    O que parece é que Ana se coloca como primeira-dama com o displante de vigiar o governo a mando das multinacionais que controlam o direito autoral e avançam não só sobre a internet, mas também sobre os espaços públicos. A Ministra se tornou a rainha de um patronato que nos devolve à época imperial e reproduz em detalhes o mesmo jeito tucano-serrista de fazer as coisas, inclusive de tentar desclassificar em cada uma de suas declarações, o governo Lula, sua figura e também a de Dilma, à época, Ministra-Chefe da Casa Civil. Além de se cercar agora de todos os corporatocratas que se afortunaram com a Lei Rouanet e têm relação umbilical com a cúpula do PSDB paulista que sempre foi o canal entre estes e as empresas patrocinadoras em troca da devoção a Serra. Essa turma toda junto com a Veja, Estadão e Folha, vibra com uma coisa simples, no Ministério da Cultura do PT ganhou e os demo-tucanos levaram. É duro admitir isso, mas é a realidade. A pergunta que fica é: quem vai pagar a conta política que Ana está deixando dentro do PT?

  • Astrid Fonseca disse:

    Se a intenção da presidenta Dilma era destacar o papel da mulher em seu ministério, na cultura ela errou feio. Nossa! A entrevista da Ana de Hollanda foi um festival de dissimulação. A mulher não apresentou uma proposta sequer, agiu com arrogância e foi completamente vazia. E jogou baixo em sua condição de mulher. Que horror! como é que o Chico tem uma irmã que age assim? Isto para não falar do fato de que ela tem um homem forte que age como o ministro de fato, o Antonio Grassi, que fez uma gestão mediocre na FUNARTE.
    A decepção com os péssimos rumos do MINC é tão grande que já tomei uma decisão, o PT vai pagar a conta, afinal foi esse partido que colocou uma turma tão inepta à frente do ministério. E tem que ser já! Em 2012 haverá eleições municipais e prefiro votar nulo a dar meu voto para prefeito ou vereador deste partido que na cultura agiu como um estelinatário eleitoral.
    Triste. E pensar que já carreguei tantas vezes a bandeira com a estrela do PT. Triste mesmo, eu até havia voltado à militância política e o principal motivo foi a ação do Minc, principalmente com os Pontos de Cultura. Essa derrapada com a Ana de Hollanda me deixou mesmo desanimada, frustrada. E pensar que há um homem tão sensível e competente como o Célio Turino que poderia fazer o minc dar o mesmo salto que ele fez acontecer com os pontos de cultura.

    Astrid

  • Lena disse:

    A Ministra Ana de Hollanda deu uma entrevista onde demonstra competência e sensatez. O fato de que alguns grupos e pessoas tinham outros candidatos para ocupar o cargo de ministro/a da Cultura, se houvesse um mínimo de maturidade e desconfiômetro já deveria ter sido superado.
    Acho simplesmente ridículo, que a essa altura do campeonato, ainda se faça “campanha” para X ou Y ocupar o lugar da Ministra nomeada pela Presidenta eleita pela maioria do povo brasileiro.
    Chama a atenção a virulência dos ataques contra a Ministra em exercício por motivos equivocados ou por motivos difíceis de classificar, já que se tranformam em rajadas de calúnias,que muito desacreditam quem as profere.
    A verdade é que a maioria significativa dos que acompanham as notícias e têm espírito crítico e independente, só vêm motivos para respeitar e admirar a gestão que está sendo desenvolvida por Ana de Hollanda.
    Já as calúnias e ofensas a ela estão constituindo um deprimente espetáculo que só causa indignação geral.

  • Sergio Henrique disse:

    O jogo ficou ainda mais pesado por conta da descortesia, logo de entrada, com uma militância notadamente barulhenta, cheia de energia, boa parte imatura, que já se habituara a um tratamento atencioso dos ministros. Não custava chamar esse pessoal para uma conversa.

    Não acredito que uma pessoa experiente em política, que integrou a Funarte, tenha sido simplesmente descuidada na relação com a militância digital. Mexeu no vespeiro deliberadamente.

    Nessa entrevista ela faz parecer que Creative Commons é sinônimo de abolição ampla, geral e irrestrita do direito autoral.

    E o repórter perdeu a chance de perguntar o que ela acha de a Bethania ter reservado como remuneração própria a metade do valor de captação aprovado para seu projeto — o que corresponde a um “salário” de R$ 50 mil.

