Projeto destaca faces pouco conhecidas da cidade de São Paulo
Na manhã de 22 de dezembro, um incêndio tomou conta de um galpão abandonado no centro de São Paulo. Duas horas depois, o fogo havia consumido grande parte da comunidade vizinha, deixando desabrigadas cerca de 320 famílias.
Uma pesquisa divulgada naquela semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicava que a Favela do Moinho tinha mais de 1.600 moradores que habitavam cerca de 530 barracos. O nome do local é uma referência ao prédio onde o incêndio começou, antiga sede da Empresa Moinho Santa Cruz, que havia sido ocupado há três décadas dando origem à comunidade.
O fato foi destaque em todos os jornais e o Moinho recebeu uma atenção até então inédita. Mas antes mesmo do trágico episódio acontecer, um grupo de fotógrafos, coordenados pelo produtor cultural Carlos Inada, já estava empenhado em revelar as faces e histórias dos moradores daquele local, adaptando à realidade brasileira um projeto internacional.
Em tradução livre, Inside Out significa trazer o que está dentro para fora, virar do avesso. De forma mais poética é expor a essência de algo ou alguém. Numa cidade de contrastes tão grandes como São Paulo, a tarefa empreendida pelo grupo é estampar no centro econômico do país os rostos e as histórias de quem está às margens de tudo isso.
O conceito original foi concebido pelo artista de rua francês JR, ganhador do prêmio TED em 2011, que transformou o modelo da iniciativa em um projeto global em que todos podem participar, basta uma câmera na mão e uma ideia na cabeça. Simplificadamente, o Inside Out consiste em registrar imagens de faces da população em lonas gigantes em grandes cidades do mundo.
“As pessoas são o centro e o ponto de partida da ação”, afirma Inada. Em outubro de 2011, ele havia recebido um e-mail propondo a montagem de uma equipe baseando-se na ideia de JR. ”Fiz uma chamada e reuni um primeiro grupo de interessados. Nos juntamos, fomos assinando essa questão da abordagem e levantando focos de trabalho”, explica.
A equipe começou a fazer as visitas fotográficas em março deste ano. Em julho, eles organizaram um mutirão de fotografia em dois finais de semana, convocando todos os interessados em fazer parte do projeto. Para chegar até os moradores e conseguir conhecê-los realmente, sem causar estranheza, a abordagem foi muito cuidadosa.
“As visitas mostraram que existe uma urgência no Moinho, porque uma dos medos que os moradores têm é de serem desalojados”, conta Inada. “Então, chegávamos e apresentávamos o projeto de maneira simples, mas completa. O objetivo é colaborar pra diminuir os preconceitos e os estereótipos, mostrar que não é apenas ‘a favela que pegou fogo’, mas a casa do Eloy, da Zefa…”.
Após registrar as imagens e conseguir financiamento através da plataforma de crowdfunding Catarse, o projeto espera que a próxima etapa, a colagem das fotos, aconteça até novembro – a impressão das imagens é feita no estúdio de JR, nos Estados Unidos. A ideia é que ela, assim como aconteceu nas outras fases do projeto, seja feita de forma coletiva, mobilizando as redes para envolver a comunidade e pessoas de fora.
O impacto que o trabalho trará quando estiver em tamanho gigante, só saberemos quando ele estiver estampado. Mas o impacto que ele já causou na vida dos moradores do Moinho e na equipe que frequentou o local durante os quatro meses, aparece nas palavras de Inada. “Saímos transformados da experiência”, declara. “É tranformador ver um sorriso em meio a tanta adversidade”. Sorrisos como o da Mileide, registrado por João Macul, que ilustra esta matéria.
Para conferir mais fotos, acesse a página do Inside Out São Paulo.
Curso - Para quem tem interesse em financiar um projeto via crowdfunding, o Cemec vai promover, a partir do dia 20 de junho, curso voltado ao assunto. As aulas, ministradas por Vanessa de Oliveira, do Movere, e Diego Reeberg, do Catarse, abordarão todo o processo de financiamento coletivo de um projeto, em quatro módulos: Mercado, Projeto, Recompensa e Campanha.
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Tags:ação social, catarse, cemec, crowdfunding, curso, fotografia, inside out







Sou moradora da favela do Moinho e digo ja que a comunidade não apóia esta palhaçada que estas pessoas tão fazendo. que nada tem a ver com nossa gente e de nada entende de periferia, muito menos de nossas necessidade e realidade.
Como tantos oportunista que aparecem aqui, um bando de sanguesugas, que só querem saber de se beneficiar com a miséria dos outros. Este país só tem isso mesmo
a associacão de moradores, assim como o Umberto lider da comunidade esta em total desacordo com o jeito que estas pessoa comecaram a explora a favela.
antes do incendio essas pessoa jamais passaram por lá, isso é uma mentira desse cara ai!!! e qualquer pessoa da favela sabe disso. de fotografo só sei de um cara que sempre vemo aqui da parceria mesmo que é amigo do Miltao.
ainda tem nego que da dinheiro pra essa gente!!! aff
ae reporter que saber o que ta pegando cola na quebrada irmao.
paz
Olá, Rita, obrigado pela sua opinião, cujo texto é praticamente idêntico ao comentário de “Ana Rosolen”, publicado no site do G1 (http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2012/07/projeto-mostrara-fotos-de-moradores-da-favela-do-moinho-em-sp.html).
Como lá, deixamos o convite para conhecer melhor o projeto, com o qual acreditamos ajudar a promover uma visão mais humana da Favela do Moinho, assim como Humberto, que vc cita em discordância com o que ele mesmo nos diz e vem dizendo à imprensa, e em discordância com o entusiasmo com o qual outras lideranças e os moradores vêm nos recebendo.