Posts publicados por Carlos Henrique Machado Freitas:
A tropicalização do fundamentalismo
3 de Outubro de 2008 por Carlos Henrique Machado Freitas

Este título é proposital. Quero chamar a atenção para o neologismo de plantão, marca da administração Gil. Continuação »
Se Conselho fosse bom, ninguém dava
29 de Setembro de 2008 por Carlos Henrique Machado Freitas
Afinal de contas, quem precisa de conselho para determinar os rumos culturais de toda uma sociedade? Quem pode ter interesse nisso? A sociedade? Não, não creio. A promessa de cidadania passa necessariamente pelo abandono das nossas escolhas para nos submeter à idéia afunilada de um grau de cultura e estética pré-determinadas? Continuação »
Dirigismo cultural, o pesadelo que não acaba
22 de Setembro de 2008 por Carlos Henrique Machado Freitas
“É estranho dizer isso, mas a inclusão social no Brasil tem que necessariamente passar por uma guilhotina que acabe de vez com os constrangimentos, com as pressões das classes dominantes, que são a minoria, carregadas de um vírus intervencionista que olha para toda e qualquer manifestação saída dos sentimentos do povo como alguma coisa de menor qualidade artística”. Continuação »
Um caminho naturalmente nacional
14 de Setembro de 2008 por Carlos Henrique Machado Freitas
“Penetrando no Nordeste, vamos encontrar uma população extremamente miserável, mas que encara a vida com muita filosofia. Muito magros, esses homens parece que se confundem com a natureza que os rodeia. Estamos no Ceará. Lá se canta de uma maneira diferente, utilizando uma espécie de quarto de tom especial. O canto parece sempre desafinado. Se fizermos ouvir a um cantador um acorde perfeito, ele não perceberá a perfeição. E não gostará do acorde, mas se afrouxarmos um pouco a afinação, então ela ficará contente. O que quer dizer que essa gente está mais próxima da natureza, do mundo físico, do que das convenções musicais. Tudo isto, todas estas observações me inspiram reflexões profundas. E é por este motivo que eu escrevo música dissonante. Não escrevo dissonante para parecer moderno. De maneira nenhuma. O que escrevo é a consequência cósmica dos estudos que fiz, da síntese a que cheguei para espelhar uma natureza como a do Brasil”. (Villa Lobos).” Continuação »
Não existe arte de pobre ou arte de rico, existe arte!
7 de Setembro de 2008 por Carlos Henrique Machado Freitas
“A miséria é culpa da nossa elite, e a origem está na escravatura.” “O Império me preocupa muito, mas acho que a visão imperial não vai durar”. (Olavo Setúbal) Continuação »
A Lei de Murphy e a Lei Rouanet
1 de Setembro de 2008 por Carlos Henrique Machado Freitas
Quando o Estado assume uma postura, elege uma doutrina, aponta estéticas, ele, além de ficar inchado, pesado, constrói uma legião de cultura marginal. Quando o mesmo Estado propõe que o domínio cultural passe necessariamente por uma lógica de caráter social, pior, constrói mitos de uma sociedade rica e culta, ele dá uma espécie de senha para que todo pensamento em torno do ambiente cultural obedeça o desenho da pirâmide que revela toda a nossa forma de organização social. Continuação »
O MinC de Gil/Juca e a revolução que não veio
25 de Agosto de 2008 por Carlos Henrique Machado Freitas
Se me perguntarem o que marcou a administração de Gil e continua marcando a de Juca Ferreira frente ao MinC, eu digo sem susto, o slogan, a publicidade e a megalomania impulsionada pelo panfleto político.
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JK, o presidente bossa nova mesmo?
19 de Agosto de 2008 por Carlos Henrique Machado Freitas
Hoje teremos o início da propaganda eleitoral obrigatória do próximo pleito municipal. Provavelmente, a cultura e a arte estarão fora da pauta, assim como acontece em todas as esferas de poder no Brasil. É certo que sempre tivemos dificuldade de encontrar uma dosagem equilibrada entre política e cultura, tem algo estranho no meio de tudo isso, falta objetividade, falta um quê de pragmatismo de ambas as partes. As vezes, esses cacoetes revelam desastrosas passagens como aquela da república do Canecão, logo no início do primeiro mandato de Lula. Os caciques chegaram gritando pedindo seus apitos de volta, ao estilo, “índio quer apito senão der, pau vai comer”. E, com a mesma falta de critério, o governo cedeu para os pirracentos tubarões de sempre. Continuação »
O fio terra da cultura brasileira
11 de Agosto de 2008 por Carlos Henrique Machado Freitas
Caber a todos nós fazer o diálogo é, sem dúvida, uma observação bastante prudente, assim como, é também de extrema relevância observar que a singularidade deste processo, no caso do Brasil, necessita do auxílio significativo de um estudo científico, pois as bases institucionais brasileiras sempre se relacionaram de forma pontual e patrimonial sobre a cultura brasileira. Continuação »
Quando você tiver 1% nas pesquisas, eu faço
4 de Agosto de 2008 por Carlos Henrique Machado Freitas
