Altos e baixos de Ana de Hollanda
Entrevistei a ministra da Cultura ontem (quinta 5/5) à noite. Para os que dizem que sou próximo e muito ligado ao ministério, quero que saibam que estou tentando essa entrevista desde antes da sua posse. Fui praticamente o último veículo a receber as palavras oficiais da Ministra. É claro que não gostaria de entrevistá-la numa situação como esta, em pleno processo de desgaste, com um bem sucedido plano de golpe de Estado, não por acaso liderado por pessoas ligadas e patrocinadas pelo ex-ministro Juca Ferreira.
Queria extrair as ideias da ministra, suas propostas e visões sobre o futuro do MinC. Mas é claro que a conversa foi dominada pela crise. Antes de publicar a entrevista, quero deixar algumas considerações sobre o meu comportamento em relação à gestão do #novoMinC.
Venho adotando uma postura de oposição ao #foraanadehollanda, não por acaso geneticamente ligado ao golpe maior, chamado #ficajuca. Há uma coerência nessa posição. Uma vontade de retomar o projeto de Estado desenhado por nós, da sociedade civil, e bem reverberada no primeiro mandato do governo Lula. Este projeto é da sociedade, dos trabalhadores de cultura, dos movimentos sociais. Não pertence a um mandato, partido, mercado. É de todos nós. E é por ele que me coloco, sem medo de enfrentar as feras e sob o risco de acertar pessoas inocentes e bem intencionadas, que caem na rede por convicção ou mera ingenuidade.
Não sou defensor da ministra. Tenho uma visão crítica sobre a sua gestão, sobretudo no que tange a comunicação com a sociedade. Considero a crítica algo natural da democracia, serve para auxiliar a construção das políticas culturais. Não imagino qualquer proposta que não leve em conta a pluralidade de opiniões. E não imagino qualquer outro ministro imune às críticas.
Mas é inaceitável o movimento que ganhou forma antes mesmo da posse da ministra para derrubá-la, valendo-se de instrumentos eticamente questionáveis, como a dissimulação de factóides, trollagem e ofensas pessoais. Ana de Hollanda faz um paralelo entre os movimentos difamatórios contra Dilma na campanha eleitoral. Natural que isso aconteça, pois o clima deixado por seu antecessor é mesmo de disputa eleitoral.
Mobiliza Cultura constitui o ápice desse movimento golpista, pois não tem qualquer proposta efetiva, não se baseia em fatos ou em discursos oficiais, mas em especulações e teses conspiratórias infundadas, para criar um ambiente de instabilidade institucional, o que apenas amplia as dificuldades de um ministério estraçalhado pela voracidade e improbidade do ex-ministro em busca de mais e mais poder.
Durante a semana que vem publicarei o resumo da entrevista, mas quero adiantar alguns pontos, já publicados em meu twitter (@lbcem). A primeira parte da conversa, foi um balanço dos primeiros 4 meses de gestão. A ministra foi ágil ao reformular o ministério, reunindo programas similares numa nova Secretaria, da Cidadania e Diversidade Cultural. E principalmente ao gerar uma nova secretaria, da Economia Criativa, dando vazão a uma nova plataforma de desenvolvimento pela via da cultura.
A questão dos direitos culturais e da cidadania são prioridade, diz a ministra. Ela se queixa de não ter tido oportunidade maior de colocar publicamente o projeto das Praças do PAC, criadas por Lula e Dilma para dar vida e humanizar o projeto de desenvolvimento brasileiro. É o primeiro projeto de escala a atacar de frente o problema da infraestrutura cultural no país.
Cidadania cultural se faz com apoio ao consumo e à criação, diz a ministra. A valorização da criação e dos criadores é outro ponto fundamental de sua política. Ana de Hollanda se mostra preocupada com a dignidade e a sustentabilidade de quem cria, ao mesmo tempo que promete se empenhar em garantir espaço para todos que desejam criar e viver dos processos criativos. Há algo de novo no discurso do #novoMinC que não foi bem absorvido pela sociedade.
