Cinemas enfrentam barreiras na transição para o formato digital

Reportagem do jornal Valor Econômico desta segunda-feira (21/5) mostra como tem acontecido a transição do analógico para o digital nos cinemas do país. O abandono da película, segundo a matéria, está ligado à falta de fabricação em escala industrial do produto.

“Dos quase 20 fabricantes existentes na década de 1980, sobraram apenas dois, Fuji e Kodak”, afirma Luiz Gonzaga De Luca, diretor de planejamento estratégico da rede Cinépolis. “O maior volume da produção de película fílmica visava à fotografia doméstica. Com a decadência desse uso, o mercado ficou restrito ao segmento cinematográfico, com uma tendência de alta de preços.”

A renovação tecnológica esbarra nos custos de atualização das salas. “A simples mudança para a tecnologia digital representa gastos na ordem de R$ 200 mil para uma sala pequena, sem exibições em 3D, e cerca de R$ 300 mil para as com 3D”, diz De Luca. A importação dos projetores, que não são fabricados no Brasil, constitui o maior peso no orçamento.

Os desembolsos com manutenção e reposição também preocupam. “Um aparelho de 35 mm vivia 30 anos. As trocas dos digitais terão de ser feitas em menos tempo”, conta Jean Thomas Bernardini, dono do complexo Reserva Cultural e da distribuidora Imovision. E seu preço é cerca de três vezes maior.

Para aliviar o impacto das despesas, a presidente Dilma Rousseff sancionou em março a lei 12.599/2012, que, ao implementar o Regime Especial de Tributação para Desenvolvimento da Atividade de Exibição Cinematográfica (Recine), suspende a cobrança de tributos federais sobre investimentos na construção e na modernização das salas do país. A expectativa da Agência Nacional do Cinema (Ancine) é que haja uma redução de 30% no custo dessas obras.

A nova legislação aguarda por um decreto que regularize a isenção para entrar em vigor. Manoel Rangel, diretor-presidente da Ancine, estima que sua publicação deva ocorrer ainda neste mês, e calcula um prazo de três anos para a “completa migração” das salas brasileiras.

Segundo Rangel, dos 2, 4 mil cinemas em funcionamento no país atualmente, cerca de 600 estão adaptados à plataforma digital. Além da desoneração fiscal, a nova lei prevê uma linha de crédito exclusiva, com juros de 3% anuais, para a transição tecnológica. “O Fundo Setorial do Audiovisual disponibilizará R$ 60 milhões para esse fim”, conta o diretor-presidente da Ancine.

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*Com informações do jornal Valor Econômico

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