Numa crônica bem desenhada pela própria história política do Brasil, a certa altura de um debate histórico da primeira eleição direta para a Presidência da República, depois de uma longa lei de mordaça ditatorial, onde se inclui a entrada de Tancredo Neves/Sarney pela porta dos fundos, e é bom que se diga que a dissonância daquele contexto político desembocou na desastrosa operação do exército em seu último ato na cidade de Volta Redonda com a invasão da Cia. Siderúrgica Nacional, ato que resultou na morte de três operários metalúrgicos e, consequentemente, levou à vitória dois de prefeitos do PT em duas capitais brasileiras, Vitória-ES com Vitor Buaiz e São Paulo, com Erundina. Isso acontece com uma virada espetacular mostrando uma sociedade atenta e saturada dos desmandos ainda ditatoriais. Continuação »
Desconstruir é o caminho
28 de Julho de 2008 por Carlos Henrique Machado Freitas
Quando Mário de Andrade em seu livro, “Ensaio sobre a música brasileira”, faz uma observação sobre o seu desinteresse pelo sucesso pessoal de Villa Lobos e Pixinguinha, entre outras coisas, ele chama atenção para, diante das questões nacionais, os símbolos têm pouca eficácia na mudança real de um quadro implantado como política cultural. Continuação »
É muito cacique pra pouco índio
23 de Julho de 2008 por Carlos Henrique Machado Freitas
Essa frase do nosso grande maestro Radamés Gnatalli sinalizava as vaidades dentro de um pequeno grupo e suscita, naturalmente, que a liderança de um cacique tem peso fundamental, principalmente quando é carregada de códigos, mais ainda se o cacique tiver a percepção da sua importância na queima dos navios para enfrentar uma batalha numericamente desfavorável. Continuação »
A Cultura da Politica venceu mais uma vez a Política de Cultura
15 de Julho de 2008 por Carlos Henrique Machado Freitas
A cultura brasileira de beneficiar aleatoriamente grupos empresariais e políticos no setor cultural continua a fazer vitimas. O povo brasileiro é, sem duvida, o mais atingido por esse vício que tem em sua face mais sombria justamente o caldo podre da mistura do público com o privado nesta questão. Continuação »
Lei da Casta Cultural
11 de Julho de 2008 por Carlos Henrique Machado Freitas
O Brasil, em pleno 2008, não consegue se libertar das verdades impostas no campo da cultura. As instituições brasileiras construíram suas bases voltadas para um projeto de exclusão determinado por uma casta. Ao longo da sua frágil história republicana, com constantes mudanças de regras, ora por força das armas ditatoriais, ora pelos casuímos político-eleitorais que dobram mandatos e golpeiam a constituição, em plena democracia, continuamos a assistir ao que é dito popularmente: ao contrário do pobre, o pão do rico sempre cai com o lado da manteiga para cima. Há sempre um jeito de mexer uns pauzinhos nas leis que deveriam contemplar a maioria, transformando-as numa confraria em benefício de poucos. Continuação »
Lei Rouanet, repartir para crescer
30 de Junho de 2008 por Carlos Henrique Machado Freitas
Quem não se lembra do clichê dos economistas no período da ditadura em que o país viveu o artificial milagre econômico e produziu uma vala de conseqüências sociais absolutamente irresponsáveis? Continuação »
A música não é o que se ouve, é um pouco mais
26 de Junho de 2008 por Carlos Henrique Machado Freitas
É muito comum no Brasil ouvirmos de alguns idealizadores a argumentação rasteira, provinciana de que pensar em cultura brasileira é coisa pequena diante do universo da arte. Confesso que tenho uma ponta de inveja dos nossos visionários. Continuação »
Não é assim que a orquestra toca
13 de Junho de 2008 por Carlos Henrique Machado Freitas
É um grande engano imaginar que estamos de fato discutindo uma lei, uma coisa assim simples como um gatilho, um estilingue, um trampolim para vôos mais amplos das expressões do povo brasileiro. Não! Não é isso que estamos discutindo. Estamos em outra esfera, a mesma batalha que se travou com o descobrimento do Brasil que resultou no domínio, no adestramento rasteiro ou mesmo sangrento e que sempre foram os principais agentes de ampla e dolorosa discussão. Continuação »
Arte X o falso mercado cultural
1 de Junho de 2008 por Carlos Henrique Machado Freitas
Hoje, a cultura brasileira encontra-se refém dos departamentos de marketing, isso não é segredo. Sabemos qual é a lógica desse seqüestro de valores e conceitos artísticos, sustentar e ampliar uma imagem institucional para que traga novos horizontes para a empresa “patrocinadora”, a qual o marketing está a serviço. Com isso, assistimos a um “mercado de produtores” que se utiliza das leis de incentivo para vender projetos e não arte, pois o produto que está sendo grifado é o da empresa patrocinadora. Se, por exemplo, tal empresa for fabricante de sabão, então o objetivo será vender sabão. Então, relegada a um terceiro plano, a arte fica à mercê de algo digestivo, um comestível sem muitas reflexões e desdobramentos, transformando-se num brinde, com pouco ou nenhum compromisso com a arte. Continuação »
Lei Rouanet, sociedade brasileira e a nossa eterna antropofagia
28 de Maio de 2008 por Carlos Henrique Machado Freitas
Não são poucos os relatos que flagram os desequilíbrios que a Lei Rouanet nos revelou até então. A discussão sobre a sua eficácia, além de passar por artistas e produtores, empresas e MinC, deveria, obrigatoriamente, passar pela sociedade, pois é dela, da sociedade que todo esse processo se nutre, desde a criação e desenvolvimento da arte até o mecenato, mas ao contrário, a sociedade está sendo tratada nessa questão como mera coadjuvante. Continuação »