Falamos sobre a associação da ministra com o ECAD, que ela declara ser injusta. “O tipo de ligação que tenho é a mesma que Gilberto Gil tem”, diz. Ela diz que vai supervisionar o órgão arrecadador, mas ainda não definiu a forma. “Isso ainda está em debate e será construído em diálogo com o Congresso e a sociedade”. A ministra falou das lacunas deixadas pelo Projeto de Lei encaminhado pelo ex-ministro ao apagar das luzes e sua vontade de abrir a discussão com todos os agentes interessados e implicados no processo. Quem leu o PL sabe que há uma distância muito grande entre o discurso do ex-ministro e o texto do PL, a exemplo do que aconteceu com o Procultura.
Perguntei como está a relação dela com a presidenta Dilma. Ela afirmou que tem recebido solidariedade do gabinete e da própria presidenta, com quem esteve num almoço oferecido ao presidente da Alemanha e alguns ministros. E disse que o governo não enxerga o movimento como crise, mas sim como “um movimento orquestrado para desestabilizar o governo”.













Caros,
Será que demos tempo e oportunidade suficientes para a Ministra se apresentar de verdade?
Há desconfianças, muito mais desconfiaças do que fatos. Não seria mais importante neste momento reivindicarmos diálogo e ouvi-la?
Para que darmos a conversa tom tão agressivo??? Desta forma perde-se a razão…
abs
Ah, só mais uma coisinha: o FDE justifica todo esse “não pagar” aos músicos, produtores etc. com o blablablá de “economia solidária”. Eles chamam isso de “troca”, e ainda por cima “solidária”. E tem um monte de inocentes que acham isso tudo uma grande revolução e ficam incensando isso, mas se esquecem que artista ALGUM paga contas com troca solidária. A Eletropaulo não cobra conta de luz com moeda solidária, ou cobra? O FDE paga conta de luz das casas FDE com moeda solidária?
Por favor, artistas que paguem suas contas com moedas solidárias, falem agora ou calem-se para sempre. Estamos aguardando, ávidos.
Não digo que os esforços todos dessa galerinha, o trabalho, não tenham méritos. Mas a base de argumentação deles é muito tosca, pra dizer o mínimo.
Sorry, mas eles têm idade suficiente pra não serem nem um pouco inocentes, sabem muito bem que discursos estão levantando e que interesses defendendo quando dizem meias palavras. E dizer isso a platéias qualificadas ou é se achar a última coca-cola do deserto (como no email do Marcello Branco divulgado por um comentarista acima) ou é ser mesmo muito pueril e insultar a inteligência alheia, achando que nada veio antes deles.
Se for tudo inocência, meninos, cresçam!
E bandas, do Brasil ou de fora, que se submetem ao FDE, pensem! Não viciem o mercado de vocês mesmos. Esses caras que pagam 10 reais pra ver vcs tocarem hj não vão querer pagar mais amanhã! tentem outros esquemas, Sescs,q ue pagam cachês coerentes, que abrem espaços para artistas iniciantes! Lucas Santanna precisou de FDE? Jamais. E pode cobrar seu cachê, inclusive de eventos do FDE, como os festivais que fazem por aí.
É brincadeira de mau gosto, mano.
Léo,
Cadê a entrevista?
Leonardo, acompanho seu trabalho junto a esta bandeira. Cuidado pois pode acontecer contigo o que já aconteceu com muitos referente a este (des)governo popular. Agora vem dizendo o que estão fazendo é para desestabilizar o governo. Eles sim que sempre fizeram de maneira orquestrada e profisisonal para cabar com todos os outros. Cuidado é …………..
oi Leo, tb prefiro esperar a entrevista para comentar, mas de antemão, não entendi o título “Altos e Baixos de Ana de Holanda”, onde estão os baixos em sua análise? até+
Um minuto de silêncio.
