Entre o populista e o autoritário

Foto: Marcelo Soto Mendes
Venho chamando a atenção dos leitores para uma certa tendência populista e autoritária do Estado em relação às políticas culturais. Não acredito que seja este o melhor remédio contra os vícios liberais e neoliberais do passado. Para traduzir melhor o que venho apontando nesta tribuna desde o ano passado, tomo de assalto as palavras da filósofa Marilena Chauí. Em seu livro Cidadania Cultural – O Direito à Cultura, a filósofa Marilena Chauí aponta quatro vícios históricos nas relações entre Estado e cultura, a saber:

1) A liberal, que identifica cultura e belas-artes, estas últimas consideradas a partir da diferença clássica entre artes liberais e servis. Na qualidade de artes liberais, as belas-artes são vistas como privilégio de uma elite escolarizada e consumidora de produtos culturais.

2) A do Estado autoritário, na qual o Estado se apresenta como produtor oficial de cultura e censor da produção cultural da sociedade civil.

3) A populista, que manipula uma abstração genericamente denominada cultura popular, entendida como produção cultural do povo e identificada com o pequeno artesanato e o folclore, isto é, com a versão popular das belas-artes e da indústria cultural.

4) A neoliberal, que identifica cultura e evento de massa, consagra todas as manifestações do narcisismo desenvolvidas pela mass media, e tende a privatizar as instituições públicas de cultura deixando-as sob a responsabilidade de empresários culturais.

Do lado dos produtores e agentes culturais, segundo Chauí “o modo tradicional de relação com os órgãos públicos de cultura é o clientelismo individual ou das corporações artísticas que encaram o Estado sob a perspectiva do grande balcão de subsídios e patrocínios financeiros”.
Ou seja, sofríamos da predominância de dois dos males apontados por Chauí. Com a gestão de Juca Ferreira, passaremos a sofrer dos quatro?

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