Acompanhe a fala de abertura do presidente do Instituto Pensarte no primeiro encontro do Fórum “A Lei Rouanet é Nossa!”. Fabio Maciel abordou a atuação do Pensarte nas lutas por direitos e liberdades culturais e apontou a necessidade de união e diálogo entre os movimentos culturais:
Fabio
Existem dois pontos na sua fala que gostaria de complementar, sobre essa confusão que se faz entre Estado e governo. A outra é entre o direito ao acesso e direito a expressão. Esses fatos combinam entre si e vão dar suporte à profundas reflexões para todas as áreas do desenvolvimento humano do país. Historicamente, como todos sabemos, o nosso Estado tem uma visão sectária, conservadora, hermética que converge com os setores das classes dominantes por suas lógicas sociais, aonde temos uma carencia educacional e a imensa massa de valores da sociedade não teria dentro desta estrutura de Estado, voz de mudança pois ficam na teia curricular. Por isso, a nossa orientação pedagógica no campo da cultura ainda está muito próxima do pensamento do colonizador, com a sua pretensa visão educacional. E o que assistimos é uma enorme negação em ambas as partes. A sociedade não reconhece esse status que o Estado diz ter, e ele, por sua vez, acomoda-se dentro da sua visão unilateral herdada das dinastias sócio-econômicas.
O governo, neste caso, passa a ser o ponto fundamental porque traz com ele anseios contemporâneos que podem produzir um debate sendo ele o representante das demandas da sociedade, tentando com isso, aproximar o Estado das realidades atuais, o que seria extremamente produtivo. E, de imediato, teríamos a inauguração do direito à expressão, porque o acesso, a condução de cima para baixo, todas as nossas lógicas de manutenção desse quadro ainda civilista se vale dessa prerrogativa de condutores da boa cultura ao povo. O que não percebmos é que esse Estado fortemente impregnado dessa cultura que não quer pensar as suas realidades e seguir firme no acomodado sistema meramente pedagógico, é que ele torna-se obsoleto para as outras áreas do pensamento e desenvolvimento humano mais proximos as realidades contemporaneas.
O governo, neste caso, está mais linkado com esta sociedade, pois a mesma depositou nele a confiança de representante de suas necessidades. É claro que um Estado arcaico, tão templário que se julga modificador de costumes como é o nosso Estado, um debate como este levará décadas para que se mude todo um conceito enraizado e protegido pela estrutura estatal de cultura.
Portanto, o nosso porta-voz é o governo e o nosso representante dentro desta empreitada é o Ministério da Cultura. Os erros e acertos devem ser orientados sim, mas pela sociedade. E, como você bem disse, não pode ser setorizado.
Fabio
Existem dois pontos na sua fala que gostaria de complementar, sobre essa confusão que se faz entre Estado e governo. A outra é entre o direito ao acesso e direito a expressão. Esses fatos combinam entre si e vão dar suporte à profundas reflexões para todas as áreas do desenvolvimento humano do país. Historicamente, como todos sabemos, o nosso Estado tem uma visão sectária, conservadora, hermética que converge com os setores das classes dominantes por suas lógicas sociais, aonde temos uma carencia educacional e a imensa massa de valores da sociedade não teria dentro desta estrutura de Estado, voz de mudança pois ficam na teia curricular. Por isso, a nossa orientação pedagógica no campo da cultura ainda está muito próxima do pensamento do colonizador, com a sua pretensa visão educacional. E o que assistimos é uma enorme negação em ambas as partes. A sociedade não reconhece esse status que o Estado diz ter, e ele, por sua vez, acomoda-se dentro da sua visão unilateral herdada das dinastias sócio-econômicas.
O governo, neste caso, passa a ser o ponto fundamental porque traz com ele anseios contemporâneos que podem produzir um debate sendo ele o representante das demandas da sociedade, tentando com isso, aproximar o Estado das realidades atuais, o que seria extremamente produtivo. E, de imediato, teríamos a inauguração do direito à expressão, porque o acesso, a condução de cima para baixo, todas as nossas lógicas de manutenção desse quadro ainda civilista se vale dessa prerrogativa de condutores da boa cultura ao povo. O que não percebmos é que esse Estado fortemente impregnado dessa cultura que não quer pensar as suas realidades e seguir firme no acomodado sistema meramente pedagógico, é que ele torna-se obsoleto para as outras áreas do pensamento e desenvolvimento humano mais proximos as realidades contemporaneas.
O governo, neste caso, está mais linkado com esta sociedade, pois a mesma depositou nele a confiança de representante de suas necessidades. É claro que um Estado arcaico, tão templário que se julga modificador de costumes como é o nosso Estado, um debate como este levará décadas para que se mude todo um conceito enraizado e protegido pela estrutura estatal de cultura.
Portanto, o nosso porta-voz é o governo e o nosso representante dentro desta empreitada é o Ministério da Cultura. Os erros e acertos devem ser orientados sim, mas pela sociedade. E, como você bem disse, não pode ser setorizado.
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