O mal seria muito diminuído se os homens aprendessem a permanecer serenamente em seus aposentos,já dizia Pascal. (a diferença é que na época de Pascal não se podia fazer tanto barulho sentado em uma dadeira como se pode fazer hoje)
Mas como a sede pela riqueza e pelo poder torna a vista inebriada e os movimentos “involuntários” em busca de satisfazer os nossos desejos (mais sacanas?), estamos assim, atormentados e buscando a qualquer custo defender o nosso quinhão. Cada um à sua maneira.
Não estou mais curiosa pela entrevista. Estou mais curiosa, sinceramente, em saber o que se passa na cebeça desses “fazedores de cultura”. Vamos em frente!
Olá Leonardo,
Gostaria, tão somente, de solicitar esclarecimentos sobre qual o motivo do título de seu artigo ser “Altos e baixos de Ana de Holanda”, sugerindo ser uma entrevista sua com a ministra, e na verdade tratar-se de um artigo seu, diga-se de passagem exaustivamente comentado, em que não consta uma linha da tal entrevista? Isto não parece muito correto, e se não me engano tem até nome, “Propaganda enganosa”. Poderia, por favor, publicar a entrevista para sabermos do que trata a entrevista e as opiniões da ministra.
“Tb não vou dizer”. Sua acusação é falsa e infundada. Nunca ouvi falar em Pablo Capile, não tenho Twitter, mas tenho facebook, pode me procurar lá, na minha foto estou de camisa verde e com uma máquina fotográfica no pescoço. Sou alagoano, me chamo Lenon Rodrigues de Sousa Lima, tenho 28 anos, formado em Arte e Mídia pela Universidade Federal de Campina Grande na Paraíba, UFCG, moro em Paris há uns 3 anos, estou terminando um mestrado em Políticas Culturais pela Universidade Paris 7, como brasileiro, me preocupo muito com os rumos do meu país. Sim, eu existo. Não sou avatar de ninguém. Estás fazendo as mesas acusações ridículas e infundadas que Brant fez a Carlos Henrique Machado. Isso não é legal.
Mandou bem, Aline! Aline Carvalho é minha amiga, nos conhecemos aquio de Paris, ela mora aqui e faz um mestrado na área de cultura. Somos dois indignados com os rumos do atual minc. Nunca recebemos um centavo de MinC e não temos interesses pessoais nem “golpistas”. Somos simplesmente dois brasileiros preocupados com os rumos das políticas culturais do país.
Ah, “Tb não vou dizer”, antes que você venha de novo com 4 pedras na mão, como veio para cima de minha amiga Aline, vou logo adiantando que nunca ouvi falar do FDE, talvez pelo fato de estar a 4 anos fora do Brasil e consequentemente nunca me beneficiei dele.
Amados leitores. Tive um problema com o áudio da entrevista, comprometendo boa parte da entrevista. Conseguimos recuperar e amanhã estará publicada aqui no Cultura e Mercado. Abs, LB
Meu caro Brant, devemos tirar o chapéu para sua coragem e espírito público. Acabo de navegar pelo site do Mobiliza Cultura e estou envergonhado de fazer parte do setor cultural. Na verdade sinto vergonha de ter de dividir esse nosso setor com hackers e trolls que sangram o Erário e nada produzem de arte e cultura. Essa gente tomou posse do ministério da cultura, tirando o dinheiro que precisa ser devolvido à criação, aos artistas e aos gestores que fazem cultura de verdade, no mundo real e não em Pandora. O site do movimento é a tradução mais clara das pretensões dos golpistas. Eles não conseguem largar o osso do Minc e sonham e criar um novo ministério só para eles, apenas com as mesmas ideias repetidas, ultrapassadas, lunáticas. Já que não coneguiram, criaram um Minc só para eles. Quem se opõe ao receituário dessa nova religião deve ser queimado em praça pública, como eles estão tentando fazer com você. Fique frio, pois nunca chove na terra do google. Aqui, uns dias chove noutros dias fazem sol…
Pois é Querido, quando vc diz q a Ministra por fim te dá uma entrevista, quando é sabido q vc representa a Classe – Estranhe
e reflita pois,
se a mesma só nos dá palavra em momentos de necessidade é porque ela não entendeu nada sobre o que é representar um povo em sua Cultura. De minha parte CANSEI.
