O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou na última semana o “Comunicado 147 – Download de músicas e filmes no Brasil: Um perfil dos piratas online”, estudo que tenta identificar hábitos de quem faz download ilegal na rede. O documento foi apresentado por Luis Claudio Kubota, coordenador de Serviços da Diset/Ipea, e Rodrigo Abdalla, técnico de Planejamento e Pesquisa que participou da concepção da análise.
O estudo considerou “piratas” todas as pessoas que fizeram download gratuito de conteúdos pagos. Dos 10,6 milhões de “baixadores” pesquisados, 81% (8,62 milhões) foram considerados piratas, o que corresponde a um total de 41% do total de pessoas que usam a internet no Brasil.
A pesquisa também revelou que a pirataria de um produto de mídia é proporcional ao seu preço no mercado. Isso quer dizer que quanto mais caro o produto, mais os usuários recorrem para vias alternativas para obtê-lo. Os downloads ilegais são feitos, na maioria das vezes, por pessoas pertencentes a classes sociais mais baixas, jovens entre 15 e 20 anos e com menor escolaridade. Rodrigo Abdalla ressaltou que as classes D e E baixam mais de forma ilegal por limitação de renda e falta de conhecimento das sanções das leis.
De acordo com o estudo, o fato de os filmes demorarem semanas ou meses para serem disponibilizados em DVD ou Bluray após o fim da exibição nos cinemas é um fator que colabora para a pirataria. O documento também informa que apenas uma pequena quantidade de municípios no país possuem salas de cinema – pouco mais de 500.
“Antigamente, a reprodução implicava em perda da qualidade e os custos de distribuição eram altos. Agora, a cópia e a distribuição têm custo marginal de praticamente zero. Hoje é muito fácil disponibilizar volume muito grande de informações para grande quantidade de pessoas”, afirmou Kubota.
Para ele, duas tendências se formam para o futuro: a computação em nuvem e a ubiquidade – arquivos disponíveis em nuvem e aplicáveis em qualquer dispositivo – o que irá tornar a difusão de músicas e filmes muito mais líquida do que é hoje.
A íntegra do estudo está disponível aqui.
*Com informações do site do Ipea