Carnaval cresce como negócio nas ruas e nos camarotes dos sambódromos
Nesta semana falamos aqui no Cultura e Mercado sobre os blocos de Carnaval que buscaram apoio via sites de financiamento coletivo. Nesta quinta-feira (16/2), o Valor Econômico traz uma matéria sobre como os blocos de rua se tornaram negócio de gente grande no Rio de Janeiro.
Cada vez mais numerosos, eles cresceram nos últimos dez anos e, diante do sucesso, profissionalizam-se. Há desfiles de 425 blocos espalhados pela cidade e muitos contam com patrocinadores.
O Empolga às 9, que “começou despretensiosamente em 2003 como uma brincadeira de amigos”, segundo o produtor Bruno Magalhães, hoje conta com uma bateria composta por cerca de 70 ritmistas, 50 deles alunos de oficina de percussão. Na tarde do último domingo, levou cerca de 20 mil pessoas ao Posto 9, na Praia de Ipanema, e agradeceu aos patrocinadores: Grendene, Blackberry, AmBev e Wartsila.
Para captar patrocínio, o Empolga fez um release para mostrar o retorno que as empresa podem ter. “A visão que eu tenho é que o carnaval do Rio é um grande outdoor que não está sendo explorado ainda. É um investimento tímido comparado à Bahia, mas o retorno de marketing é muito bom”, afirma Magalhães.
Este foi o primeiro ano em que o Carnaval do Empolga, cujo valor não é divulgado, foi pago totalmente pelos patrocinadores. Entre os custos estão o carro de som, ambulâncias e o pagamento de seguranças e produtores. E ainda sobrou uma pequena verba usada para finalizar o primeiro CD do bloco que conta com a participação de Ney Matogrosso e vai ser lançado nos próximos meses.
Fundado em 1985, o Suvaco do Cristo, bloco do bairro do Jardim Botânico, foi um dos pioneiros da revitalização do Carnaval de rua no Rio. O desfile é calculado em R$ 30 mil e mantido com as contribuições de patrocinadores, como a Rede Globo de Televisão. O aluguel do carro de som absorve R$ 8 mil, o mesmo valor investido na contratação de seguranças. O bloco banca, ainda, controladores de tráfego, a decoração do carro de som, as roupas dos destaques e dos 50 ritmistas que guiam a bateria.
Com o apoio dos patrocinadores, o Suvaco do Cristo fecha seu Carnaval no azul. O saldo vai para a ONG Divinas Axilas, mantida pelo bloco, que dá aulas de corte e costura para mulheres de comunidades carentes.
Nascido de uma oficina de percussão do grupo Pedro Luis e Parede, o Monobloco organizou seu primeiro desfile de Carnaval em 2001. O projeto era uma brecha na agenda dos músicos, mas cresceu tanto que precisou se profissionalizar. Há oito anos, contratou uma empresária e, em 2006, montou um escritório para administrar o negócio. “Hoje, a gente tem no Projeto Carnaval 170 componentes, a grande maioria músicos amadores da nossa oficina”, comenta o maestro Celso Alvim.
O desfile do Monobloco neste ano vai custar R$ 150 mil. No ano passado ficou em R$ 120 mil. Os patrocínios da Hering, Antarctica e TIM, que estampam suas marcas na camisa do bloco, “bancam aproximadamente 60% do Projeto Carnaval [do Monobloco]“, diz Alvim. Os outros 40% vêm da bilheteria dos shows que o bloco faz às sextas-feiras de fevereiro na Fundição Progresso, casa de show da Lapa.
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Hora extra - E se o Brasil para no Carnaval, para onde vão os executivos? “No sambódromo, são quase oito horas diárias de festa – dá pra conversar sobre negócios por mais tempo que em qualquer reunião ou almoço de relacionamento”, diz o diretor da Tok&Stok, Alexis de Vaulx, que teve a ideia de abrir sua própria empresa em 2009, quando observava a comitiva de patrocinadores do desfile da Grande Rio no camarote exclusivo organizado por ele.
Francês, De Vaulx levantou R$ 6,5 milhões com empresas estrangeiras e nacionais para custear o samba que homenageou seu país no ano da França no Brasil. Em 2010, com o sócio Carlos Xavier, o executivo criou a Global Marketing e Eventos, que estreia neste ano seu primeiro camarote corporativo na Sapucaí.
Ao contrário do espaço das cervejarias e revistas de famosos no sambódromo do Rio, que recebem executivos, mas se concentram na “badalação”, o da Global é voltado especificamente para o “networking” e custou R$ 2,6 milhões à empresa. Os ingressos, que custam em média R$ 5 mil, são vendidos diretamente para empresas, que os distribuem entre seus diretores e convidados.
Cerca de 30 companhias já ocupam 90% do camarote, que tem uma área de 600 m2 no setor 8. Entre elas estão H.Stern, L’Óreal, Gomes da Costa, Odebrecht, Technip, Pernod Ricard, a petrolífera angolana Sonalgol, Renault e Vale do Rio Doce.
O camarote recebe apenas 300 pessoas por dia e tem spa, cabeleireiro, restaurante com chef e muito champanhe, além de sorteio de joias e shows de dança do ventre, de passistas e de dançarinos do festival de Parintins, que não foram incluídos na programação aleatoriamente. Como é difícil viver de Carnaval, a Global quer levar seu modelo de camarote para Parintins, para a festa do peão de Barretos e para outros grandes eventos no país.
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*Com informações do Valor Online











Redação http://www.culturaemercado.com.br
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