E quanto ao FORA ANA! prossigo em FORA GRASSI.
Até domingo estará disponível no Site da Cena Urbana uma explicação sonora d minha postura.
Abs
Fiquem sempre com Deus.
Dayse Cunha – RJ
http://cinecenaurbana.blogspot.com/
Abs
Dayse Cunha
Querido,só complementando:
Paz sem Voz não é Paz é Medo.
Abs
DC
Tanta vaidade. E pouco trabalho. Essa é a verdade. Alguém podería perguntar pra TV GLOBO se eles resolveram pagar os direitos aos compositores das obras? ISSO NINGUEM COMENTA. ALIAS NAO PODE. O JORNAL FAZ PARTE DA EMPRESA NE!!
Realmente eu fico cada vez mais em dúvida sobre escrever ou não aqui. Sempre digo pra mim que não voltarei a escrever, mas quando leio alguns artigos, fico inquieta e não posso deixar de manifestar a minha indignação.
Golpe, foi o que fizeram para impor a ditarura, QUE NOS FOI IMPOSTA…da noite para o dia, na surdina. Esse movimento de crítica à uma ministra incapaz de dialogar com o povo é legítimo, autêntico, mobilizado à luz do dia, aberto e faz parte do que entendemos por democracia. É o povo falando pelos meios por onde pode falar…bradar, se for necessário! E está sendo! Não é que não estejamos deixando a ministra mostrar seus projetos, é que já a conhecemos da FUNARTE e os poucos pauzinhos que mexeu já são extremamente sintomáticos de uma linha de pensamento e de construção de uma política cultural que vai DE encontro do que o povo quer (e não AO encontro, como desejaríamos)!!!
Votei na Dilma e em tese deveria apoiar suas escolhas, mas a escolha de Ana como ministra foi um verdadeiro equivoco. Acredito que a maioria das pessoas que criticam a ministra Ana, são pessoas, que como eu, votaram na Dilma. Então, acho que a palavra golpe não cabe aqui. Para um blog que preza o bom debate, essa é uma palavra bastante pesada, ofensiva e sem embasamento. Quando o povo fala, sempre é golpe ou revolução, o que está acontecendo no Brasil, é que estamos nos tornando cada vez mais politizados e já não podemos mais engolir certas coisas. Aprendemos a questionar. E a questão é sempre mais difícil de responder que uma pergunta. Já não estamos mais tolerando que outros sejam sujeitos de nossa autonomia. Nós a construímos dia a dia…e nós da cultura estamos nesse processo.
Leonardo, sabe bem, não sou ninguém na ordem do dia, sendo apenas um pesquisador. Li nos últimos meses milhares de documentos, postagens e artigos. Me desculpe, mas de onde tirou a informação de que as críticas contra a ministra Ana de Hollanda foram patrocinadas pelo ex-ministro Juca Ferreira? Essa sua afirmativa deveria ser reconsiderada, pois é o mesmo que dizer que quem mora em São Paulo é eleitor do Geraldo Alckmin. Esta generalização forçada é assustadora. Pois das dezenas de movimentos, entidades e dos milhares de críticos que localizei o que notei uma grande diversidade totalmente difusa em camadas e grupos diferentes da sociedade, totalmente desarticulada e agindo de forma absolutamente espontânea. Não tem “golpe armado”, não tem “intriga”!!! Estou observando a massa de movimentos sociais e de diversidade cultural eleitores da Dilma contra a ministra, e em favor da ministra vejo agentes e produtores do eixo Rio São Paulo, editores, agentes ligados ao ECAD, organismos internacionais dos direitos autorais e da industria de entretenimento internacional, amigos e artistas de renome estratificados pelas grandes industrias culturais. Porque será que existe tão grande diferença de visão sobre este conflito? Será o interesse do capital, da cultura=mercado que atrapalha a visão de alguns? E o tal Do-in antropologico, será que querem enterrar a cultura como dimensão social e simbólica? Onde esta o respeito as diferenças? Porque alguns não conseguem notar que as medidas da ministra são limitadoras e excludentes? Não vejo e nunca vi ataque algum contra a ministra, tenho visto reclamantes de direitos exigindo a manutenção de políticas de diversidade e de cultura como direito constitucional (emenda 48, artigos 215 e 216). Abraço
Que há tentativa de desestabilização na Ana de Hollanda, há. Por exemplo, as manchetes d’O Globo sobre a ministra mal disfarçam a intenção de derrubá-la. Fico pensando se é reflexo dos embates entre a TV Globo e o ECAD quanto ao valor de pagamento dos direitos autorais dos músicos — o ECAD quer abocanhar 2,5% do que a Globo fatura…
Por outro lado, há muito questionamento legítimo quanto ao que a Ana de Hollanda propõe ou deixa de fomentar e a suas declarações sobre direito autoral, Creative Commons, Lei Rouanet etc.