    – x –

    Recomendo ao pessoal da cultura digital unir-se, organizar-se de verdade e trabalhar pesadamente o reforço à militância e o estabelecimento de alianças.

    Para ganhar terreno vocês precisam de muito mais que boas relações com políticos, é um alicerce precário. Políticos são necessariamente demagogos, comumente alternam o público de atendimento. Vocês receberam mais atenção por dois mandatos, agora é a vez de outro grupo de influência ficar na frente, a tal classe artística.

    E, claro, não acreditem em coerência de governo. A demagogia não possibilita a tal da coerência.

  • Sergio Henrique disse:

    A parte, na entrevista, sobre fiscalização do ECAD, é desanimadora.

    Fiscalização de ECAD como violação da livre associação de classe? O que uma coisa tem a ver com a outra? O que se quer é transparência no que essas associações FAZEM quanto a arrecadar e a distribuir a arrecadação.

    E isso nem precisa ser feito diretamente pelo Estado.

    De todo modo, em tese, o Estado já contou com uma instância reguladora, que foi o CNDA, extinto pelo Collor em 90, e não por ser inconstitucional…

    A ministra fala em “intervencionismo”, deus-do-céu… O ECAD é particular mas atua em nome do Estado, por lei que lhe concede monopólio. É claro que o Estado tem de olhar isso, o ECAD cobra taxas em cima de atividades econômicas, uma atribuição do Estado!

    E o que a Ana de Hollanda pensa de “controle social” é o ECAD apresentar um documento, um “balanço público”…

    Se a maioria os tantos músicos descontentes com o que recebem de direito autoral quiser saber o que é arrecadado em seu nome e quiser mudar os critérios de distribuição da arrecadação, melhor se unir ao Ministério Público e ao pessoal das CPIs que investigaram ou investigam o ECAD e preparar-se para uma guerra jurídica, do tipo que chega ao STF…

    Do MinC não vai sair coelho, não vai sair cachorro, nada.

  • UMA PEQUENA ANÁLISE DO JOGO…

    A ministra Ana de Hollanda está com algumas “batatas quentes” nas mãos… As batatas intragáveis são: Ecad, Lei Rouanet e dívidas deixadas pela administração passada.

    Por onde começar o novo trabalho no MinC? Penso que a ministra já começou a trabalhar, ao dá essa (oportuna) entrevista e esclarecer: quem é Ana de Hollanda, o que pensa e como age… O jogo é violento em todas as áreas. Na cultura o jogo é muito violento, e muitas vezes, desleal! É sacanagem da grossa… Algumas pessoas entram nesse jogo, usufruem do jogo e não querem perder os privilégios adquiridos nas últimas administrações. Lembro que os contribuintes brasileiros pagam seus impostos e merecem saber, de maneira transparente, como e onde, foi investido o dinheiro público, travestido de “Lei Rouanet”,

    A “Lei Rouanet” atende aos objetivos da sociedade? Acho que é democrática na formatação e aprovação de um projeto para qualquer cidadão. Ao tentar captar os recursos financeiros para a realização do citado projeto, começa o “calvário cultural”. Quem vai investir em um pequeno projeto, que pode não gerar uma propaganda satisfatória e retorno de mídia, de imediato? O artista, produtor cultural, empresas de cultura ou outro, que tiver um nome consolidado no mercado, leva vantagem em relação aos outros desconhecidos. Isso não é democrático! Precisa mudar… Os grandes nomes da área artística precisam tomar consciência política, e deixar que o MinC faça a sua função social: distribuir cultura para todos e de preferência, para os menos favorecidos… Os recursos públicos culturais precisam chegar a todos os municípios do país. A verba aprovada em qualquer projeto tem que ter um limite financeiro, melhor triagem no que diz respeito à educação do povo e deve estar desvinculada de qualquer objetivo de mídia. A mídia muitas vezes é oportunista, burra, cega e pode trabalhar para a ignorância da nação, ou mesmo, para os interesses políticos de alguns grupos.

    Falando de Ecad, não tem como não falar em CC (Creative Commons). O buraco do direito autoral está abaixo da ética. Direito autoral é sagrado… Talvez imutável! Pode ser flexível se o autor permitir. Direito é direito, adquirido, propriedade de quem cria e possível herança, de pai pra filho, ou de criador para herdeiros. É um bem como qualquer outro! A propriedade intelectual não pode ser ultrajada, pirateada, ou qualquer outra coisa similar. Só o autor pode fazer o que quiser com a sua obra. Qualquer outra forma de gerenciamento – sem a permissão do autor – sobre uma obra intelectual soa como oportunista, ou mesmo, incentivadora da pirataria. A discussão de Ecad (X) CC (Creative Commons) precisa continuar, e com a participação de todos os envolvidos. A sociedade ganha com esta discussão.

