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Política cultural em busca de Identidade

| sexta-feira, 27 agosto 20106 Comentários

A identidade é um direito inerente ao cidadão. A ele cabe a autonomia e o livre arbítrio, necessários para cultivar e desenvolver a sua própria identidade, de acordo com os mais diversos elementos culturais produzidos pela humanidade. O Estado deve garantir acesso a todas as culturas e suas manifestações. E deve preservar os grupos culturais autóctones, promovendo sua cultura e protegendo-a dos efeitos da pós-modernidade.

O acesso a diferentes produções culturais deve ser garantido pelo Estado possibilitando, automaticamente, o trânsito em diferentes espaços físicos e simbólicos. Resultando possivelmente, na troca de informações e aprendizados que poderão constituir o processo de construção da identidade de diferentes grupos sociais. A partir disso, é possível compreender que facilitar que diferentes manifestações culturais sejam lembradas e preservadas, e que as produções atuais sejam estimuladas para que se apresente um leque de possibilidades (nesse mundo múltiplo), “disponibilizando” opções para se identificar e fazer escolhas, faz parte de processos que facilitam o acesso(s) aos bens e atividades culturais. Processos esses que se apresentam na construção de identidade(s) dos indivíduos, grupos sociais e consequentemente dos sujeitos de cada cultura, e devem ser reconhecidos como constituidores da “imagem” sociocultural de um uma região, país ou nação.

Assim, contribuir com a constituição ou construção dessa imagem que carrega significados e sentidos diferenciados, é possibilitar que um país seja lembrado por suas características marcantes que resultam de todos os possíveis estímulos que remetem a(s) sua(s) cultura(s) identitária.

* texto colaborativo, em coautoria com Fabio Maciel, Px Silveira, Ricardo Albuquerque e Wagner Ferraz.

Leia também: Qual a sua Identidade?

Leonardo Brant http://www.brant.com.br

Pesquisador cultural, autor do livro "O Poder da Cultura", diretor do documentário Ctrl-V, criou e edita este Cultura e Mercado. É sócio da Brant Associados e do Cemec. Idealizou e coordena o programa Empreendedores Criativos. Para mais artigos deste autor clique aqui

6 Comments »

  • luciano disse:

    1. o dinheiro usado pelo estado p os artistas vem do bolso do trabalhador. 2. muito tem sido desperdicado em nome da "arte". temos filmes de milhoes de reais e nao temos hospitais? temos q repensear o quao importante e' a arte p o povo brasileiro. e do que realmente precisamos. exemplo. 1 cd custa 80 mil para o bolso do cidadao q trabalha de verdade. 10 cds = 800 mil. 1000 cds = 8 milhoes. porque nao um estudio de 1 milhao para toda a populacao? qto custa um filme? como pode o trabalhador q suou e deu seu rico dinheirinho p o estado usufruir desse dinheiro? pode ele fazer um filme? um cd? a arte deve ser acessivel a todos. nao aos amigos dos amigos dos parentes dos funcionarios publicos e politcos brasileiros. arte p todos.

  • thiago disse:

    Caros,

    texto interessante. mas, partindo de uma perspectiva menos idealista de cultura e de identidade, como pensar que as mais belas produção culturais da humanidade surgiram da opressão e da negação de outras culturas? como pensar que a formação da identidade de qualquer sujeito, com aliás, ele próprio, só emerge da negação de tudo aquilo com o que ele não se identifica e não pode se identificar sob o risco de perder sua identidade, o que sempre produziu e produz as maiores barbaridades? por fim, como pensar a estreita ligação entre cultura, identidade e violência, da alemanha hitlerista (cujos argumentos para justificar a perseguição aos judeus eram temerosamente semelhantes ao ultimo paragrafo do texto) aos confrontos entre torcidas de times rivais?

  • Marcus Villa Góis disse:

    Esse é um texto para as massas. A identidade não é algo tão palpável quanto possa parecer. O governo deve proporcionar bem estar, infra-estrutura e acessibilidade à sua população. Mas na verdade não o faz, isto é perceptivel quando a prefeitura de SSA derruba dezenas de barracas de praia, quando o governo do estado da Bahia nega o direito a terra aos seus indios em Porto Seguro. Basta o estado melhorar o que já é, muitas mudanças desorganiza o que já está socialmente organizado. O interesse econômico que há por trás do estado nunca foi e nunca será em favor das populações autóctones. O máximo da identidade é o nazismo, é o controle das massas. Devemos nos compreender melhor através da alteridade.

  • Ótima reflexão, Leonardo!

    É inacreditável que em pleno 2010 as ferramentas de gestão pública nas esferas municipal, estadual e privada no ceio corporativo ainda vivam desta catequese edificadora.

    Negar a sua própria existência com engenharias civilizatórias é a primeira das equivocadas ideias mantidas para dar sentido de aperfeiçoamento refinado a burgos culturais. Isso tem um efeito psicológico de obras clássicas de autoajuda, mas é incrível como num conjunto não limitado de obras, títulos estrangeiros é, no geral, o grande indicativo do assunto cultural dentro do entendimento desses segmentos que definem a funcionalidade de políticas culturais. Está aí a coleção mais completa dos fundamentos das óperas vira-lata e o nosso pensamento tupiniquim/anglossaxônico refinado sobre a teoria das ciências sociais na cultura.

    Num primeiro plano, sem entender exatamente como se processa o sentimento tradicional, o anti-tradicionalista mescla um pensamento que se repuxa entre o paradoxal e o irracional e, com isso, vivemos quase uma luta politeísta de valores. De um lado, o pensamento cru e rígido dos valores absolutos ocidentais, limitado em meia-dúzia de porções da liberdade sem fronteira, mas instituindo uma nova divisão de castas. Por outro lado, a sociedade, sobretudo a do Brasil que tem uma dinâmica invejável, sente-se cobrada com uma espécie de auto-sacrifício do intelecto metodológico, cujas origens não passaram por sentimentos e sequer por uma análise aonde o ingrediente seja o fator humano.

    Parece que a nossa gestão de cultura tenta elaborar respostas para o seu próprio processo de intelectualização, pois percebe que, na prática, não tem clareza ou racionalização para criar condições próprias de vida. O resultado é este que vemos: memória subtraída, identidade diminuida e o domínio mecânico das ciências exatas da cultura. Então, pergunto: o que no mundo é capaz de produzir uma blasfêmea maior do que essa dentro dos caminhos da arte? Isso não é experimentação, não é empirismo, não é modernidade. Isso é o verdadeiro conceito do nonsenso.

    A nossa crise de identidade vem desse monte de mãos a bater um bolo que, reiteradas vezes, sai do forno absolutamente solado.

  • luciano disse:

    eu ainda acho q tem pouca arte e muita discussao. e lei daki e de la. muita depencia do dinheiro do governo, q no fim das contas vem do bolso do trabalhador. de repente tem q jogar essa grana p hospitais e seguranca e "vender o peixe" direto c o "consumidor"… liberdade.

  • cochise disse:

    Acho que a melhor coisa qu já invetaram em políticas públicas para cultura são os pontos de cultura do célio turino. Se a gente conseguir multiplicar e potencializar esse programa a gente resolve 99% do problema.
    Porque o ponto de cultura pode ser arte de vanguarda, pode ser cultura popular, pode ser estudo acadẽmico.
    Fornece recurso e não cerceia a liberdade criativa.

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