Para mim, é claro que ela quebrou uma tendência de política cultural bem clara no Governo Lula. Não estranho que muitos eleitores de Dilma estejam descontentes.
De resto, acho graça dos que, em meio a tantos comentários, ainda caem no conto do vigário do ECAD e dos seus advogados amiguinhos, essa história de Creative Commons como fachada de “interesses inconfessáveis” de grandes grupos econômicos.
Como se o ECAD não defendesse interesses de toda uma indústria, para qual remete boa parte do dinheiro que arrecada.
E se o Google tem grande interesse na flexibilização do direito autoral, isso é parte do jogo social e econômico. Sempre vai haver quem ganhe ou perca com mudanças de práticas e leis. Sempre vai haver um graúdo ganhando e outro sofrendo perdas. Nada de mais…
Obrigada Sérgio por deixar bem claro a dúvida de todas as pessoas que conseguem, em meio tantas trocas de tiros.
Só gostaria de completar com uma dúvida minha:
Acho graça do movimento que surgiu querendo tirar a Ana não ter sugerido nenhum nome para a substituição. Será que eles querem primeiro tirar a Ana de lá e depois mostrar o nome, e provavelmente o movimento quebrar e se enfraquecer, já que a parte interessada estará no poder?
Como já disse em outros posts, ficou claro o retrocesso do MinC., mas tenho muitas pulgas atrás da orelha com esse movimento.
Não acho que tem interesse direto do Juca, pode até ser que tenha, mas acho que esse movimento é uma manobra de interesses muito maiores.
Oi Sara, Sérgio, Brant e demais colegas. Acredito que devemos pro bem da verdade refletir que se trata de um multi-conflito. Por isso não podemos ignorar que diantes de tantos jogos difusos podemos aceitar que a ministra esta apenas sendo atacada, ou que apenas ela errou ao ir na contra mão da continuidade do projeto político aprovado nas urnas. Bem como não podemos ignorar que não se trata de um grupo de interesse, mas pilhas deles, incluindo sim os interesses de grupos como Globo, Ecad, sociedades de autores, editoras, gravadoras multinacionais, gravadoras nacionais, Fórum de música, FDE, sociedade civil organizada e causas afirmativas, Google, telefonia celular, autores centrais contra periféricos, criadores x produtores e até mesmo turmas de outros partidos e até briga dentro do partido da presidenta. O foco é que não se pode perder é o interesse nacional, o interesse dos criadores, mas também o interesse social. E a reforma que esta nas mao sdo MINC quer rediscutir o social em beneficio da macro economia e dos compositores mais conhecidos. Isso é sem dúvida um tiro no pé do governo, pois vai contra os eleitore s da Dilma que esperam um governo mais social. O resto é fofoca! Discutir seriamente é com as atas da IFPI, USRT, WIPO é com o texto do tratado ACTA, com o TRIPS, GATT, com a convenção de Berna, Paris, da diversidade cultural da UNESCO, com as atas do ECAD, com a constituição na mão, isso sim é debate qualificado pra entender o projeto de lei, o que estava sendo mudado e o que querem e quem quer, quem lucra quem perde…. isso eles tem evitado. Por isso querem acusar quem esta reclamando das medidas impopulares da ministra de ter articulado um golpe, uma rede de intrigas contra a ministra. Isso não existe! Como também não existe conversa concreta e real sobre os fatos… Por isso o MINC esta levando paulada, porque falta verdade em tudo desde o começo. Serio é parar com esta consulta e mandar o texto dos direitos autorais pro congresso pra ser debatido. Serio é a proposta aprovada a pouco por 27 senadores que aderiram a CPI do ECAD. Abraços
O Mobiliza Cultura reúne vários interesses, grupos e pessoas. Alguns deles são golpistas sim. Outros não, apenas reúnem críticas, pertinentes ou não. Isso não importa, as críticas, realizadas num ambiente democrático, de diálogo, são sempre saudáveis e ajudam a balizar as políticas. O pior é ficarmos inertes.