    As dívidas deixadas pela última administração do MinC, são constrangedoras para a nova administração. Os atrasos nos pagamentos de diversos convênios e repasses de outros, foram notificados pela mídia. Como isso foi possível se existe a “Lei de Responsabilidade Fiscal”? O governo brasileiro brinca com a frase: “casa de ferreiro, espeto de pau”. O MinC precisa honrar com esses compromissos, bem como, acabar com os velhos e novos “lobys”, responsáveis por ditar as normas culturais brasileiras nos corredores do próprio MinC, muitas vezes, de forma irresponsável. É simples: qualquer projeto para ser realizado, precisa está com a verba empenhada, e prazo de pagamento determinado. Isso é ético! Tem dinheiro em caixa: faz o projeto! Não tendo: adia-se o projeto!

    E a ministra Ana de Hollanda parece perceber todo o jogo, que se realiza nos primeiros minutos da disputa. Quem vencerá esse jogo? Aposto em Ana de Hollanda! Ela é artista, inteligente, sensível e sabe ouvir… Por isso demorou em responder, às críticas de uma parte da torcida do jogo, e dizer que está ministra, e como jogará nos próximos minutos. O placar do jogo está: 1 X 1.

    Tenho certeza que o povo brasileiro será o grande vencedor do “tal jogo político”. A ministra Ana de Hollanda sabe o que faz…

    Abraços.

    Lailton Araújo

  • Acho incrível como o assunto ARQUITETURA E O URBANISMO não fazem parte das entrevistas sobre CULTURA no Brasil.
    Voce vai a qualquer lugar e antes de conhecer a culinária, a realidade de vida, os filmes, os teatros,etc… você conhece a ARQUITETURA e o URBANISMO local. Até os jornais Argentinos tratam desse assunto todos os dias em seus jornais. O presidente da França quando quis fazer uma reforma urbana em Paris que afeta todo o pais veio a Brasilia discutir o projeto com os arquitetos brasileiros…Quando querem contratar qualquer obra publica fazem concursos públicos de projetos, em 2009 fizerem mais de 1200. Não da pra entender…No discurso da ministra ela tocou no assunto claramente…Ninguém questiona…

  • antonio gouveia disse:

    gostei das respostas da ministra!
    apenas quero sugerir que: a lei tem quer ser melhorada e não mudada!
    ela funciona muito bem, está cada vez mais rígida e tem tirado os picaretas da frente.
    os verdadeiros produtores da cultura vão ser valorizados, os que realmente fazem a cultura e as empresas tem que rever seus investimentos, ou seja, investir verdadeiramente nos projetos culturais e não apenas pensarem , principalmente em seu eventos próprios se utilizando da lei para isto!!

    temos que sugerir e não apenas criticar, então vai uma sugestão para a ministra: cada produtor terá que criar e realizar pelo menos 30% de seus projetos, em outras regiões menos favorecidas em projetos realizados, por exemplo: uma produtora de sao paulo executa 20 projetos, sendo que 6 deverá ser para outras reguiões fora de sp!! isto seria uma forma de divulgar a cultura de outras regiões!!
    eu já pratico isto, 30% de meus projetos são de regiões fora de sp e consigo fazer muito bem, além de dar um grande prazer em mostrar a arte de todo brasil e não só em sp ou rio!!

    vamos fazer sugestões concretas para melhorar a lei e não destrui-la, vamos profissionalizar mais a produção cultural e tirar os paraquedistas da frente dos que sabem fazer a cultura neste país!!!

    vamos ajudar a nova ministra a fazer gestão mais correta possível e vamos ajudar e melhorar a escolha e aprovação dos projetos que neste momento está muito confusa!!!

  • Serginho disse:

    Excelente escolha da nova Ministra. Tem todo indício que vai se dar muito bem, inclusive com os famosos jogos políticos de Brasília. Agora, Markus Avaloni, vê se se enxerga e pára de criticar o Lula. Não é porque ele negou verba para a continuação da peça da Joaninha Manca (ou sei lá qual o nome daquela porcaria de fácil digestão) que você tem que ficar bravinho. Você é praticamente um “trem bala inexistente”, já que existe na teoria, mas na prática é uma sombra bem rala dos Walcyr Carrasco da vida. Beijos.

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