Esses interesses passam por disputas no próprio PT, no PCdoB, nas viúvas do antigo MinC, no pessoal da cultura digital. A tese central é pífia, fraca, inverossímil. Mas ganhou força nas mídias sociais, digitais, “livres”, sobretudo aquelas próximas a esses movimentos. A pressão chegou na grande mídia, que engoliu o bem planejado balão de ensaio. Isso acontece nas democracias. Acho que a Dilma enterrou ontem isso tudo. Fico torcendo para o MinC retomar a governabilidade, para podermos fazer um diálogo propositivo, de contrução de políticas culturais.
Vamos em frente!
Leonardo,
Estou, como disse, no meio da escrita da tese, completamente atarefada.
Mas leio o CeM e por isso te digo: parabéns pela coragem e pela abertura do debate!!
Tô para conhecer outro ambiente digital onde o CONTRADITÓRIO realmente tenha espaço como aqui.
FORÇA!
jussilene
Caro, Brant
Os argumentos levantados por você, reiteradamente, de que parte ou quase totalidade do Mobilizacultura é golpista, interesseiro, rançoso etc. não ajudam em nada. Não elevam o debate. Peço licença aqui para citar dois artigos de Pablo Ortellado, que traz sim uma discussão substancial, sem ranços, aprofundada:
O primeiro, traça a questão das mudanças de orientação no Minc. E o segundo denuncia os subterfúgios do Minc na defesa blindada da ministra ao desqualificar os críticos. Eis os links: para o primeiro http://www.gpopai.org/ortellado/2011/04/a-economia-criativa-e-a-economia-social-da-cultura/ e o segundo http://www.gpopai.org/ortellado/2011/05/minc-e-a-politica-do-subterfugio/
Então, política, num dos sentidos, é luta territorial e feroz. Para quem se satisfaz em cercar territórios! Mas será somente isso?
Sabemos que a crise no Minc gera frustração também em quem se opõe ao projeto do governo Lula, com Gil e Juca. Mas daí, desqualificar a crítica de muita gente, como golpista e de interesses escusos, é um suterfúgio, como diz o Ortellado.
O Minc não aceita que houve mudança de orientação? E não aceita que haja discordância enorme? Frustra quem tinha o projeto anterior como desafeto saber que o atual Minc não decola? A culpa é de Juca Ferreira? Ahh… essa não dá para engolir!
O que está posto: uma recusa em discutir e em considerar os pontos de vista adversos como válidos! Mas estes continuarão a proliferar, a não ser que o Minc reveja suas alianças e sua inclinação para uma economia de indústrias criativas em detrimento da economia social da cultura, como diz o Ortellado.
Em nenhum momento estou colocando o movimento como um todo como golpista. A motivação dele e a articulação política que resultou num desgaste da ministra tiveram sim orientação golpista. Minha visão sempre foi de que pessoas bem intencionadas foram usadas por interesses que sequer sabiam existir. Isso está colocado lá no texto, talvez não da melhor maneira possível. Nunca disse que o Juca está por trás disso, apenas fiz uma associação direta entre o Mobiliza e o #ficajuca, igualmente golpista.
Acho que, depois das declarações da Dilma e do Gilberto Carvalho, a pauta agora é outra. Vamos discutir o projeto de Direito Autoral. Tenho certeza que nem 5% dos que assinaram o Mobiliza leram a proposta do #novoMinC, até aqui mais sensata, coerente e transparente (quem escondeu o projeto e mandou para a Casa Civil às escuras foi o governo anterior. Este publicou o PL, declarou motivos e fez uma análise ponto a ponto). O movimento se negou a discutir o PL. Só a queda da ministra interessava. O jogo está aberto e a capacidade de pressão tem de ser utilizada para pontos concretos do projeto e não para devaneios e teses especulativas sem nenhum contato com a realidade.
Concordo contigo Brant, esquecer as especulações que nada constroem para discutir o projeto de Direito Autoral.
então… escrevi esse texto no comentário de Fabio Maleronka e acho que ele cabe aqui tb…
Sempre houve lobby dentro da câmara e do senado, principalmente para os detentores do mercado da telecomunicação. Mas a partir do final da década de 90 essa prática começou a mudar, uma vez que as corporações passaram a ser o próprio governo. As corporações se interessam pelo dinheiro do governo e o governo pela tributação, que é a principal fonte de arrecadação.
Balcão de negócios é metáfora para o corporativismo explícito neste jogo entre: os representantes do governo e seus aliados políticos e corporativos, e os potencialmente capazes de assumir essa representação.
A marcação governo-oposição sempre esteve acirrada, desde os tempos em que a direita insistia na consolidação das tradições, de um lado trabalhando a política externa aliada aos interesses das culturas americana e européia, e de outro fragilizando as estruturas sociais de vigilância, que de certa forma estão relacionadas com toda dimensão cultural… A história da dívida externa que a esquerda tanto combateu, e que agora aprendeu a pagar sem reclamar do FMI, se mantendo em silêncio para não cair em autocrítica.
Paradoxalmente ou em resposta a isso surge a vocação brasileira no plano cultural. Uma oportunidade melhorada pelo assistencialismo, capaz de fomentar a cultura na nova classe média. Se o mercado explora o direito autoral sob argumento de economia criativa, grupos como o Fora do Eixo elevam esse estado conceitual para uma economia solidária e paralela, atrelada com a produção cultural de diversos coletivos que compartilham da mesma visão. Sob uma nova forma de gestão cultural, esses grupos tentam posicionar a economia a serviço da cultura, amenizando a promiscuidade entre artistas e governo.
No caso da nomeação da Ministra Ana de Hollanda, que gerou uma reação denunciativa em alas do PT após indicações de mudança no acomodado sistema político desse ministério, pequenino embora estratégico, não vejo porque discordar. Diferente das dezenas fichas-sujas ressuscitadas pela conivência política que descumpre a lei, Ana de Hollanda exibe uma visão diferenciada do mecanismo cultural, se posicionado ao lado da cultura digital e da nova produção cultural, por isso corre riscos políticos.
Por que, na maioria das vezes, acusações são publicadas apenas quando a estratégia política julga pertinente? O alvo central dessa questão é a representação, querem representar o Ministério da Cultura para controlar uma situação desfavorável às corporações, enquanto Ana de Hollanda, acredito, quer representar as alterações necessárias para o aproveitamento dessa oportunidade, que pode elevar o Brasil ao posto de potência cultural. O Brasil precisa de símbolos de mudança.
Leo,
A informação abaixo está completamente equivocada:
“Tenho certeza que nem 5% dos que assinaram o Mobiliza leram a proposta do #novoMinC, até aqui mais sensata, coerente e transparente (quem escondeu o projeto e mandou para a Casa Civil às escuras foi o governo anterior. Este publicou o PL, declarou motivos e fez uma análise ponto a ponto). O movimento se negou a discutir o PL.”
O governo anterior publicou o anteprojeto e recebeu as contribuições. Foi ele (governo anterior) que sistemtizou as contribuições, fez modificações no anteprojeto, elaborou a declaração de motivos e submeteu a discussão intergovernamental (com outros ministérios). Este novo governo nada mais fez que publicar a declaração de motivos do governo anterior e só o fez devido a intensa pressão. Ele também se nega a publicar as contribuições que virão dos grupos de interesses, utilizando um processo fechado e opaco. Ao contrário do que você diz, as pessoas que compõem o movimento Mobiliza Cultura colaboraram e muito para a discussão do PL. Recomendo que você consulte as colaborações que estão na plataforma da consulta e também que visite o site da sociedade civil: http://www.reformadireitoautoral.org
O que eu realmente gostaria de saber é quais são (ou foram) os interesses CONTRARIADOS desse movimento Mobiliza Cultura para a decisão de uma oposição tão cerrada, na qual não cabe diálogo. Como bem ilustrou Leonardo Brant, decidiram pela cabeça da Ministra e pronto! Nada mais interessa, não tem conversa, não é possível o entendimento. Minha dúvida é se a inspiração vem do Stalinismo ou da Rainha de Alice no País das Maravilhas… Só com ironia posso suportar a cupidez!
TRISTE CULTURA BRASILEIRA.
Ei pessoar; oçês ai de cima;
Facil fazer cultura neste pais?
Agora oçêis querem discutir as pessoas da cultuta;
Vamos discutir a Cultura;
O Minc; As Secretarias de Cultura, os recursos publicos que nunca vem, a reforma da lei Rouanet(que tambem não veio e continua a beneficiar somente projetos comerciais e não cultural, dirigentes de markenting empresarial decidindo quem lava a grana da renuncia fiscal, O que é cultura brasileira, talvez oçêis não se lembrem mais em 1.988 quando da aprovação da Constituição Brasileira hoje em vigor, foi 25% dos orçamentos publicos destinado a Educação e Cultura; ou o MEC em 1.988 não era Ministerio da Educação e Cultura; tomamos um puntapé no trazeiros e estamos quietos até hoje; será que a cultura não tem direito adquirido de parte destes 25 % mal gastos com a educação?.
De nada adianta discutir quem vai fazer a gestão publica da cultura brasileira se estes pontos não forem discutidos e esclarecidos;
Como caipira que sou; tenho sofrido as consequencias de fazer parte da verdadeira cultura brasileira;
Mais cada vez que ligo a uma Prefeitura; Secretaria de Estado de Cultura ou ao Ministério da Cultura sempre recebo a informação que nosso projeto TEM UM JECA NA CIDADE com MAZZAROPI é maravilhoso mais nunca tem grana pra custear o projeto.
Dinheiro Rouanet ou dinheiro de Patrocinios, e das Petrobras, Correios,Eletros e muito mais nunca vi; embora tenha nos uktimos 10 anos aprsentado algo em torno de 15.000 propostas depatrocinios; apenas 2 respondidas neste periodo informando que não tinham grana não;
Reconciliam se com todas as coisas da Cultura Brasileira, poi ela é mais importante que qualquer um de nóis.
André Luiz Mazzaropi
O Filho do Jeca
Sugiro a leitura do artigo do blogueiro Miguel do Rosário em que ele faz uma interessantíssima análise sobre a gestão de Ana de Hollanda:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-debate-a-respeito-do-minc-pode-ser-um-ato-cultural
Vale ler os comentários.Muito elucidativos.
No meu entender,a Ana de Holanda está fazendo uma excelente gestão e por isso mesmo agradando a imensa maioria dos que se interessam pela área cultural ou são produtores culturais,como é o meu caso.
Acompanho as atividades que vem sendo desenvolvidas pelo site do MinC desde o início da atual gestão e apreciei o Programa para 2012 e todas as medidas tomadas até o presente momento.
Aqui em Porto Alegre não vejo ninguém reclamar da atual gestão do MinC.Muito pelo contrário. Ela já esteve aqui por duas vezes e foi muito receptiva e simpática com os produtores culturais gaúchos,dando todas as explicações que solicitamos,detalhadamente.Tem uma presença extremamente agradável e demonstra lucidez e senso crítico.